“OOORDEER” na SATA Sr. Presidente

0
29
TI
TI

O impasse e a discussão criada acerca da saída do Reino Unido da União Europeia – o Brexit – mostrou à opinião pública uma figura política britânica por muitos desconhecida. John Bercow era até há poucos dias o denominado “Speaker” da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, mas só a-gora ficou mundialmente conhecido pelo seu pujante grito de “Ooordeer”.
“Ooordeer” era por aquele pronunciado quando pretendia acalmar e colocar em sentido os deputados britânicos sem exceção, por isso este grito passou a ser entendido como um símbolo de respeito dentro do próprio hemiciclo.
A este ponto pergunta o leitor o que tem a SATA a ver com este introito? E eu respondo: tudo.
Na verdade, a partir do momento em que mais um Presidente do Conselho de Administração da SATA apresentou a sua renúncia ao cargo, o que aconteceu na semana passada, invocando atrasos na implementação de medidas de reestruturação e a impossibilidade de reduzir para metade os prejuízos da empresa, cabe aos açorianos gritar bem alto “Ooordeer” para o Governo Regional e o seu Presidente, tal como fazia Bercow.
Ordem para por fim à destruição económica e financeira de uma das maiores empresas dos Açores. Ordem para acabar com as interferências políticas numa empresa de importância estratégica para a Região e para os açorianos. Ordem para terminar com as constantes nomeações políticas para a SATA, sem qualquer critério de meritocracia e experiência no setor do transporte aéreo.
António Teixeira falhou redondamente na missão para a qual foi incumbido. O seu completo desconhecimento desta área, como o próprio referiu, e a dificuldade em fazer passar no crivo do poder político, entenda-se Presidente do Governo, um plano de reestruturação com vista à urgente e necessária redução de custos da empresa que, certamente, incluiria despedimentos e supressão de rotas, comprometeram decisivamente o seu futuro à frente da SATA.
E, com certeza, o mesmo acontecerá a qualquer outro que, sem força para se impor ao poder político, pretenda defender plano semelhante. Ainda mais quando se sabe que para o próximo ano teremos eleições legislativas regionais.
Como é possível que, após a colossal trapalhada que foi o processo de privatização da SATA Internacional, depois dos enormes prejuízos financeiros semestrais apresentados pela empresa e da renúncia do CEO da SATA com os argumentos invocados, a Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas se mantenha em funções?
Porque é que ninguém exige que seja publicamente revelado o plano de negócios proposto por António Teixeira à tutela? Que medidas estão previstas no mesmo que retardaram, ou melhor, que tornaram impossível a sua aprovação pelo Governo Regional?
E para quando o novo processo de privatização de 49% do capital social da Azores Airlines, sendo que a secretária regional já tinha afirmado que o mesmo avançaria até ao final do primeiro semestre do corrente ano?
São estas algumas das questões para as quais a oposição partidária regional deve exigir respostas.
No momento em que a empresa se encontra à beira de uma evidente situação de insolvência, mercê da sua gigantesca dívida e dos prejuízos verificados ano após ano, de Vasco Cordeiro apenas obtivemos silêncio, nem uma única palavra por ele foi proferida capaz de dar conforto a todos os açorianos que pugnam por uma SATA revigorada, saudável financeiramente e cumpridora das suas obrigações de serviço público.
O Presidente do Governo Regional sabe bem que todo este processo é hoje o seu “calcanhar de Aquiles”, aquele que mais tem prejudicado a sua governação, pelo que, a um ano de eleições, certamente tudo fará para que o dossier SATA “estrague” o mínimo possível o seu governo – comprometa a sua maioria absoluta – o que significa encontrar um gestor com um perfil compatível com a estratégia socialista pré-eleitoral, isto é, que se limite a gerir à vista a empresa, sem muito alarido e sem qualquer plano de reestruturação.
Por isso mesmo, a todos nós só nos resta gritar ponha “Ooordem” na SATA Sr. Presidente.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO