“Compreender” não pode ser a palavra do ano

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Consultando o dicionário, contata-se que o verbo transitivo “compreender” tem os seguintes significados: 1. Abranger.2. Encerrar. 3. Conter. 4. Entender. 5. Alcançar com a inteligência.6. Perceber. 7. Notar. 8. Depreender. 9. Saber apreciar. 10. [Antigo] Achar (alguém) incurso em, ou culpado de. 11. Estar incluído ou contido.
Eu, na qualidade de faialense, não compreendo, não percebo, não consigo apreciar nem registar com agrado como é que alguém pode estar satisfeito com os horários que o Grupo SATA irá disponibilizar para a nossa rota, quer a quem pretende sair da ilha ou a quem tenciona visitar-nos, no próximo verão IATA. No programa da RTP-Açores, Conselho de Redação, emitido no passado dia 18, os antigos jornalistas da mesma estação, Teresa Nóbrega e Osvaldo Cabral, também não compreenderam a posição de quem devia defender a ilha e não o faz.
Não defendem o Faial nem as suas gentes e pretendem continuar a confundir-nos. De facto, passados três anos de vigência do “acordo” da saída da TAP da nossa rota, são essas mesmas pessoas que, de forma recorrente, propalam na praça pública a ideia de que a TAP nos abandonou em 2015. A ser assim, gostaria de obter uma resposta de alguma dessas pessoas à seguinte pergunta:
Como se justifica que, em 2014, o Business Plan 2015/20 do Grupo SATA já contemplava as rotas do Faial, do Pico e de Santa Maria com os respetivos horários, taxas de ocupação previsíveis, “load factor” e tarifas médias, para apenas referir alguns dos pormenores relevantes do referido plano?
Foi uma bruxa que lhes adivinhou o futuro? Ou terá havido jogo viciado, concertado politicamente, que se traduziu num favorecimento à SATA, à custa do Faial e dos faialenses?
Aguardo uma resposta verdadeira, pois bem conhecemos o ditado que diz que uma mentira dita muitas vezes se torna verdade. Mas, neste caso, não vamos permitir que a repetição desta mentira a transforme numa verdade, porque será sempre uma mentira.
É neste clima pouco propício ao estabelecimento de diálogos construtivos que as mais importantes questões relacionadas com a SATA, a TAP e o Aeroporto da Horta se banalizam, em consequência das atitudes manifestadas por alguns representantes dos dois principais partidos políticos do País e da Região que, infelizmente, parecem estar mais preocupados em manter uma guerra de acusações recíprocas do que apresentar medidas concretas que tenham por objectivo resolver, a curto prazo, os graves problemas que, neste domínio, entravam o desenvolvimento do Faial.
A quem serve tal guerra e a teimosia dos que não procuram a via do diálogo na defesa do bem comum?
Custará muito reconhecer que o cumprimento efectivo do artigo 59º do Orçamento do Estado para o corrente ano pode resolver, de uma vez por todas, a questão das penalizações impostas às aeronaves A320 e Boeing 737?
E as novas Obrigações de Serviço Público (OSP) não poderão resolver o problema do operador que pretenda servir o Faial sem que este invente pretextos para as pôr sistematicamente em causa?
Perante tanto tempo já desperdiçado, urge responder ao desafio que as questões enunciadas colocam, seguindo em frente, mediante a concretização da orientação consagrada no OE e de um ajustamento à forma e conteúdo das futuras OSP.
Quanto a estas, é fundamental que a respetiva renovação não se concretize através de um único concurso, pois não se devem misturar no mesmo saco realidades tão diferentes, como as que caracterizam as operações aéreas para o Faial, Pico e Santa Maria. Efectivamente, não se pode colocar no mesmo patamar uma rota com taxas de ocupação de 75% e outra com apenas 45%.
Também não faz sentido comparar as taxas de ocupação de uma rota com 10 voos semanais com outras de 4 ou 2 voos por semana. Por isso, à operação respeitante a cada ilha deverá corresponder uma OSP distinta, permitindo assim aos operadores que concorram livremente – e apenas – às rotas em que estejam interessados.
No quadro de uma TAP novamente pública, não existem desculpas para que o Governo da República não intervenha junto da principal companhia aérea nacional para que esta apresente uma proposta séria e se candidate a uma rota da qual nunca devia ter saído. Tal não impedirá que a SATA também concorra à mesma rota. Mas, se o fizer, terá que alterar radicalmente a postura assumida desde que começou a operar para o Faial em regime de monopólio. Trocando por miúdos, não poderá apresentar justificações falsas para o mau serviço prestado, nomeadamente enganando os passageiros sobre as razões reais dos cancelamentos. Estamos fartos de cancelamentos feitos em dias de Verão, alegadamente devidos a condições meteorológicas adversas quando, na verdade, os voos não se realizaram por falta de tripulação. Também terá de cessar a prática frequente de não transportar a bagagem dos passageiros, agravada por não ser assumida a responsabilidade pela falha, como se a culpa não tivesse dono. E a administração da SATA não poderá anunciar mais aos sete ventos que não é possível operar à noite no Aeroporto da Horta, por limitações de iluminação de obstáculos, perante o recente desmentido da ANA sobre esse falso problema.
Por todas as razões expostas e tendo em conta muitas mais que continuam a afectar a credibilidade e, até, a própria viabilidade da transportadora aérea regional, terá chegado a hora da SATA, de uma vez por todas, retomar a sua vocação original de servir os Açorianos, em primeiro lugar, encerrando as rotas que implicam a má gestão da sua escassa frota e a que correspondem avultadíssimos prejuízos financeiros.
Com a abertura do espaço aéreo, torna-se por demais evidente que a SATA não dispõe dos meios para ombrear com a TAP, a Ryanair, a Easyjet ou qualquer outra companhia que queira voar para Ponta Delgada e Terceira. Resta-lhe apostar nas restantes rotas insulares, já que estas duas se encontram amplamente servidas por companhias de maior dimensão.
Termino, repetindo o que já afirmei num artigo anterior.
Aqui, neste triângulo insular, e sem necessidade de fazer “check out” do hotel, ou de outro tipo de alojamento, quem nos visita pode desfrutar de: vulcões, caldeiras, praias, marinas, montanha, lagoas, mergulho, baleias, pesca, fajãs, queijo, vela, trilhos, vinho, museus, restaurantes e, não menos importante, de segurança, simpatia e amistosa hospitalidade. Não, não somos uns coitadinhos que têm de se resignar ao seu pobre cantinho. Pelo contrário. Dispomos de um inegável potencial de crescimento, e aspiramos concretizá-lo, sem entraves nem bloqueios. O que nos falta então? Um Governo Regional que não descrimine negativamente e, definitivamente, abandone o estafado estratagema de dividir para melhor reinar. Em suma, um Governo Regional que abrace os princípios fundadores da Autonomia, investindo criteriosamente na correcção das assimetrias regionais, e encete a tarefa premente de apoiar, divulgar e promover, dentro e fora da nossa Região Autónoma – e de igual modo – todas as ilhas que a compõem.
Porque aqui também é Açores. 

Grupo Aeroporto da Horta
https://aeroportodahorta.wixsite.com/aeroportodahorta

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