Bater de frente com o cancro e ganhar

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CÁTIA FREITAS E HUMBERTO NEVES TRAVARAM UMA DURA BATALHA COM O CANCRO, E SAÍRAM VENCEDORES. O TRIBUNA DAS ILHAS DESAFIOU-OS A CONVERSAREM SOBRE O ASSUNTO, ELA NA QUALIDADE DE ENTREVISTADORA E ELE NA QUALIDADE DE ENTREVISTADO.

A Cátia tem 31 anos, é uma bióloga apaixonada pelo trabalho e mãe dedicada de uma menina de 5 anos.

O Humberto tem 44 anos, é apaixonado pela corrida e pelos seus dois filhos, o mais pequeno nascido no ano passado. Em comum têm o facto de terem nascido no Faial (apesar do Humberto viver no continente há mais de 20 anos), e uma história de superação para contar, depois da vida lhes ter tirado o tapete,
com um diagnóstico de Linfoma de Hodgkin.

Na cronologia desta história, a Cátia foi a primeira a ver fugir o chão, com apenas 21 anos. Encarou o aparecimento de um pequeno nódulo no pescoço com a despreocupação própria da idade, até que a sua replicação junto à clavícula esquerda a levou novamente a procurar um médico.

Uma bateria de exames depois, o diagnóstico ligeiro da primeira visita ao médico foi substituído por um bem mais pesado: Linfoma de Hodgkin, estadio III.

Seguiu-se uma batalha hercúlea: oito ciclos de quimioterapia que lhe levaram todo o cabelo, e 21 sessões de radioterapia. Foram mais de 10 meses de luta, com avanços e recuos, até ao desejado exame PET negativo. Seguiram-se 6 anos
em remissão, sempre com o fantasma do “bicho” à espreita, mas cada vez com mais certezas de que o pior estava para trás.

Cátia mandou às urtigas um veredito de quase impossibilidade de ter filhos, e foi mãe de uma menina cerca de seis meses antes da tão cobiçada alta médica.

Já Cátia ia a caminho da remissão quando Humberto encontrou o mesmo adversário. Também ele decidiu encará-lo de frente e lutar. O Humberto conta-nos aqui a sua história, guiado pelas questões colocadas pela Cátia.

Cátia Freitas (CF) – A doença oncológica tem sempre uma conotação tão negativa e terminal. Como foi receber o diagnóstico de um Linfoma de Hodgkins?
Humberto Neves (HN) – O primeiro diagnóstico, devido aos gânglios inflamados, na zona do pescoço, é que tinha feito esforços, ao pegar em pesos, isto dito pelo médico da empresa onde trabalho. Mas não confiei e avancei para segunda opinião. Ao saber da notícia, através da médica de família, que estava mais assustada do que eu, só lhe disse: “Dra., avancemos para o que é necessário fazer!”. Deu seguimento para o IPO-Porto. Sempre fui uma pessoa positiva e, perante esta situação, continuei a ser… O meu lema é “a vida são dois dias e este já passou”… Há que viver a vida!

CF – Como foi entrar pela primeira vez no IPO? Sentiste esperança desde os primeiros tratamentos ou foi algo que ganhaste com o passar dos meses?
HN – Entrar no IPO, no início, foi como entrar num mundo à parte. Ouvia falar dos doentes oncológicos, mas ver, principalmente crianças, naquela casa, “abana” o nosso coração. Mas sim, tive esperança de que tudo ia correr bem.

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LINFOMA DE HODGKIN

Linfoma é um termo genérico para designar os carcinomas que se desenvolvem no sistema linfático. A doença de Hodgkin é um linfoma pouco comum. Os outros carcinomas do sistema linfático denominam-se linfomas não-Hodgkin.

O sistema linfático faz parte do sistema imunitário do organismo, ajudando-o a combater doenças e infeções. Este sistema é constituído por uma rede de finos vasos linfáticos, que se ramificam para chegar a todos os tecidos do corpo. Os vasos linfáticos transportam a linfa, um líquido que contém células para combater as infeções; a estas células dá-se o nome de linfócitos. Ao longo desta rede de vasos existem pequenas dilatações denominadas nódulos linfáticos. Podem encontrar-se aglomerados destes nódulos nas axilas, virilhas, pescoço, tórax e abdómen. Os restantes elementos do sistema linfático são o baço, o timo, as amígdalas e a medula óssea. Podemos também encontrar tecido linfático no estômago, intestinos e pele.

O termo cancro é utilizado para designar um grupo de doenças que tem origem nas células, a unidade básica do organismo. Para compreender a doença de Hodgkin, é útil conhecer as células normais e o que lhes sucede quando se tornam cancerígenas. Normalmente, as células só crescem e se dividem para produzir mais células quando o organismo delas necessita. Este processo ocorre de forma ordenada e ajuda a manter o organismo saudável. Acontece que, por vezes, as células continuam a dividir-se mesmo quando não são necessárias novas células, formando uma massa de tecido. A esta massa dá-se o nome de neoplasia ou tumor. Os tumores podem ser benignos (não cancerígenos) ou malignos (cancerígenos).

Na doença de Hodgkin, as células do sistema linfático tornam-se anómalas e começam a dividir-se e a crescer a um ritmo demasiado rápido e de forma descontrolada e desordenada.

Dado que o tecido linfático está presente em diversas regiões do organismo, a doença de Hodgkin pode ter origem em praticamente qualquer parte. Esta doença pode ocorrer num único nódulo linfático, num grupo de nódulos linfáticos ou ainda noutras partes do sistema linfático, como a medula óssea ou o baço. Este tipo de cancro, quando se dissemina, fá-lo de forma relativamente ordenada: de um grupo de nódulos linfáticos para outro. Por exemplo, se a doença de Hodgkin surgir em nódulos linfáticos do pescoço alastra primeiro para os nódulos situados acima das clavículas e só depois para os nódulos linfáticos debaixo dos braços e no tórax. Por fim, pode disseminar-se para qualquer outra parte do organismo.

(Fonte: Liga Portuguesa Contra o Cancro)

EXAME PET

Uma Tomografia por Emissão de Positrões (PET, do inglês Positron Emission Tomography) é uma técnica de imagem médica recente que utiliza moléculas que incluem um componente radioativo (radionuclídeo).

Quando administradas no corpo humano, estas moléculas permitem detetar e localizar reações bioquímicas associadas a determinadas doenças, sobretudo nas áreas da Oncologia, Cardiologia e Neurologia. O radiofármaco utilizado é um derivado da glicose.

REMISSÃO

Remissão significa uma diminuição ou desaparecimento dos sintomas do cancro após diferentes tipos de tratamentos, como cirurgia ou quimioterapia, sendo que a sua definição pode ser ligeiramente diferente dependendo do tipo de cancro em questão.
Em casos de tumores sólidos, como o linfoma de Hodgkin, a remissão significa que o tamanho do tumor encolheu significativamente ou que desapareceu por completo.