Beldroega: das bermas dos caminhos para o nosso cardápio

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A beldroega apesar de muitas pessoas a considerarem uma erva daninha, outros conhecem-lhe o sabor e as propriedades mais que benéficas para a nossa alimentação. Para quem não sabe, esta despretensiosa planta, é rica em Omega 3, um ácido gordo tão importante para a saúde.
Botanicamente, a herbácea beldroega pertence à família de Portulacaceae e, cientificamente, é conhecida como Portulaca olerácea. É um vegetal originário da região do Médio Oriente (onde já era usada devido as suas propriedades curativas e alimentares, há milênios), atualmente, encontra-se distribuída em todos os continentes. Foi introduzida nos Açores e embora muitos a desconheçam, na gastronomia tradicional portuguesa, surge, em especial, no Alentejo, a beldroega figura nos menus, particularmente, em sopas e saladas, mas a utilização fica muito aquém do seu valor intrínseco.
É considerada por muitos uma erva daninha ou uma planta infestante e, consequentemente, desprezada, mas é saborosa, saudável e disponível gratuitamente. A Beldroega nasce espontaneamente (não costumam ser cultivadas, quando floresce as sementes caem no solo e novas plantas voltam a nascer) é uma planta rasteira que cresce facilmente em todo tipo de solo, não exigindo muita luz nem água, para se desenvolver. Cresce, com sol ou sombra, em solo ruim, pedra, areia, tanto faz, em qualquer canto de muro, fundo de quintal, campo ou baldio e até na calçada essa é facilmente encontrada. A beldroega é dotada de uma elevada riqueza nutricional, constitui uma das maiores fontes vegetais de ácidos gordos omega-3, podendo contribuir, a par de uma alimentação saudável, para um menor risco de doença cardiovascular e aterosclerose. O omega-3 ajuda a diminuir a quantidade de colesterol “mau” e promove um equilíbrio de colesterol saudável, na corrente sanguínea. Além de que, o potássio ali encontrado ajuda a reduzir a pressão sanguínea, devido ao seu comportamento como um vasodilatador, o que significa que relaxa os vasos sanguíneos e reduz a pressão sobre o coração. Estes são só alguns dos seus benefícios, para a saúde.
A beldroega possuí um enorme valor vitamínico e mineral. Em cru são fonte de vitamina C (21,0mg/100g), potássio (494mg/100g) e magnésio (68,0mg/100g), apresentando, também, valores interessantes de ferro (2,0mg/100g). Caso seja consumida cozida, constitui uma fonte de potássio (488mg/100g) e magnésio (67,0mg/100g), fornecendo, ainda, vitaminas A (93µg/100g) e C (10,5mg/100g). Estas substâncias ajudam a manter o coração saudável e fortalecem o sistema imunitário além de ser diurética, laxante e anti-inflamatória. As folhas da beldroega têm mais ômega 3 do que alguns óleos de peixe. A beldroega é também um bom alimento anticancerígeno pois tem quantidades significativas de vitamina C e A, ambas funcionam como antioxidantes, para prevenir certos tipos de cancro. A folha verde tem poucas calorias (apenas 16 kcal por 100g) e é rica em fibras e nutrientes ajudando na perda de peso e a manter uma dieta mais completa.
Para identificar esta planta ela é rasteira, os caules ramificam-se e a planta cresce até 12-15 cm de altura, rastejando pelo chão. Apresenta folhas pequenas, viçosas e suculentas, podendo os caules, as folhas e as flores ser consumidos crus ou cozinhados. As folhas parecem de espessura carnudas, ovais de um verde brilhante, contém substância mucilaginosa (gomosa), e tem um sabor levemente azedo e salgado. Tem pequenas flores amarelas e as sementes da beldroega são utilizadas como pó de chá preto, e também para fazer algumas bebidas à base de plantas. Existem variedades de beldroega com variação no tamanho e espessura da folha e disposição e distribuição do pigmento.
Para quem quer apanhá-la pelos campos, uma boa alternativa e gratuita, fica aqui o aviso, para esta planta, como para outras, devemos ter o máximo cuidado na recolha. Deve evitar-se, sobretudo, as bermas dos caminhos e escolham locais que vos pareçam improváveis para a aplicação de herbicidas. Estes locais, infelizmente, começam a rarear devido ao uso generalizado e exagerado dos herbicidas…
Procure as beldroegas escolhendo as que apresentem folhas e caules verdes e viçosos e conserve-as, no frigorífico, por um período máximo de 3 dias.
Por ser rica em ácido oxálico, a beldroega deve ser evitada por pessoas que têm ou que já tiveram pedras nos rins, e o seu consumo excessivo pode causar problemas intestinais, como dores e enjoos.
Nem todos descobriram as maravilhas culinárias da beldroega e muitos a desprezam, injustamente, mas devemos recuperar o seu uso tradicional quase perdido, alimentar e medicinal.

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