Azores Trail Run® – Rota dos Baleeiros no circuito mundial resultado do “bom” trabalho da organização

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Paulo Gabriel

A 5.ª edição do Azores Trail Run® (ATR®), arranca hoje ao final do dia com a partida da Grande Rota dos Baleeiros (GRB) do porto do Salão.
Em véspera do arranque de um dos maiores eventos de desporto de natureza realizado nos Açores, Tribuna das Ilhas conversou com o Diretor de prova do ATR®, Mário Leal e com o Presidente da Associação de Trail Running de Portugal – ATRP, Rui Pinho, sobre a importância desta prova fazer parte do circuito mundial de trail run.
Para Mário Leal a integração da GRB no calendário da Ultra-Trail® World Tour concretamente na categoria Discovery Race em 2018 representa “o reconhecimento internacional do potencial que este evento representa e do bom trabalho que tem sido desenvolvido” pela organização.
Já Rui Pinho considerou que modalidade tem crescido nos Açores muito “à boleia” dos “sucessivos eventos que surgiram depois das primeiras edições do ATR®” no Faial.
O presidente da ATRP vê ainda a inclusão do evento no World Tour como um prémio do “excelente trabalho liderado pelo seu Diretor – Mário Leal, e por toda a sua equipa, onde estão incluídos os faialenses”, defendeu.

 

Tribuna das Ilhas – A Grande Rota dos Baleeiros foi escolhida para integrar o calendário da Ultra-Trail® World Tour concretamente na categoria Discovery Race. O que é preciso para conseguir fazer parte do calendário mundial?
Mário Leal – O Azores Trail Run® é uma prova que acontece na ilha do Faial, promovendo os trilhos dos Parques Naturais dos Açores pela sua sustentabilidade, consciencialização e conservação ambiental, desporto, produtos e soluções sociais para o desenvolvimento económico das comunidades através do turismo ativo de Natureza.
Criado em 2014, o Ultra-Trail World Tour é um prestigiado circuito de corridas de longa distância (mais de 100 km), em diferentes terrenos técnicos e com diferentes níveis de dificuldade. Concebido como um circuito internacional desde a sua criação, é uma série de eventos de referência nos cinco continentes. Em 2018 ele estará presente em 18 países ao redor do mundo.
Realizado em colaboração com o ITRA – International Trail Running Association, o seu crescimento progressivo deve-se a um dos seus principais objetivos: garantir uma melhor cobertura geográfica e melhorar o acesso ao circuito.
Assim, consideramos que a possibilidade da nossa prova integrar o circuito mundial em 2018 representa o reconhecimento internacional do potencial que este evento representa e do bom trabalho que tem sido desenvolvido.

TI – Com apenas uma edição a Grande Rota dos Baleeiros conseguiu atingir o patamar mais elevado do Trail Run mundial. Como vê o sucesso da prova em tão pouco tempo?
ML – O sucesso dos eventos do Azores Trail Run já não é recente, sendo que já vamos para a 5º edição, tendo despertado o interesse a nível nacional e internacional. No que diz respeito à prova Grande Rota dos Baleiros Ultra-Trail, já há algum tempo que vimos conversando com a direção do Ultra-Trail World Tour, no entanto preferimos aguardar sem presas a fim de termos um percurso com mais de 100km coerente e atrativo do ponto de vista cultural, ambiental e desportivo.

TI – Que significa para o Azores Trail Run® organizar uma prova do Ultra Trail World Tour no Faial e nos Açores?
ML – Pertencer ao restrito circuito do Ultra-Trail World Tour significa fazer parte de um clube exclusivo. Vem promover fortemente a imagem da Região e da Ilha do Faial em particular e beneficia o tecido económico, especialmente das empresas que se dedicam à hotelaria, restauração e animação turística.

TI – Qual é a diferença entre organizar uma prova do campeonato mundial e uma prova local?
ML – O nível de exigência é, obviamente, maior, até porque as expetativas dos atletas também são elevadas. Todavia, desde o início que temos trabalhado cada uma das nossas provas com a máxima dedicação, e procurando fazer de cada uma delas um evento de excelência.

