Cinema é forte aposta da Urbhorta no Teatro Faialense

0
18
O Teatro União Faialense, o primeiro Teatro Faialense, foi edificado em 1856, sendo o primeiro teatro regular dos Açores. Em 1905 o edifício foi adquirido pela Câmara Municipal da Horta e em 1916 foi reconstruído e rebatizado, passando a chamar-se Teatro Fayalense.
O edifício do Teatro Faialense celebra este ano o seu centenário, mas teve vários anos com a porta fechada. Depois de um longo interregno o Teatro Faialense foi alvo de obras de restauro e ampliação, em 2003, passando a contar com meios e equipamentos mais modernos e reabrindo as portas à comunidade faialense. 
Tribuna das Ilhas falou com Filipe Meneses o presidente administrativo da empresa municipal detentora do espaço, a Urbhorta, e foi conhecer a evolução do Teatro neste últimos 13 anos a nível de adesão e serviços. 
Em 2003, ano de reabertura, o Teatro Faialense recebeu em apenas meio ano mais de 15 mil entradas em espetáculos e cinema. O ano seguinte, 2004 foi auge destes últimos 13 anos, no Teatro Faialense estiveram 18 388 pessoas, um aumento de 18% de entradas. Filipe Meneses explicou que em 2004 “tínhamos a parceria com o Cine Clube da Horta” e ao longo do ano o Cine Clube da Horta exibiu 32 filmes de 86, sendo os restantes da responsabilidade da Hortaludus, com várias exibições do mesmo filme, dando um total de 279 exibições num ano, um número que o presidente administrativo considera “muito interessante”. 
Após o auge de 2004 o número de entradas diminuiu muito até 2012, contando com um total de 8175 entradas. 
De 2012 para 2013 é o ano em que se verifica a maior queda, na ordem dos 38%, passando para 5104 entradas em 2013, esta queda, diz Filipe Meneses é justificada por ser o ano em que se deu a fusão da Hortaludus, empresa municipal extinta, com a Urbhorta. 
Após a fusão das duas empresas, o número de entradas tem vindo a aumentar, verificando-se um aumento na ordem dos 36% em 2014 e na ordem dos 13% em 2015, o primeiro trimestre de 2016 que ainda não terminou já ultrapassou o número de entradas do mesmo período de 2015. 
No que diz respeito ao cinema, Filipe Meneses, disse que o gráfico de entradas decaiu muito porque nos últimos anos não tem havido exibição de filmes. Em 2015 houve a inauguração do novo projetor, em novembro, e nos últimos dois meses do ano houve mais espetadores do que o total do resto do ano. 
Em 2016, só nos meses de janeiro e fevereiro, já entraram mais espetadores que o ano todo de 2015, só para cinema, tendo mais 1500 entradas que o período homólogo de 2015. Filipe Meneses salientou que 2016 é um ano promissor no que diz respeito ao número de entrada de espetadores só no cinema.
2015 foi um ano de investimento no Teatro Faialense, nomeadamente no cinema, a administração adquiriu um novo projetor digital para a sala de cinema com duas funcionalidades, permite a exibição de filmes em 3D em formato normal, no entanto o administrador revelou que a grande aposta da Urbhorta vai ser na atividade regular do cinema com exibição em formato normal. 
O presidente da administração também explicou como se adquirem os filmes para exibição, e porque não estreias de filmes no Teatro Faialense e disse “ as empresas de distribuição adquirem os filmes para exibição e vende os direitos de exclusividade da estreia a uma sala de cinema, que tem que exibir o filme durante 15 dias seguidos, passada essa quinzena o filme fica disponível para todas as salas do país, incluindo a sala do Teatro Faialense”. 
Filipe Meneses revelou que adquirem filmes de várias empresas e que é quase impossível adquirir um filme para estreia no Teatro Faialense, porque isso significava ter mil espetadores todos os dias na sala de cinema do Teatro, o que é muito difícil se conseguir, portanto a Urbhorta adquire os filmes passados quinze dias da estreia. Um filme posto no Faial custa em média 550 euros, contou o administrador “ o filme em si custa entre 450/500, depois temos de entregar um X para o estafeta, que vai buscar a caixa que tem o disco externo, mais o transporte da SATA que custa mais 70 euros”. Explicou também que os filmes 3D são mais caros, mais 50 euros, e ainda que os filmes mais procurados, principalmente na altura dos Óscares e dos filmes que foram nomeados, também são mais caros. 
Filipe Meneses explicou que para o filme ficar pago, só com entradas, são necessárias cem entradas, ou seja cem faialenses têm de ir ver o filme, o presidente administrativo revela que têm tido mais do que cem espetadores o que “tem sido bom, temos conseguido pagar o filme diretamente e tem dado para com essa verba ir buscar outros filmes”.
Para Filipe Meneses, o período dos Óscares é uma altura muito boa em termos de cinema é a altura em que há mais procura por parte dos espetadores, e revelou que no período de verão a aposta no cinema é mais fraca, dando preferência aos espetáculos de rua. No entanto o presidente administrativo frisa que a aposta no cinema é uma aposta ganha porque “ temos público cativo, e com atividade regular do cinema é uma aposta ganha”. 
Outra das vertentes do cinema da Urbhorta, é a aposta em filmes infantis, Filipe Meneses revela que as pessoas têm de comprar os bilhetes com 15 dias de antecedência porque esgotam rapidamente, sendo 3D ou não, esgotam em menos de uma semana. 
Feita esta análise Filipe Meneses revela que o investimento no novo projetor digital foi uma aposta “ completamente ganha”, foi um investimento de 60 mil euros do Município mas o presidente da administração e vereador da cultura do Município da Horta salienta que o pagamento dessa máquina é difícil “mas é um investimento no concelho e na cultura que a longo prazo se vai esbatendo”. 
 
