Cem artigos de divulgação no Tribuna das Ilhas

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A verdade é que o tempo é um corredor veloz. Este é já o centésimo artigo de divulgação que escrevo para o Tribuna das Ilhas!
O primeiro artigo de divulgação foi publicado a 22 de junho de 2012 e intitulava-se “Matemática: a ciência dos padrões”. Foi o tema ideal para marcar o arranque da minha colaboração com o Tribuna das Ilhas, uma vez que esta é uma das características centrais que estrutura todo o edifício matemático: a procura incessante por padrões.
Há alguns anos a esta parte, esta é a definição de Matemática que continua a reunir maior consenso entre os matemáticos. E que tipo de padrões se podem estudar? Todo o tipo de padrões! Segundo Adrián Paenza, autor do livro Matemática… estás aí?, publicado em 2008 pelas Edições Dom Quixote, “estes padrões tanto podem ser reais como imaginários, visuais ou mentais, estáticos ou dinâmicos, qualitativos ou quantitativos, puramente utilitários ou não. Podem emergir do mundo que nos rodeia, das profundidades do espaço e do tempo ou dos debates internos da mente”.
Em Os números da Natureza, publicação da Rocco datada de 2003, Ian Stewart defende que “a mente e a cultura humanas desenvolveram um sistema formal de pensamento para recolher, classificar e explorar padrões. Chamamos-lhe ‘matemática’. Usando a matemática para organizar e sistematizar as nossas ideias sobre padrões, descobrimos um grande segredo: os padrões da natureza não se encontram lá apenas para serem admirados, são pistas vitais para as regras que governam os processos naturais”.
A compreensão de muitas regularidades da Natureza está atualmente a ser usada ao serviço do desenvolvimento da nossa civilização. Mais importante ainda, está a oferecer-nos uma visão profunda do universo em que vivemos e do lugar que nele devemos ocupar. E tudo isso com a ajuda da matemática!
Ao longo dos últimos quatro anos, muitos foram os temas analisados em que foi possível mostrar algumas das ferramentas matemáticas utilizadas na descoberta de padrões. Um tema forte foi o estudo das simetrias das calçadas, das varandas e de diferentes formas de artesanato. O primeiro artigo publicado sobre esta temática data de 22 de março de 2013 e intitulou-se “Por entre calçadas e espelhos: à descoberta de simetrias”. Em todas as culturas do mundo, incluindo as que remontam aos tempos pré-históricos, o ser humano desenvolveu uma compreensão intuitiva do conceito de simetria, interpretando-a como uma harmonia das proporções. Templos, túmulos e outras estruturas foram muitas vezes concebidas com particular atenção a questões relacionadas com simetria, harmonia e equilíbrio. A inspiração veio da observação daquilo que nos rodeia. O arco circular de um arco-íris e a beleza hexagonal que encontramos nos cristais de gelo são manifestações da simetria resultante dos processos físicos do Universo. Já as conchas de muitos moluscos e a cauda exuberante de um pavão são exemplos de simetria biológica.
Nas edições publicadas a 14 e 28 de junho de 2013 foram distribuídos roteiros das simetrias das calçadas da cidade da Horta (disponíveis em formato PDF em http://sites.uac.pt/rteixeira/divulgacao). No que ao artesanato diz respeito, entre 2013 e 2016, tive o prazer de apreciar bonitas peças de artesanato de muitas artesãs faialenses. Destaco a arte de recortar papel da Dona Maria de Lourdes Pereira (artigo publicado a 31 de maio de 2013), as rendas tradicionais da Dona Ana Baptista (artigos publicados a 29 de agosto e 12 de setembro de 2014), os bordados de palha de trigo sobre tule da Dona Isaura Rodrigues (artigos publicados a 20 de fevereiro e 6 de março de 2015) e os bordados de crivo da Dona Salomé Vieira (artigos publicados a 11 e 25 de março de 2016). Os trabalhos destas quatro artesãs foram o tema da comunicação “Arte com Matemática: Uma análise dos padrões do artesanato faialense”, inserida nas celebrações do aniversário da freguesia Matriz, no passado dia 8 de março de 2016.
Outros temas também marcaram presença constante no Tribuna das Ilhas. Entre eles destacam-se os números de identificação com algarismo de controlo (os códigos de barras, os números de série das notas de Euro, os números de identificação do cartão de cidadão, entre outros) e os padrões numéricos associados à sucessão de Fibonacci e ao número de ouro. No contexto da matemática recreativa, exploraram-se as propriedades de vários quadrados mágicos (artigos publicados a 21 de novembro de 2014, 23 de janeiro de 2015, 6 de fevereiro de 2015, 2 de abril de 2015 e 17 de abril de 2015) e de circunferências mágicas (artigo publicado a 12 de fevereiro de 2016). Vimos como podemos poupar papel nos embrulhos de Natal (artigo publicado a 19 de dezembro de 2014) e que procedimento devemos adotar de modo a manter um bolo sempre fresco (artigo publicado a 9 de janeiro de 2015). Exploraram-se ainda várias curiosidades numéricas associadas a alguns números, como sejam o 7, o 11, o 13, o 17, o 23 e o 666 (artigos publicados a 28 de março de 2014, 11 e 24 de abril de 2014, 9 de maio de 2014, 13 e 20 de junho de 2014). Dedicamos também alguns artigos a aspetos relevantes do ensino da Matemática e à divulgação de alguns eventos.
Termino agradecendo à equipa do Tribuna das Ilhas a oportunidade de publicar artigos de divulgação da matemática. E, claro, não esqueço o mais importante. Aos leitores atentos desta rubrica, o meu muito obrigado!
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade dos Açores, ricardo.ec.teixeira@uac.pt

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