Branco, mais claro não há!

0
20
TI

TI

Tendo ocorrido na semana passada a discussão do Plano e Orçamento da Região Autónoma dos Açores para 2018 (PO), era inevitável fazer aqui uma breve síntese.

Devo começar pelo facto de o Faial ter actualmente no plenário 5 deputados que concorreram ao circulo eleitoral desta ilha, tendo 4 sido eleitos directamente. Temos assim 2 no partido do governo e 3 na oposição.
Após uma intervenção da minha parte em que abordei os sucessivos projectos adiados e outros simplesmente esquecidos – tão esquecidos que desapareceram dos manifestos eleitorais e dos sucessivos PO – o Deputado Tiago Branco decide intervir, acusando-me de estar a “puxar o Faial para baixo” (sic) ao relembrar o que ainda não foi feito. Por contraponto disse que no Faial há imenso investimento da parte do governo, e que reclamamos sem razão, portanto.
Deve ser caso inédito nesta casa, um deputado levantar-se para tentar rebater a intervenção de um outro deputado da mesma ilha, fazendo o role de investimentos em curso no município. Conseguiu fazê-lo em menos de um minuto e meio, o que para qualquer outro, de outra ilha, teria demorado um plenário inteiro…
O senhor deputado Tiago Branco regozija-se com os metros cúbicos de cimento, que esses sim, pelo peso, poderão puxar o Faial para baixo. Já a mim, preocupa-me a saúde, o emprego e a economia da ilha.
Na saúde, e para lá do betão, diz que estamos muito bem porque o Hospital da Horta recebeu um galardão. O galardão em causa é atribuído ao desempenho na evolução dos indicadores clínicos. Sem qualquer desprestigio para o dito, o que isto quer dizer é: primeiro, que não havia anteriormente uma sistematização dos indicadores, e segundo, que estávamos num patamar baixo e efectivamente, houve uma melhoria significativa. Mas o que eu gostava mesmo de saber é: para quando os cuidados paliativos no Faial? Isto não o preocupa? É puxar o Faial para baixo? Para quando a efectivação do Sistema de Atribuição de Produtos de Apoio? Isto não preocupa o PS Faial?
Na Escola do Mar, que cursos vai esta ter, e quantos serão ministrados na Horta? Sabe, interessa-lhe ou basta-lhe o betão?
Quando é que vamos ter empresas a fixar-se nesta ilha, ao invés de os poucos empreendedores locais serem aliciados, até pelo próprio governo, a deslocalizarem-se para outras?
A 2ª fase do reordenamento do porto da Horta. O que interessa é garantir que se vão cá gastar os 14 milhões de euros, já o facto de ser assumido que esta 3ª solução apresentada introduz agitação marítima na marina, isso importa menos. Mas pergunto-lhe mais, finalizado o cimento, quantos novos postos de trabalho qualificado serão criados?
Relativamente ao IMAR – para lá de demonstrar um profundo desconhecimento do assunto, que se mede desde logo por afirmar em plenário que a sua sede é na Horta quando é em Coimbra – efectivamente ainda falou nas pessoas… Na verdade, o mais premente neste momento é a situação das pessoas que receberam as cartas de despedimento, mas não menos importante é também o facto de estas pessoas terem sido e serem fundamentais para a colheita e análise de dados que dão o apoio à decisão, seja nas instâncias locais ou mesmo nas europeias. O Secretário Regional Gui Menezes, quando confrontado, ainda me respondeu que teria um plano B para o caso de o IMAR não dar resposta aos contratos-programa avançados para 2018. Não dispondo a minha bancada de muito tempo para intervenções, ainda julguei que iria ouvir o empenhado deputado do PS a tentar esclarecer que plano B seria esse. Qual quê, ficou sossegadinho!
Em abono da verdade, o Deputado Tiago Branco não foi a única voz do silêncio Faialense. Também a Deputada Ana Luís, com o desconto de estar na cadeira da presidência da ALRAA, não se manifestou, e tem ainda a benesse de não ter que se levantar para votar. Porque o facto de os deputados terem que se levantar para votar contra ou absterem-se não deixa de ser interessante, e aí fiquei sem perceber se o Deputado Tiago Branco achava que ao levantar-se estava a “puxar o Faial para cima”. Se não, vejamos as propostas e o seu sentido de voto:
– Construção de um CAO para a APADIF – contra!
– Repavimentação da estrada do Cabouco/Ribeira Funda – contra!
– Pousada da Juventude na Horta (uma proposta que em 1996 tinha verbas no PO para conclusão do projecto) – contra!
Mas não falo só destas propostas do CDS, também o PSD apresentou uma proposta de reforço de verba para a construção do novo quartel dos Bombeiros Voluntários do Faial. Esta até tinha merecido a concordância do Deputado Tiago Branco no Conselho de Ilha, órgão no qual participa embora sem direito a voto, mas que este Novo Ciclo de Pensamento Único do PS o levou a mais uma vez levantar-se contra o Faial!
Na verdade, são desconhecidas quaisquer opiniões deste deputado acerca dos assuntos da ilha. Não dá entrevistas, não publica opiniões, e quando visita entidades é para sair de lá a dizer que estes estão de acordo com as politicas do PS!
Depois desta votação, para mim, a sua postura relativamente a interesses não podia ter sido mais clara. 

04.12.2017

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO