Bloco defende implementação urgente de medidas nos Açores para compensar enorme perda de poder de compra

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O Bloco de Esquerda considera que é urgente implementar medidas para compensar a enorme perda de poder de compra devido ao aumento da inflação. A resolução aprovada na reunião da Comissão Coordenadora Regional do partido, realizada este fim-de-semana, critica a falta de ação do Governo Regional, que ainda não implementou as medidas aprovadas no parlamento por proposta do Bloco – aumento da remuneração complementar, aumento do complemento ao abono de família, aumento do complemento de pensão e regulação de preços –, e avança com uma medida adicional: o aumento do complemento regional ao salário mínimo para 7,5%.

O aumento da inflação tem levado a um aumento incomportável do custo de vida na região, por isso é fundamental implementar medidas concretas para responder a este problema que as famílias enfrentam.

É necessário aumentar todos os salários, como o Bloco de Esquerda tem defendido na Assembleia da República, e o aumento do complemento regional ao salário mínimo pretende também dar este sinal à economia e ao sector privado.

O Bloco de Esquerda lamenta que, até à data, o Governo Regional nada tenha feito para cumprir o que foi aprovado por unanimidade no parlamento dos Açores por iniciativa do Bloco, preferindo deixar o mercado funcionar sem sequer tentar impedir a especulação de preços.

Recorde-se que a proposta aprovada no parlamento no passado mês de maio, previa o estabelecimento de margens máximas de comercialização em bens essenciais, bem como a compensação da perda do poder de compra através da remuneração complementar aos funcionários públicos com salários mais baixos e a atualização de apoios sociais regionais.

O Bloco exige que o Governo Regional cumpra o que o parlamento deliberou e vai questionar o executivo sobre a sua implementação.

Sobre a situação política regional, a resolução aprovada na reunião da direção regional do Bloco de Esquerda assinala que o Governo Regional, que “iniciou funções sob o signo da transparência e da mudança na forma de governar”, afunda-se cada vez mais em situações de opacidade e falta de transparência, como o abuso na nomeação de ‘boys’ para cargos técnicos, que a direita tanto criticava, e prática inaceitável de um membro do governo deter uma empresa que tem negócios com o próprio governo, que o Bloco considera ter sido “a gota de água”.

Tudo isto acontece com a bênção do presidente do Governo Regional, que considera que os negócios da empresa de um membro do governo com o próprio governo, no valor global de 460 mil euros, não ferem a ética. Os partidos da coligação e o IL limitam-se a um silêncio cúmplice e o Chega a uma desculpabilização ridícula.

“O Bloco é a oposição mais eficaz a um governo que de transparente nada tem. É o Bloco quem mais tem criticado e denunciado a opacidade e a promiscuidade da atuação do governo regional e dos seus parceiros parlamentares”, lê-se na resolução política aprovada.