Não só de cinema vive o Teatro Faialense 
O cinema é uma das grandes apostas da Urbhorta, mas não só de cinema vive a sala de espetáculos do Teatro Faialense, ao longo do ano também acontecem espetáculos de produção local, regional e até nacional. Filipe Meneses revela com satisfação que os bilhetes para espetáculos de produção local costumam estar praticamente esgotados.
Em 2003, ano da reabertura, houve 3202 entradas de espetadores para espetáculos, o ano em que houve menor número de entradas foi em 2004, houve um decréscimo de 30% em relação ao ano anterior. É a partir de 2013, ano da fusão, que se verifica um grande aumento no número de espetadores, nesse ano houve 3385 entradas e no ano seguinte há um aumento de 65% com 5579 entradas. Em 2015 é o ano em que se verifica o maior número de entradas dos últimos 13 ano, registando-se 6802 entradas para espetáculos de produção local, regional e nacional. 
Neste momento a ocupação total da sala está nos 60%, 59% da ocupação em filmes, 59% em espetáculos da Urbhorta e 62% em espetáculos dos parceiros locais, tudo o que é produção local, de todas as entidades culturais do Faial que pretendem realizar os seus espetáculos na sala do Teatro Faialense. 
A dinâmica realizada pela Urbhorta nos espetáculos de produção local, revela Filipe Meneses, traduz-se em 2 euros por bilhete em espetáculos realizados por escolas ou grupos de dança, e quando são espetáculos de teatro, comédia ou música realizados pelos locais são de 6 euros. 
“ Os espetáculos têm de ter um preço, a cultura tem que ser paga, e o preço do bilhete assume alguma responsabilidade para as entidades que sobem a palco” revela a administrador, “dos preços dos bilhetes é retirado uma quantia para pagar os custos internos e o restante é entregue à entidade que realizou o espetáculo”. 
Outra das vertentes que a Urbhorta tem estado a trabalhar é a educativa, em 2015 numa parceria com a AJIFA (Associação de Jovens da Ilha do Faial) promoveram um espetáculo educativo com o Filipe Pinto, vencedor do programa Ídolos, um espetáculo direcionado para as crianças e público escolar “ O Planeta Limpo do Filipe Pinto”, este ano já está programado o espetáculo “Diogo Piçarra em Pessoa”, direcionado para os jovens do 7º ao 12º ano, no qual o cantor nacional dá vida aos poemas de Fernando Pessoa.
O Teatro Faialense, além da oferta cultural, oferece aos faialenses outros serviços, o espaço em si pode ser alugado, a sala de espetáculos pode ser alugado por uma entidade que pretenda realizar um espetáculo e a receita da bilheteira reverte inteiramente para a entidade, e também há o auditório “ Cine Teatro”, que é mais pequeno, que normalmente é alugado para conferências, palestras e colóquios.
A Urbhorta tem uma equipa de técnicos de som/luzes e imagem, que também realiza trabalhos fora do Teatro Faialense, e equipamento técnico de som que pode ser alugado e que muitas vezes é cedido mediante as parcerias realizadas com as entidades requerentes e também é utilizado pelo Município da Câmara. 
 
Gerir uma “casa” desta dimensão é difícil 
O presidente da administração da Urbhorta confessa que gerir esta empresa, detentora do Teatro Faialense, é difícil e revela que “ é um desafio muito grande” e afirma “ com esta crise que assola o País têm-se notado a dificuldade das pessoas aderirem aos nossos serviços, embora esteja melhorar nesse aspeto”.
Filipe Meneses reforça que “ tem havido um forte investimento do Município na área cultural e desportiva, na empresa da Urbhorta” e salienta que “temos tentado dinamizar ao máximo, mas é muito difícil, porque tudo isto acarreta um custo” mas que diz que é um custo social, de serviço público que tem que ser empregue no concelho. 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO