Assembleia Municipal – São João não sai da Caldeira

0
12

 

Em véspera de São Pedro, a reunião da Assembleia Municipal da Horta de ontem ficou marcada pela polémica em torno de outro santo popular: As declarações de Rui Santos ao diário local, em que o vereador punha a hipótese de, caso a população não aderisse aos festejos de São João no Largo Jaime Melo, a festa fosse deslocada para outro local, não caíram bem aos deputados municipais, que pediram esclarecimentos ao autarca. Apesar de Rui Santos frisar que se terá tratado de um “erro de comunicação”, foi a discussão em torno deste assunto que marcou uma Assembleia Municipal mais morna e consensual do que é hábito.

A questão foi trazida à reunião pelo socialista Joaquim Correia, autarca na Junta de Freguesia dos Flamengos, que mostrou preocupação com a possibilidade levantada no diário local, no passado dia 22 de Junho. No artigo em questão, o vereador Rui Santos punha a hipótese de, caso se verificasse uma diminuição da adesão popular à Caldeira no São João, como no ano passado, a festa ser transferida para outro local, que poderia ser, por exemplo, o Largo do Relógio, tendo em conta que se situa próximo da rua de São João.

Joaquim Correia pediu satisfações a José Leonardo, que representava o presidente da autarquia, ausente desta reunião. O vice-presidente procurou descansar os presentes, garantindo que “enquanto houver quem queira participar no São João da Caldeira, o São João será na Caldeira”, e frisou que as palavras de Rui Santos espelhavam apenas a vontade da autarquia de melhorar o que se oferece à população, de forma a que esta adira à festa.

Por sua vez, o vereador veio esclarecer as suas palavras à comunicação social. Desculpando-se com o facto da entrevista ter sido dada por telefone, Rui Santos frisou que o que quis dizer foi que, no caso da adesão ao São João na Caldeira ir decrescendo, a localização da festa teria de ser revista, sendo que a referência ao Largo do Relógio e tratou de uma “opinião pessoal”.

Da bancada social-democrata, Laurénio Tavares considerou as declarações de Rui Santos “precipitadas e pouco ponderadas”. O presidente da Junta de Freguesia da Matriz lembrou que São João nunca foi uma festa com características urbanas, e que a fraca adesão popular em 2009 se deveu sobretudo ao estado do tempo. Laurénio Tavares entendeu ainda que a valorização da festa, preconizada pela autarquia, não se estará a fazer da melhor forma, lamentando o facto do serão de chamarritas se ter feito ao som da aparelhagem e não dos tradicionais instrumentos de corda.

Rui Santos refutou, dizendo que a valorização da festa não deve passar apenas pela Câmara Municipal, mas por todos os faialenses. “Qual é o contributo que todos damos?”, inquiriu, realçando o facto de apenas terem havido duas marchas populares, bem como do Festival de Folclore apenas ter contado com a participação do Grupo Folclórico dos Flamengos, seu organizador.

Da bancada da CDU, Mário Frayão recordou os bons tempos desta festa, que se faz do convívio popular e das tradições. “A festa não é da Câmara, é do povo”, frisou, lembrando que a essência do São João é “a alegria de estarmos todos juntos”. “A ideia do São João sair da Caldeira não é para as pessoas se irritarem, é para rir!”, disse.

AM protesta pela aprovação do PROTA

A aprovação do PROTA pela Assembleia Legislativa Regional na última sessão plenária mereceu protestos unânimes de todos os deputados municipais. PSD e PS apresentaram votos de protesto pela aprovação do documento apesar das referências à possibilidade de serem criadas plataformas logísticas na Terceira e em São Miguel para a distribuição de mercadorias na Região.

Os social-democratas, pela voz de Roberto Vieira, lembraram que o documento foi aprovado sem esperar pela discussão em plenário de uma petição a contestar a referência às plataformas, petição essa com mais de 400 assinaturas, e que já tinha dado entrada na Assembleia Regional. Terra frisou que esta atitude parlamentar representou “desrespeito pela iniciativa dos cidadãos signatários”.

Também os socialistas, em tom mais moderado, condenaram o facto da aprovação do PROTA não ter aguardado pela discussão da petição, e a CDU fez eco dos protestos rosa e laranja.

AM de visita às Angústias

Esta reunião da Assembleia Municipal decorreu, não nos Paços do Concelho, como habitualmente, mas na sede da Sociedade Filarmónica União Faialense, na freguesia das Angústias. Esta iniciativa visa dotar a AM de alguma “itinerância”, de forma a que aquele órgão visite todas as freguesias do concelho.

José Costa, presidente da Junta da freguesia anfitriã, deu as boas vindas aos deputados municipais, saudando a AM por este “claro acto de descentralização”. Aproveitando o momento para realçar a obra feita na freguesia, destacando o apoio da autarquia e do Governo Regional, José Costa não deixou no entanto de alertar para alguns problemas que gritam por solução. O autarca chamou a atenção para o “estado de degradação” em que se encontram algumas ruas da freguesia, e entende que não faz sentido esperar pela obra do Saneamento Básico. “Todos sabemos que não irá avançar nos anos mais próximos”, disse.

Nesta política de descentralização, os serviços camarários, bem como o presidente da Câmara, mudaram-se de armas e bagagens para a Praia do Norte, durante uma semana, no âmbito do projecto “Presentes no Concelho”. Estêvão Gomes, presidente da Junta de Freguesia da Praia do Norte, congratulou-se com o sucesso deste projecto que, na sua óptica, “deve ser destacado e elogiado”. O autarca sugeriu ainda, entre outras coisas, que a reunião da Assembleia Municipal coincidisse com a realização deste projecto nas freguesias do Faial.

PSD preocupado com futuro da Transmaçor

 A facção laranja da AM apresentou um voto de recomendação para que a Câmara Municipal da Horta “envide esforços e contactos junto da Transmaçor, autarquias do Faial, Pico e São Jorge, no sentido de empresas situadas nestas três ilhas e o Governo Regional buscarem uma solução” para o futuro da Transmaçor, de modo a assegurar a manutenção dos actuais postos de trabalho naquela empresa, bem como um serviço público que sirva a população do Triângulo. Os deputados municipais do PSD querem também que a empresa seja gerida a partir das ilhas do Triângulo.

Este voto surgiu para espelhar a preocupação dos social-democratas com a “situação financeira complexa” que a Transmaçor atravessa, em parte devido à concorrência da Atlanticoline.

O voto contou com o apoio do PS e da CDU, no entanto a socialista Ana Luís colocou-lhe algumas ressalvas, por um lado por não entender que a Atlanticoline tenha contribuído de forma directa para os problemas da Transmaçor, e por outro por não achar necessário que a empresa tenha de ser gerida a partir das ilhas do Triângulo.