TI – Quais são as principais preocupações da organização para esta prova?
ML – As preocupações são as mesmas de sempre: garantir que todos os inúmeros pormenores associados à organização de um evento destas dimensões estão garantidos, para que tudo corra bem no dia prova. Pôr de pé um evento como este é uma tarefa extremamente complexa, em que estão envolvidas centenas de pessoas, na sua grande maioria voluntárias. Todos os pormenores têm de ser pensados, desde as marcações do terreno até às equipas médicas e de segurança, passando pela preparação dos postos de abastecimento, pela receção dos atletas no secretariado, pelas questões de cronometragem, pela imagem e comunicação da prova… Estas são apenas algumas das inúmeras dimensões em que temos de trabalhar.

TI – Quantos atletas e nacionalidades estão inscritos no Azores Trail Run® 2018?
ML – Temos cerca de 800 atletas inscritos, no total das provas do evento, de 30 nacionalidades diferentes.

TI – Em relação ao Azores Trail Run®, e apesar de ser um evento ainda recente, ao longo dos anos tem vindo afirmar-se no panorama internacional do Trail Run. A que se deve o sucesso deste evento?
ML – Deve-se essencialmente ao forte trabalho de divulgação, promoção, criação e manutenção dos trilhos.

TI – Ao longo das edições o Azores Trail Run® tem alargado a sua oferta, introduzindo sempre novas provas e novidades ao evento. Esta é, no entender da organização, uma forma de tornar o evento mais atrativo?
ML – Sim, procuramos ter várias provas, de várias distâncias, para poder chegar às preferências de um maior número de atletas. A prova de que conseguimos fazê-lo é o facto do número de inscritos continuar a aumentar, e de termos muitos “repetentes”; atletas que fizeram uma prova, gostaram, e voltam para repeti-la ou para fazer uma distância diferente. A diversidade de oferta de provas leva a que se consiga chegar a um número maior de atletas e com caraterísticas diferentes, dos que querem distâncias mais longas aos que preferem provas mais curtas e rápidas.

TI – O Azores Trail Run® tem alargado a sua atividade a outras ilhas. Depois do Triangle Adventure, nas ilhas do Faial, Pico e São Jorge, do Columbus Grande Trail em Santa Maria, o ATR tem agora a responsabilidade de organizar a final da Taça do Campeonato Nacional da Associação de Trail Run de Portugal na ilha das Flores. Como surgiu essa oportunidade?
ML – Há algum tempo que se vem pensando em organizar uma prova na ilha das Flores, devido às suas características naturais. A Grande Rota da ilha das Flores tem características que se encaixam perfeitamente no que é necessário para a realização de uma prova de Trail até 42km. Assim sendo, e com o objetivo de, em época baixa, levar um grande número de atletas/turistas a uma ilha periférica dos Açores, propusemos à ATRP a realização da Taça de Portugal de Trail.
TI – Que caminho tem e pretende ainda o Azores Trail Run® percorrer no que à modalidade diz respeito, na ilha, nos Açores e até mesmo a nível nacional e internacional?
ML – Pretendemos afirmar-nos de forma definitiva no panorama internacional do Trail Run.

TI – Em relação à edição deste ano do Azores Trail Run®, quais são as principais novidades ou alterações?
ML – Este ano levamos a cabo várias alterações nos percursos de forma a tornar as diferentes provas mais interessantes e atrativas do ponto de vista desportivo e de vivência da natureza de forma ativa. As provas passaram a ter uma maior quantidade de trilhos ao longo do percurso, tendo-se reduzido o asfalto existente. Conseguiu-se encontrar novos trilhos e caminhos antigos que vêm valorizar muito a rede de trilhos da ilha. Também será possível, pela primeira vez, percorrer a Levada em praticamente toda a sua extensão.

TI – Quais são as principais dificuldades que o Azores Trail Run® enfrenta na realização deste evento?
ML – São várias as dificuldades inerentes à realização de uma prova num arquipélago remoto no meio do Atlântico.
A logística geral, nomeadamente a aquisição de material que não pode ser fornecido pelas entidades locais, tem que ser pensada com muita antecedência.
No entanto, a maior dificuldade são os transportes aéreos. Colocar cerca de 800 pessoas no Faial num curto período e com apenas um voo diário com ligação ao continente português é uma tarefa hercúlea. Para ter uma ideia, no mês de março as ligações dos dias 23, 24, 27 e 28 de maio já estavam esgotadas. Outra dificuldade associada ao reduzido número de voos são as ligações à Europa, sendo frequente a necessidade dos atletas pernoitarem em Lisboa, o que, associado ao preço já elevado das viagens, torna a participação neste evento cara para os atletas.

