CGTP-IN Açores continua a apresentar soluções para o combate à pobreza e exclusão social nos açores

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A CGTP-IN Açores manifesta a sua satisfação pela reunião que decorreu na passada quarta-feira, dia 14 de abril, da Comissão Permanente de Concertação Social. Congratulamo-nos por esta reunião considerando que esta hipótese foi levantada na apresentação do Caderno
Reivindicativo dos Trabalhadores açorianos para 2021 quando debatido o Plano de
Combate à Precariedade Açoriana.
É da opinião da CGTP que tem de existir uma célere solução para o estado grave que se
encontram os trabalhadores açorianos. Afirmar que quase 32% dos açorianos vive com
rendimentos monetários líquidos inferiores a 500 euros por mês e que a média do país,
segundo o Instituto Nacional de Estatística, está nos 17,2% é apenas constatar aquilo que
sobejamente tem sido divulgado pela comunicação social. Citamos algumas palavras do
Professor Fernando Diogo:”Olhar para a Região Autónoma dos Açores através de
estatísticas ao invés das brochuras interativas da Direção Regional do Turismo, é ver um
mundo distinto. Vêem-se os pastos verdejantes como sinónimo da sobredependência do
setor primário. Repara-se nas fotos das crianças que se banham no mar, e paira no ar a
taxa de abandono precoce da educação mais elevada do país. As pitorescas habitações
rurais passam a ter as vistas pintadas por uma taxa de risco de pobreza de 31,8%.”
É este cenário cativante para os turistas, mas assustador para quem vive nos açores que a
CGTP IN Açores todos os dias se debate quando sai às ruas. É cada vez mais claro que
as situações de pobreza e de exclusão social têm a sua origem não apenas em situações
de desemprego como também e fundamentalmente em situações de emprego cujos baixos
salários, por um lado, não são de molde a evitar estas situações de extrema pobreza como
elas próprias conduzem a outras preocupantes situações sociais.
É por demais evidente que urge pôr em prática, na nossa Região, uma política que crie e
potencie a criação de riqueza em vez de apenas criar ricos. Que dinamize a economia, em
vez de subordinar a economia a meros interesses de grupos empresariais que não têm o
mínimo interesse em criar riqueza na sociedade e muito menos em combater o flagelo da
pobreza e da exclusão social, preferindo, de longe, uma sociedade assistencialista e a
viver de esmolas a uma sociedade verdadeiramente solidária.
Não podemos permitir que a sublimação da pobreza volte a ter lugar na nossa sociedade,
nem podemos permitir que a única forma que os açorianos têm de fugir à pobreza crónica
seja a via da emigração.
É efetivamente necessária uma política de real valorização do trabalho e dos salários para
combater a pobreza e a exclusão social na nossa Região. Sem tal política estaremos
cronicamente a contestar este assunto enquanto cada vez mais se irá agravar. Mais do que
nunca é necessário alterar o modelo económico, baseando-o em emprego qualificado e
com direitos, salários dignos e serviços públicos universais e de qualidade.
Tal como a CGTP-IN Açores expôs na Comissão Permanente de Concertação Social é
necessário e urgente combater a precariedade açoriana. É injustificável o açoriano
trabalhar e não conseguir suportar as suas despesas mensais, a CGTP não aceita este
vaticínio por isso continuamos a defender que a superação dos problemas actuais e o
desenvolvimento da Região exigem a valorização do trabalho e dos trabalhadores e a
concretização de uma política soberana, que implica: iniciar um caminho de recuperação
da soberania monetária e orçamental; dar prioridade ao investimento público e à
dinamização da produção regional, apostando na produção e consumo locais, com
maiores benefícios para o ambiente e para a criação de emprego com direitos; combater
a precariedade e o desemprego, promover o aumento dos salários, a efectivação do direito
de contratação colectiva, a defesa do emprego e dos postos de trabalho e a protecção da
saúde dos trabalhadores; valorizar os serviços públicos e funções sociais do Estado,
combater a pobreza, as desigualdades e as injustiças sociais.

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