Início Edição Impressa Destaque Coligação vence eleições nos Açores com maioria relativa | Faial fica a...

Coligação vence eleições nos Açores com maioria relativa | Faial fica a 9 votos de eleger o terceiro deputado

0
60

A Coligação PSD/CDS-PP/PPM venceu as eleições legislativas regionais com mais de 40% dos votos, mas sem maioria absoluta na Assembleia Regional. A nova composição do Parlamento dos Açores só permite maiorias absolutas com os votos do Chega. No Faial a Coligação cresceu novamente e ficou a 9 votos de eleger o terceiro deputado e de deixar o PS com apenas um, o que já não acontecia desde 1984.

A Coligação PSD/CDS-PP/PPM venceu as eleições legislativas do passado domingo com 42,08% dos votos e 26 mandatos conseguidos. Seguiu-se o Partido Socialista (PS) com 35,91% e 23 mandatos. Em terceiro lugar ficou o Chega (CH) com 9,19% e 5 mandatos. Com apenas um mandato quedaram-se o Bloco de Esquerda (BE) (2,54% dos votos), a Iniciativa Liberal (IL) (2,15%) e o Pessoas-Animais-Natureza (PAN) (1,65%).

Com esta configuração, só se torna possível a constituição de qualquer maioria absoluta no Parlamento com o voto do CH.

Comparando com o resultado das eleições em 2020, a Coligação sobe o seu número de votantes de 43.371 (soma dos partidos separados) para 48.668 votos. Também o PS aumenta o número de votos, passando de 40.701 em 2020 para 41.538 em 2022. O CH cresceu de 5.260 votos para 10.626, duplicando a sua votação. O BE perdeu votos, passando dos 3.692 em 2020 para 2.936 agora. A IL cresceu, passando de 2012 votos para 2.482 e, finalmente, o PAN teve uma quebra, passando de 2004 votos em 2020 para 1907 votos em 2024.

Olhando para as várias ilhas dos Açores, a maioria passou a estar pintada de laranja: só o Corvo, as Flores e Santa Maria votaram no PS. Em todas as outras a Coligação ganhou, invertendo completamente o cenário de 2020, em que nos Açores o PS só não tinha ganho a ilha do Faial (vitória do PSD) e o Corvo (vitória do PPM).

Descendo a análise ao nível concelhio, novamente se confirma a dimensão da vitória da Coligação liderada por José Manuel Bolieiro, que venceu em 13 dos 19 concelhos. Só em Vila do Corvo, Lajes das Flores, Santa Cruz das Flores, Lagoa, Povoação e Vila do Porto, o PS logrou vencer. Em todos os restantes a Coligação ganhou.

Os resultados no Faial

Na ilha do Faial, depois de apurados os resultados, verificou-se que a vitória da Coligação, com 3.652 votos, a deixou a nove de eleger um terceiro deputado, o que já não acontecia desde 1984. No entanto, comparando com 2020, o PS no Faial conseguiu nestas eleições 2.449 votos, mais 312 que em 2020. Já a coligação aumentou 152 votos, aos 3.550 obtidos em 2020 pelos três partidos em separado. Realce ainda para o facto de a Coligação ter vencido em todas as freguesias da ilha à exceção do Capelo, onde venceu o PS apenas por quatro votos.

No Faial o CH também cresceu, passando dos 208 votos de 2020 para os 323 nestas eleições. No entanto, é no Faial, a par do Corvo, S. Jorge, Pico e Graciosa que aquele partido menos peso partidário tem, não chegando aos 5% dos votantes, longe dos 11,8% conseguidos em S. Miguel ou dos 8,1% na Terceira.

Quanto aos restantes partidos com assento parlamentar, todos perderam votos no Faial por comparação com 2020. O BE passou de 254 votos para 216 e o PAN de 107 em 2020 para 84 agora. Quanto ao IL, não concorreu em 2020 pelo Faial e agora obteve 59 votos.

Quanto às restantes forças concorrentes na ilha do Faial, verificaram-se os seguintes resultados: CDU (466 votos), ADN (14), Livre (34) e JPP (26). Votaram 7.572 eleitores (mais 522 que em 2020) e os votos em branco chegaram aos 198 e os nulos foram 51.

 

Bolieiro, na vitória: Governar em maioria relativa, em diálogo e sem deixar ninguém para trás

No seu discurso de vitória, José Manuel Bolieiro agradeceu aos açorianos a confiança que a votação recebida significa, declarando que assumia “a responsabilidade que me dão ao serviço do meu povo”. Felicitando os eleitores pela sua mobilização eleitoral que levou à diminuição da abstenção, relevou a forma “serena” como tinham decorrido as eleições em todas as ilhas.

Para o líder da Coligação, os resultados eleitorais não deixam dúvidas e a vitória alcançada, independentemente do sistema eleitoral, é “uma vitória que se expressou de forma inequívoca em seis das nove ilhas, em 13 concelhos dos 19 dos Açores, em 106 freguesias das 155 dos Açores.”

Assumindo que lia a decisão do povo nas urnas como a expressão de uma vontade para continuar a sua missão, “tal como eu, José Manuel Bolieiro, a tenho vindo a realizar ao serviço dos interesses dos açorianos, não deixando nenhuma ilha para trás, cumprindo os objetivos do nosso desenvolvimento: primeiro as pessoas, só depois as coisas, primeiro o nosso desenvolvimento interno, de coesão com as nove ilhas dos Açores, com todas as classes, com todas as gerações, com todas as atividades económicas que promovam o nosso desenvolvimento económico coeso e em toda a região”, disse, acrescentando que interpretava os resultados como uma exigência de responsabilidade para si no sentido de “manter o meu perfil político e pessoal, dialogante, conciliador, com sentido de missão, com responsabilidade de não deixar ninguém para trás, mas liderar sem ceder a chantagens”, concluiu.