TI – No seu entender que impacto tem a realização deste evento nos Açores quer a nível económico, quer a nível turístico?
ML – Sendo um evento com cerca de 800 participantes, dos quais a esmagadora maioria vem do exterior da ilha, não temos dúvidas de que o impacto no setor do Turismo é enorme. Hotéis e outras unidades de alojamento, restaurantes, rent-a-cars, entre outros, sentem o impacto deste aumento da procura, que, deve salientar-se, acontece fora da época alta. Esta organização tem também a preocupação de, sempre que possível, optar por fornecedores locais para os serviços associados à realização da prova, o que também traz dividendos económicos para o tecido empresarial local.
Devo, todavia, salientar, que o impacto do Azores Trail Run® na ilha do Faial vai muito para além do factor económico. A comunidade faialense envolve-se fortemente na organização do evento, que mobiliza centenas de voluntários. Essa componente deste evento, que muito nos orgulha, faz dele algo verdadeiramente genuíno, e é uma das razões pelas quais os atletas nos dão um feedback tão positivo. Por isso, queremos continuar a oferecer esta componente aos atletas, e apelamos a todos os faialenses a que compareçam, seja como participantes, seja como voluntários, seja como apoiantes, nas partidas, na meta e nos pontos de passagem.

 

RUI Pinho – Presidente da Associação de Trail Running de Portugal
Azores Trail Run® “um dos mais bem organizados trails de Portugal”

Tribuna das Ilhas – Enquanto presidente da Associação de Trail Running de Portugal considera que os Açores e nomeadamente o Faial, têm condições para a prática do Trail Run?
Rui Pinho – Os Açores, enquanto destino de natureza, têm excelentes condições para a prática de Trail Running. O Faial em particular, pela sua localização no Triângulo, pela sua oferta hoteleira e pelos excelentes trilhos, tem condições únicas para destino de todo o ano.

TI – Que análise faz à evolução da modalidade nos Açores e nomeadamente na ilha do Faial?
RP – A modalidade tem crescido em todo o País, também nos Açores se nota esse crescimento, muito “à boleia” dos sucessivos eventos que surgiram depois das primeiras edições do Azores Trail Run no Faial. Estive presente enquanto atleta na edição de 2014, regressei em 2016 e constatei a enorme adesão dos atletas a um dos mais bem organizados trails de Portugal. O prémio merecido chegou agora com a inclusão do evento no World Tour, que dará ainda maior projeção aos Açores e a Portugal no panorama internacional.

TI – Que avaliação faz às provas promovidas pelo Azores Trail Run?
RP – Penso que a resposta foi dada ao longo dos anos pelos atletas e agora pelo World Tour. São excelentes organizações, viradas para o bem estar do atleta e para a conservação do espaço natural.

TI – Como vê a integração da Grande Rota no Circuito Mundial de Trail Run na Categoria de Discovery Race?
RP – Como um prémio do excelente trabalho liderado pelo seu Diretor – Mário Leal, e por toda a sua equipa, onde obviamente incluo os faialenses. É também uma oportunidade de aproveitar o momento para afirmar a prova como merecedora de estar no leque de escolhas dos melhores do mundo, o que arrastará mais atletas e aumentará o pelotão. Só assim o projeto terá sustentabilidade no futuro.

TI – No seu entender, que impacto têm estas provas a nível local quer em termos económicos quer turísticos?
RP – É evidente que os destinos onde se realizam estes eventos têm um incremento de turismo durante todo o ano e não apenas durante os dias que os compõem. Chamonix, por exemplo, tem a principal fonte de receita de turismo no trail e não na neve, apesar de ter mais meses de inverno do que meses propícios à prática de corrida em montanha. É por isto expectável que o impacto económico e turístico não se esgotem nos dias do evento e sejam notados todo o ano.

