Bico Doce: 30 anos de trabalho, orgulho e dedicação

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bico doce humberto

Humberto Goulart foi precoce em tudo. Casou, foi pai e começou um negócio ainda muito novo. No início as coisas não foram fáceis. Quando casou foi viver com a sua esposa e filho no sótão da casa de um familiar. Nessa altura era taxista e a sua mulher trabalhava num pequeno café.

Foi operador de grua na construção da muralha do porto e da marina da Horta.
Em criança, nas férias, ajudava numa pequena padaria familiar em Castelo Branco, mas do processo de fazer pão nada sabia. Eventualmente surgiu a oportunidade de investir no negócio da panificação que hoje é o seu sustento.

Foram muitas noites sem dormir, dores de cabeça, preocupações, mas a sua
persistência e o orgulho próprio levaram-no a nunca desistir. Recorda que muitas vezes a esposa lhe dizia: “eu bem que avisei que isto não ia dar certo”.

Ao fim de 30 anos o negócio prospera. A Humberto Goulart juntaram-se agora os dois filhos, Hugo e Marco.  O Tribuna das Ilhas falou com o fundador do Bico Doce (BD), a propósito da data.

Tribuna das Ilhas (TI) – O BD está a celebrar 30 anos. Como funciona atualmente a empresa?
Humberto Goulart (HG) – O BD iniciou a sua atividade como uma empresa familiar criada por mim e pela minha esposa. Na altura havia espaço porque no mercado só existiam a Padaria Operária e a padaria do Marbraz, de apoio ao supermercado. Havia uma carência ao nível da distribuição de pão. Foi daí que surgiu a ideia de fazer uma padaria.
Em rapaz, nas férias na localidade onde temos o nosso negócio, havia uma padaria antiga que era do senhor Manuel Dutra. Eu ia para lá trabalhar. Ficou então o bichinho da padaria desde rapaz.
Entretanto a minha vida profissional derivou para outras profissões, que não tinham nada a ver com a padaria. Quando surgiu a oportunidade de abrir o negócio esta era uma área que não dominava, mas eu e a minha esposa lá decidimos avançar .

TI- Tem dois filhos, um deles que está encarregado da padaria. Acha que vão dar continuidade ao negócio?
HG – Esta geração dos meus filhos, do Marco e do Hugo é mais preparada, mais formada, coisa que não tive. Tenho a quarta classe e a minha esposa também. Acredito que a formação das pessoas ajuda a criar novas oportunidades, a superar algumas dificuldades e a resolver algumas situações que eu tinha imensa dificuldade, e que ainda hoje tenho em resolver. Eles vão conseguir fazer melhor.
É uma atividade muito difícil. Trabalha-se os sete dias da semana, dia e noite. Para as pessoas formadas e para os jovens que estão mais preparados do que eu inicialmente, é mais fácil.
Há uma geração que cria, que forma o negócio e outras gerações que dão continuidade ou não: nem todas as pessoas estão preparadas. O Marco e Hugo estão a gostar, esperamos que continuem. Começaram com cerca de 10 anos, na padaria, durante as férias. Aprenderam tudo o que sabem ao meu lado e da minha esposa.

TI -Nos tempos em que esteve à frente da padaria o que vendia mais?
HG – Inicialmente só vendia pão. Começou só com o papo seco, o pão de 1/2kg, o pão de 250g, o papo seco integral e o pão de forma. Era pouca variedade. Inicialmente vendia-se mais quantidade, mas a variedade era muito pouca.

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