Para o futuro governo Bolieiro definiu já a orientação: “eu governarei com uma maioria relativa” pois “na democracia europeia e ocidental não se pode colocar as maiorias relativas em causa com coligações negativas da oposição”, e já foi avisando que “se o fizerem, cada um assumirá a sua responsabilidade”. Aliás, lembrou, em 1996, quando o PS subiu pela primeira vez ao poder nos Açores, “governou nos quatro anos com uma maioria relativa, viabilizada no Parlamento pelos partidos da oposição”.

Vasco Cordeiro assume que os resultados ficaram aquém do desejado

Reagindo aos resultados eleitorais que ditaram a primeira derrota eleitoral do PS nos Açores em eleições legislativas desde 1996, Vasco Cordeiro foi inequívoco na assunção da derrota: “os resultados são claros e evidentes na demonstração que a minha candidatura não alcançou o sucesso que desejava e que todos os que se mobilizaram também desejavam. Fiquei aquém dos objetivos eleitorais que fixei como objetivo para estas eleições”, assumiu.

Começando por agradecer “aos açorianos e açorianas que exerceram o seu direito de voto de forma ordeira e que dignifica a nossa democracia”, Vasco Cordeiro particularizou aqueles “que confiaram no PS e em mim próprio para presidente do governo”, agradecendo ainda “aos candidatos que integraram as listas em todas as ilhas com disponibilidade e coragem para se submeterem ao juízo dos nossos concidadãos, algo que é pouco valorizado”, disse. Salientou ainda a sua gratidão para com os militantes e dirigentes do partido “que se empenharam nesta campanha eleitoral na defesa de um projeto de futuro para os Açores”.

Não deixando de reconhecer que, a partir de agora, se abre no PS “uma nova fase, com muito trabalho pela frente”, Vasco Cordeiro não adiantou mais nada sobre o futuro do partido nem o seu, repetindo sempre que “toda a reflexão será feita no tempo e no local próprio e que este não é o tempo nem o local próprio.”

José Pacheco promete não parar

Na noite eleitoral, o CH Açores celebrou um resultado muito positivo, em que duplicou a sua votação e passou de 2 para 5 deputados, sendo o grande beneficiado pelo círculo de compensação, onde elegeu dois deputados.

Na ocasião, José Pacheco, líder regional, reivindicou para o seu partido a exclusividade da vitória nestas eleições, dizendo que “a vitória que hoje temos, a grande vitória do CH, talvez o partido que tem a única vitória nesta noite.”

Olhando para o seu trabalho futuro na Assembleia Regional, o líder não poupou no desafio: “com cinco deputados, não vamos parar. Vamos trabalhar como trabalhámos até hoje, sete dias por semana, 365 dias por ano”, com um objetivo claro: “travar este retrocesso que começa a ser já de mais de 100 anos” e que é inadmissível “que os Açores continuem a andar para trás”.

Sobre o futuro governo, José Pacheco manifestou-se disponível para conversar, mas avisando que “não há governo para ninguém com o CDS e o PPM”.

António Lima: O Bloco será a mais forte das oposições

O BE perdeu um deputado e 750 votos. Por isso, na reação, o coordenador do partido nos Açores, António Lima, reconheceu que o resultado não foi positivo, mas que o BE não desarmará em ser “a mais forte das oposições ao governo regional da direita”.

Denunciou ainda o colapso da estratégia de José Manuel Bolieiro que, ao provocar eleições antecipadas e uma crise política “tinha como objetivo reforçar a direita, o que não foi concretizado.”

Para o futuro, Antonio Lima foi claro: o BE será “a mais forte das oposições, com a capacidade de trabalho que nos caracteriza, com a capacidade de mostrar um caminho diferente para os Açores”.

Nuno Barata reafirma o liberalismo como o único caminho para os Açores

Apesar de ter sido um dos partidos que provocou a crise política e a queda do Governo, a IL resistiu a esse ónus e viu crescer a sua votação em quase 500 votos.

No rescaldo, o coordenador da IL nos Açores, Nuno Barata, reafirmou a sua confiança no Liberalismo como “o único caminho que retira os açorianos da pobreza e da cauda da Europa” e, por isso, o caminho só pode ser o de “contribuir para fazer crescer o Liberalismo nos Açores”.

No próximo Parlamento, Nuno Barata garantiu que o seu partido será “oposição firme, permanente e construtiva e que saberá fazer a diferença na vida dos açorianos.”

Pedro Neves garante manter a diferença

Com menos 97 votos, mesmo assim, o PAN conseguiu manter-se no Parlamento dos Açores através do círculo de compensação.

Pedro Neves, coordenador do partido, encara o resultado como uma vitória “não só do PAN Açores, mas de quem tem coragem de sonhar e de fazer política diferente.”

Para a próxima legislatura reafirmou que o seu partido manterá a diferença que “o destaca de todos os partidos” e que a sua “intensidade e criatividade” farão dele “sempre, mas sempre” um partido “próximo da comunidade açoriana”.

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!