TI – O que é preciso para que uma prova integre o calendário da ATRP?
RP – Tem de cumprir uma série de requisitos de organização (segurança, protocolo, serviços aos atletas, qualidade do percurso). Depois de avaliadas podem ou não ser integradas no calendário competitivo.

TI – Quantas provas tem certificadas a ATRP em 2018 e quantas decorrem nos Açores?
RP – Em 2017 tivemos cerca de 80 eventos certificados. Para 2018 estimamos duplicar este número. Nos Açores decorrerão seis.

TI – Este ano a final da Taça de Portugal da ATRP decorre na ilha das Flores, organizada pela ATRP com o apoio do Azores Trail Run. A que se deve esta escolha?
RP – Pelas razões acima descritas. Por ser um destino de natureza no seu mais puro estado. É o “nosso petróleo”. Poucos são os países europeus com boas condições durante todo o ano, para a prática de desportos na natureza. Portugal, mais que destino de verão, tem de se afirmar enquanto destino de todo o ano. Os novos turistas, mais que massificação, gostam de desfrutar dos destinos como os Açores, com pouca confusão. O turismo é potenciado por haver oferta diluída durante todo o ano. Para os portugueses é evidenciar que podem fazer turismo de qualidade sem sair de Portugal. É também função da ATRP ajudar a divulgar estes destinos.

TI – Esta é a primeira vez que a ilha das Flores recebe uma prova de trail run. Quais são as expectativas que a ATRP coloca na edição inaugural, do Extreme West Atlantic Trail?
RP – É a primeira vez neste destino, mas a ATRP confia na equipa da Azores Trail Run e que, com a sua experiência e competência, tudo está a preparar para que seja mais um sucesso.

TI – Qual é o papel da ATRP no Trail Run a nível nacional?
RP – A ATRP é, por delegação da Federação Portuguesa de Atletismo, a entidade que regula o trail em Portugal. É responsável por certificar provas – garantir a segurança dos seus participantes e respeito pelas regras e meio ambiente – responsável ainda pela organização de competições que atribuam títulos nacionais – Taça de Portugal e Campeonatos Nacionais -, e é ainda a entidade responsável pelas Selecções Nacionais. Somos, também por delegação da FPA, representantes de Portugal na ITRA – International Trail Running Association, da qual fomos também fundadores. Refira-se que o Trail é uma disciplina da modalidade Atletismo e está integrado desde 2015 nos quadros competitivos da IAAF enquadrada pela Regra 252. 

 

Azores Trai Run® adere ao programa BYOU – “Bring Your Own Utensils”

DR/MIRO CERQUIERA /PROZIS

Na 5.ª edição do Azores Trai Run®, que decorre este fim de semana na Ilha do Faial a organização não distribuirá talheres descartáveis, copos ou tigelas nos postos de abastecimento, convidando os atletas a levar os seus próprios utensílios, no âmbito do programa BYOU – “Bring Your Own Utensils”, ou seja, “traga seus próprios utensílios” criado em janeiro de 2018, durante o Vibram Hong Kong 100.
O evento trail que integra, pela primeira vez, o circuito mundial da modalidade, na categoria “Discovery” é também o primeiro da Europa a implementar este programa ambiental.
A preocupação da organização em tomar medidas em prol da promoção do ambiente verifica-se desde a sua primeira edição, em 2014, com a implementação do projeto “Pegada 0, SOS Laurissilva dos Açores”, em que os atletas participam numa plantação de árvores naturais dos Açores, que visa compensar a pegada ecológica da prova.
Este ano o trabalho do Azores Trail Run® na área ambiental é ainda mais ambicioso, no que à implementação de medidas ambientais cada vez mais sustentáveis diz respeito.
A organização prevê, com a adesão ao BYOU, uma redução da utilização de plástico em mais de 95%, graças a utilização de marcação reutilizável e ao facto de o jantar de entrega de prémios ser realizado com loiças e talheres tradicionais.
O Azores Trail Run® é uma organização do Clube Independente de Atletismo Ilha Azul, com a colaboração do Parque Natural do Faial, e conta com o alto patrocínio do Governo Regional.
O evento conta também com os apoios da Câmara Municipal da Horta, da Azores Airlines, da Atlânticoline, da Click – Saúde e Bem Estar e da Martipereira.

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