Ou seja a estória do lobo mau. Modificada. O lobo mau comeu a avózinha mas o caçador salvou-a, tirando-a inteirinha e vivinha da costa, da barriga dele. O que não aconteceu aos acionistas, depositantes e empregados do BES. Continuam na barriga do infeliz e que se lixem! Agora pergunta-se: Quem foi o lobo mau? O BES mau, só pode. E o que se poderá esperar do BES bom? Será que terá capacidade de salvar as avózinhas todas que confiaram no antecessor ? Ou será que se tornará tão responsável quanto Busch foi pela queda da ponte de Mineápolis?
Esta estória que não história foi feita para adultos. Mas nem todos os adultos a entendem, feito eu. Está muito mal contada. Integra muitos lobos maus, que se escondem atrás uns dos outros. Engolindo milhares senão milhões de avózinhas que confiaram neles, julgando-os netinhos queridos e amigos. E que, no momento agonizam, esperando um caçador que os venha salvar.
E, leiga que sou no assunto, só entendo que o BES mau, BES bom, ou lá o raio que seja de BES, bem como todos aqueles envolvidos no esquema e os responsáveis por resolvê-lo, estão em estado de letargia, como não se sentindo responsáveis pelas consequências do que sucedeu e vai suceder… Aberto está mais um caminho para a destruição do homem e do país e assim sendo o alvo de todo o tipo de desrespeito.
Últimamente à tona tem vindo as coisas mais incríveis e desagradáveis. A maldição parece ter saído diretamente da caixa de Pandora. Quem dera essa caixa guardasse a legalidade, a moralidade, o respeito. E que essas virtudes pousassem sobre nós!
Mas não. É muito difícil assistir de camarote à destruição dum povo. Estamos no meio dum incendio fenomenal que se ramifica por tudo que é lado, por todas as formas possíveis e imaginárias e não há como extinguir. A força humana não tem capacidade.
E é complicado assistir continuamente a acontecimentos nefastos, à completa destruição dum país, que ontem foi e hoje já nem sombras. Somos um país de humilhados e ofendidos sob um vendaval de mentiras políticas, crimes sem castigo, violência, traição, terror, enfim! O governo parece acuado, não parece ter saída confortável e passa-nos a imagem de aguardar o cansaço dos adversários e o silêncio dos correligionários.
Para termos um pouco de paz, tentamos pegar o garimpo quotidiano de lembranças e imagens. Nossas e d´outros, a sucata de vidas que sentimos necessidade de olhar, ver, tocar… e que não é possível.
E enquanto os lobos maus vão digerindo avózinhas, esperamos um caçador enérgico, sério, justo, que salve. Mas esse caçador não existe mais. Uma pulseirita eletrónica para inglês ver, para contar, para atenuar as más disposições e tudo como dantes, no tal castelo de Abrantes!
Assim sendo o povo português continua navegando num mar de miséria, mentiras, falsidades… O que restava de sinceridade, honestidade, perdeu o prazo de validade. E morreu de “morte matada”
Antigamente aprendia-se a não ser acomodado demais. A pegar o touro pelos cornos. Aprendia-se a viver a vida não como um copo que se esvazia mas como uma garrafa que se renova. Agora, aprender coisas dessas, para quê? Os touros são mais que muitos. Não há como. A água esgotou-se. Sobrou a porcaria do copo. Quem tiver sede terá que procurar nascente noutro país. Este já nem está entregue à bicharada. Porque o bicho maior está atento para debelar. Um mais perigoso do que outro.
O que mais me dói são as crianças e os jovens. Nos olhos deles, naquelas pupilas brilhantes vejo os sonhos. Os sonhos dos meninos que fomos um dia. A infância de céus despedurados, de crepúsculos e ambições, muitas ambições.
E fico pensando que eles possìvelmente não poderão concretizar isso. Muitos serão os sonhos desfeitos. Porque a vida foi madrasta. Terão de viver de malas prontas, admitindo que os sonhos se perderam em qualquer curva da estrada, engolidos pelos lobos maus da vida. Aí o eufemismo para a certeza!
Alguém, amigo meu, comentou dia destes que estávamos quase beirando outra guerra mundial. Admi-rei-me, porque a pessoa em causa sendo culta, inteligente não se deu conta que essa guerra já se iniciou há muito. Estamos nela metidos até à raiz dos cabelos. Ah, glu-glu-glu… Afundámos!











