O balanço da última edição do Encontro do Mundo Rural deu o mote a uma conversa com o presidente da Associação de Agricultores da Ilha do Faial (AAIF) sobre a saúde do sector agrícola faialense. António Ávila falou ao Tribuna das Ilhas dos desafios no sector do leite e da carne e da aposta na diversificação agrícola.
Apesar do mau tempo que marcou o último Encontro do Mundo Rural, que decorreu no passado fim-de-semana, na Quinta de São Lourenço, os agricultores fazem um balanço positivo do certame.
De acordo com António Ávila, as exposições de gado bovino contaram com um aumento de cerca de 40 animais em relação ao ano passado. Para além das raças de leite, do Ramo Grande e de animais cruzados, que somaram 97 animais, a organização decidiu este ano criar um espaço para as raças puras, onde marcaram presença 40 animais, das raças Limousine, Angus, Charolesa e Fleckvieh (Simmental). Segundo o presidente da AAIF, a introdução das raças puras no certame vem no seguimento do “grande investimento” que os produtores têm feito nestes animais, sobretudo no que diz respeito à raça Limusine, que actualmente reúne o maior número de exemplares puros na ilha.
As condições meteorológicas tornaram a vida da organização “muito difícil”, bem como a dos produtores, pois a preparação dos animais para os concursos foi mais complicada. “Todo o programa se concretizou mas não tivemos a adesão esperada”, explica António Ávila, apesar de se congratular com o facto dos produtores terem comparecido em força. Apesar da chuva ter afectado a componente social da festa, a “elevada qualidade dos animais expostos” é, por si só, sinal de que o Encontro foi positivo.
Faial exporta 5 mil animais por ano no sector da carne
António Ávila reconhece que, actualmente, há “uma aposta enorme” no sector da carne, especialmente no que diz respeito às raças puras. O facto dos apoios à importação actualmente se destinarem apenas aos animais de excelência dentro das raças puras tem contribuído para que os produtores procurem valorizar as suas explorações nessa área, trazendo animais de grande qualidade genética.
O sinal de qualidade da carne faialense é importante, pois a grande maioria é exportada. Anualmente, saem do Faial 5 mil animais, enquanto que apenas mil se destinam ao consumo local. Nesse sentido, António Ávila está satisfeito com um cenário de estabilização da produção em termos de quantidade mas incremento na qualidade. A importação de animais é, entende, um bom contributo para este cenário, assim como a inseminação artificial.
Emparcelamento e aumento do preço pago ao produtor para dinamizar sector leiteiro
Ávila reconhece que muitos produtores de leite optaram por passar a produzir carne, no entanto entende que desta equação não se pode tirar a conclusão de que o sector da carne é mais relevante para a nossa economia que o do leite. Para o líder dos agricultores, são áreas de acção muito diferentes: “a carne tem muito mais produtores, mas na sua maioria com pequenas explorações. Já as pequenas explorações de leite têm tendência a desaparecer, para ficarmos com explorações de pequena e média exploração”, explica.
Segundo explica o presidente da AAIF, a existência de explorações com parcelas de terreno pequenas e dispersas é mais propícia à produção de carne do que de leite. A dispersão das pastagens e o facto destas serem pequenas e não permitirem concentrar todos os animais no mesmo local dificulta o maneio da exploração e a ordenha. Por isso, António Ávila entende que a solução para o sector do leite passa pelo emparcelamento, para que se criem mais explorações de média e grande dimensão. “Neste momento é preciso agilizar o processo burocrático a nível de compra e troca de terras. Não é pensável a legalização de um terreno ser mais cara do que o próprio terreno”, alerta.
Para Ávila, é importante também aumentar o preço pago por litro ao produtor.
Diversificação agrícola planeada para conquistar mercado local
No que diz respeito à floricultura, com destaque para a produção de próteas, António Ávila destaca o crescimento dos últimos seis anos, com “um aumento significativo na produção que ainda não se reflectiu em números porque existem muitas áreas que agora é que vão começar a produzir”. Em 2012 foram exportadas 159 mil hastes de flores, que permitiram rendimentos de 48 mil euros, números que deixam a AAIF satisfeita.
Quanto à horticultura, António Ávila está satisfeito com o surgimento de novos produtores. No entanto, deixa um alerta: “o meu receio é que se não houver coordenação e planificação nas produções nós tenhamos determinados produtos em excesso e falta de outros”. Nesse sentido, explica que o objectivo da AAIF passa por “juntar as pessoas e planificar a produção” para satisfazer as necessidades de consumo na ilha em todos os produtos.
A Central Hortofrutícola e Florícola do Faial, cujo projecto foi recentemente apresentado, será, de acordo com Ávila, um importante contributo para a comercialização, no que diz respeito à embalagem e apresentação dos produtos. Apesar do financiamento da Central “não estar a 100% garantido”, o líder dos agricultores está optimista, até porque, como frisa, “há empenho do Governo Regional”. “A nossa intenção é adjudicar a obra o mais depressa possível”, explica, revelando que neste momento o projecto aguarda aprovação na Câmara Municipal da Horta e foram já pedidos alguns orçamentos.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 22.06.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário











