Colaboração entre EDA e SPEA pretende reduzir impacto das linhas elétricas nas aves

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Foi retomada em 2019 a colaboração entre a EDA – Electricidade dos Açores, S.A. e a
SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves), com o objetivo de aferir e
minimizar o impacto das linhas elétricas na avifauna. Este estudo teve início na ilha
Terceira, onde estão a ser aplicadas correções às linhas identificadas como mais
perigosas, e é agora alargado a algumas linhas da ilha de São Miguel.

A interação entre as aves e as infraestruturas humanas é amplamente conhecida e
estudada há mais de 30 anos. Estas interações podem ser positivas, presença de
locais adequados para nidificação, locais de poiso, etc., mas também negativas,
podendo causar ferimentos e morte das aves.

No caso das linhas elétricas, estas interações negativas também são bem conhecidas,
tendo sido identificadas como uma das principais causas de mortalidade de avifauna.
Classificam-se em dois tipos principais: colisão e eletrocussão. A colisão acontece
quando as aves em voo não conseguem ver os fios das linhas elétricas e acabam por
colidir com eles, o que causa ferimentos ou a morte. A eletrocussão acontece quando
as aves tocam em dois pontos com tensão elétrica, criando um arco que pode
atravessar a ave causando ferimentos potencialmente mortais.

Geralmente, a colisão afeta todo o tipo de aves, enquanto a eletrocussão afeta
principalmente a aves de grande porte que pousam nos postes. Porém, no caso dos
Açores, ainda se verifica um fenómeno não reportado até ao momento: a
concentração de uma grande quantidade de aves de menor porte nas linhas,
nomeadamente pombo-torcaz, que com a aproximação das linhas origina a criação
de um arco elétrico que pode provocar a eletrocussão das aves e a saída de serviço da
própria linha.

O impacto das linhas elétricas na avifauna dos Açores já havia sido monitorizado em
2012, numa parceria entre a EDA e a SPEA, tendo-se identificado postes e troços de
linha mais críticos, que foram alterados com vista a reduzir esse impacto.

Em 2019, este programa de monitorização foi retomado, na lógica de reduzir o
impacto das linhas elétricas na avifauna e de melhorar a qualidade do serviço
prestado pela EDA com a redução do número de ocorrências nas linhas com
implicação no fornecimento de eletricidade.

Entre 2019 e 2021 o estudo foi focado na ilha Terceira, tendo sido identificados troços
de linha que serão alterados até 2023. As soluções aplicadas serão também
monitorizadas para verificar a sua eficácia. Em 2022 e 2023 serão monitorizadas
algumas linhas elétricas na ilha de São Miguel de modo a identificar eventuais
necessidades de intervenção nas mesmas.

Esta parceria entre a EDA e a SPEA, que abrange agora mais uma ilha do
arquipélago, reflete o compromisso da EDA em melhorar a qualidade de
fornecimento de eletricidade aos açorianos e a sua preocupação em reduzir o
impacto das infraestruturas elétricas na avifauna dos Açores.