Na próxima 2ª feira, comemora-se o 37º aniversário da Revolução dos Cravos, que restituiu a liberdade e a democracia a Portugal.
Lembro-me do dia 25 de Abril de 1974 como se fosse hoje, em que, à tardinha, à saída das aulas do meu 6º ano, já se falava à boca cheia da revolução…, e dos dias, semanas e meses que se lhe seguiram, com manifestações, sessões de esclarecimento, RGA (Reunião Geral de Alunos), as primeiras greves…
Portugal deixou de ser um pais fascista e excluído da diplomacia internacional, para passar a fazer parte da… Europa!
Portugal passou a ser um pais respeitado, com constituição, onde os direitos do homem e da criança passaram a fazer parte da nossa cultura, da igualdade de género, e muitas conquistas foram sendo adquiridas, num processo gradual e onde as instituições democráticas foram sendo criadas e ajustadas, ao longo dos vários e sucessivos actos eleitorais.
Portugal consolidava a sua democracia, e superava os altos e baixos, próprios de uma criança que dava os primeiros passos, apesar das várias rasteiras que foram surgindo, fruto daqueles que sempre pensaram e agiram em função do seu bolso, e não do bem comum.
Com o passar dos anos, o espírito revolucionário passou à história, ao rol dos esquecidos, pelo menos para aqueles que conduziram, mais uma vez (sim, porque esta já é a terceira vez… ) o país à bancarrota, necessitando novamente de ajuda externa.
Curiosamente, todas as vezes que o FMI veio a Portugal foi na sequência de falsas e insustentáveis politicas de esquerda, competindo às força de centro-direita voltarem a encher os cofres do estado.
No Governo há 6 anos, o Partido Socialista ignorou todos os sinais de alerta e os gritos de revolta que foram emitidos pelos mais variados quadrantes da sociedade portuguesa.
QUE PARVA QUE SOU…
Os Deolinda apresentam a canção “Que parva que sou”, um primeiro alerta para a frustração de milhares de jovens que foram incentivados a licenciarem-se, mas para os quais não foram criadas as necessárias oportunidades de trabalho.
COELHO AO POLEIRO
José Manuel Coelho candidatou-se à Presidência da República, e obteve alguma simpatia do povo português, que se identificou com a sua candidatura, que teve como carro de apoio um carro funerário.
A 23 de Janeiro de 2011 obteve 187 836 votos – 4.52% dos votos expressos, que representou um “não voto” e uma forma de chacota para com os candidatos oficiais apoiados pelos partidos políticos, a exemplo do “Palhaço Tiririca” eleito deputado federal no Brasil com mais de um milhão de votos, cujo lema da campanha foi apenas “Pior que tá não fica”.
Trata-se de uma clara intenção de voto do povo que, desencantado com o desempenho dos “políticos partidários”, e na impossibilidade de lutar contra a sua contínua mentira, corrupção e enriquecimento ilícito, apoiam o candidato mais básico, mais cómico, e mais incómodo para com aqueles que insistem em ignorar o sentido de voto do povo.
EUROVISÃO
Os Homens da Luta venceram a 47ª edição do Festival da Canção com “A Luta é Alegria” perante a estupefacção geral do júri e dos espectadores presentes, que viram o seu “trabalho sério” ir por água abaixo, perante a votação popular, que mais uma vez privilegiou o cómico e o absurdo, em detrimento da qualidade e seriedade, contra tudo e contra todos.
Ir a DusseIldorf, na Alemana de Merkel, representar Portugal com este “espectáculo”, que, queiramos quer não, representa a escolha livre e democ´rativa do povo português será um “incómodo”, cuja (in)digestão ainda se está para ver…
ABSTENÇÃO
O Apelo à Abstenção tem vindo a crescer, quer nas redes sociais, quer por algumas figuras públicas nacionais.
Agora, é o próprio Bastonário da Ordem dos Advogados – o controverso Marinho Pinho, que apela à “Greve à Democracia”, apelando à abstenção nas próximas eleições Legislativas de 5 de Junho, como forma de “envergonhar” os políticos portugueses, punindo-os face à sua mediocridade, oportunismo e incompetência.
ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL
Otelo Saraiva de Carvalho, um dos capitães de Abril, que afirma que, se soubesse o que sabe hoje, não teria feito o 25 de Abril, e teria emigrado ou, seguido o conselho de um tio que lhe disse: “Ó pá, tu sai mas é da tropa, e abre uma loja de ferragens”.
Apressadamente, o Presidente da Associação 25 de Abril – Vasco Lourenço contra-atacou e acusou Otelo de “confundir efectivamente” as motivações e os objectivos da revolução.
FOME
Alexandre Soares dos Santos, líder do Grupo Jerónimo Martins, teme uma convulsão social, consequência da fome que se verifica em Portugal e para a qual o actual Governo revela uma grande insensibilidade.
Lamenta que exista hoje uma geração de políticos para a qual a irresponsabilidade, a incúria e a mentira são os principais elementos, e que estão a dar cabo de um maravilhoso pais que era o nosso pais.
CARDEAL PATRIARCA
Face ao estado em que o pais se encontra, com uma crescente crise de valores, com a crescente desigualdade social, com a fome e a miséria que se vive em Portugal, D. José Policarpo manifestou desencanto pela incapacidade dos políticos portugueses com responsabilidades governativas em conduzirem Portugal para uma vida melhor e mais justa.
DES(RESPEITO)
Os exemplos são fartos, daqueles que desrespeitam o espírito de Abril, todos os dias.
Foram e continuam a ser inúmeros os sinais de alerta e de contestação, ignorados pelo Governo Demissionário de Portugal, que da desgraça portuguesa fez a festa de um Congresso que virou Comício Eleitoral, à boa maneira dos Talk Shows das televisões.
Saiba o povo português distinguir o trigo do joio, a mentira da verdade.
Saiba o povo português reinventar o 25 de Abril, e defender os princípios e os objectivos que estiveram na génese da Revolução dos Cravos.
Saiba o povo português escolher aqueles que governam e não se governam, aqueles que lutam e defendem uma sociedade mais justa para todos… e não só para alguns.
E então…, voltaremos a ter condições de respeitar e comemorar o 25 de Abril de 1974.
Viva Portugal!
Contributos, para











