Bloco propõe medidas para darem resposta ao aumento do custo de vida: aumentar rendimentos e regular preços

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Perante o aumento da inflação e do custo de vida, o Bloco de Esquerda vai levar ao parlamento dos Açores uma proposta que recomenda ao Governo Regional o aumento de rendimentos na função pública – que dá também um sinal para aumentos no sector privado – e a regulação de preços de bens essenciais, sempre que for necessário para conter a escalada de preços.

“Estas são medidas simples, mas absolutamente necessárias e urgentes”, disse António Lima na apresentação da proposta que pretende fazer face ao aumento do custo de vida provocado pela inflação decorrente da guerra na Ucrânia.

O Bloco propõe uma atualização do valor da remuneração complementar em percentagem que permita a compensação total da perda do poder de compra decorrente da inflação prevista para o corrente ano para, pelo menos, os trabalhadores beneficiários dos dois primeiros escalões.

Esta medida permite, “no imediato, proteger o poder de compra desses trabalhadores, dando assim também um forte sinal ao setor privado no sentido de efetuarem aumentos salariais ainda no decorrer deste ano de 2022”, explicou o deputado do Bloco de Esquerda.

“A região enquanto entidade patronal tem de dar o exemplo de que os trabalhadores não podem
ficar mais pobres com a crise”, acrescentou.

António Lima assinala que “o Governo da República pretende que sejam os trabalhadores a pagar a crise, propondo um aumento salarial irrisório de 0,9% para os trabalhadores da administração pública”, e frisa que “nos Açores a autonomia tem de servir para fazer diferente”.

Tendo em conta que, na República, o PSD já considerou que os aumentos salariais na função pública são irrisórios e que isto significa “um regresso encapotado da austeridade pela previsível perde de rendimentos nos salários”, António Lima considera que esta proposta do Bloco de Esquerda é uma oportunidade para que o PSD e os partidos da coligação apliquem, nos Açores, aquilo que defendem no continente.

“Se o PSD e a coligação recusarem estas propostas estarão a fazer exatamente o mesmo
que criticam no governo de António Costa: a imposição de perdas salariais aos trabalhadores,
a austeridade de que fala o PSD”, explicou o líder do Bloco.

A proposta do Bloco, apresentada hoje, propõe ainda que o governo regional defina, quando estritamente necessário, margens máximas de venda de bens alimentares e de primeira necessidade com vista a conter a escalada da inflação.

“A escassez de alguns produtos nos mercados exige medidas precaucionárias que evitem aumentos de preços injustificados e por isso especulativos de bens essenciais e de
primeira necessidade”, explicou António Lima, que deu mesmo o exemplo daquilo que foi feito durante a pandemia para impedir a especulação em diversos produtos de proteção individual e de desinfeção”.