Conceição Castro Ramos é a autora de “O Colégio de Santo António – Antecedentes, História e Identidade”

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Conceição Castro Ramos

Natural de Santa Cruz das Flores, Conceição Amaral de Castro Ramos deixou a sua terra natal e o aconchego do lar paterno e, do ano letivo de 1957/58 até 1961/62, veio para o Faial onde, no Colégio de Santo António, estudou e cursou do 1.º ao 5.º Ano dos Liceus. Licenciou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e doutorou-se depois em Ciências da Educação e Desenvolvimento pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Para além da carreira docente e de atividades académicas, foi Diretora Regional da Administração Escolar nos Açores e, já no continente, desempenhou altos cargos no Ministério da Educação, como Diretora-Geral e Inspetora-Geral de Educação. Sessenta anos depois, a ex-estudante do Colégio fixa em livro os Antecedentes, História e Identidade daquela instituição. A obra é lançada hoje, pelas 18h30, no Ginásio do próprio Colégio, numa edição do Núcleo Cultural da Horta (NCH).

O Tribuna das Ilhas ouviu a autora sobre as razões da escrita do livro e a importância do Colégio como uma alternativa de ensino.

Tribuna das Ilhas (TI) – Como nasceu este livro que hoje vai ser lançado?
Conceição Castro Ramos (CCR) – A pergunta faz-me recordar uma frase notável do livro de memórias de Theodore Roosevelt: Story of a Friendship: “Há sempre duas razões para uma pessoa fazer qualquer coisa: a boa razão e a razão objetiva”. A boa razão é a explicação para o que se fez. A razão objetiva é a motivação pessoal que nos orientou a fazê-lo.
A boa razão devo-a ao Prof. Dr. Artur Teodoro de Matos que primeiro me desafiou a fazer uma comunicação no Colóquio “O Faial e a Periferia Açoriana nos séculos XV a XX”, em maio de 2018. Num segundo momento, em julho, lançou-me um segundo desafio que considerei ousado e exigente, mas feito com muito empenho e de tal forma que me convenceu e entusiasmou a redigir este livro.
A segunda razão é realmente uma história de amizade e de gratidão para com o meu Colégio. Celebrava-se então os 160 anos do Asilo de Infância Desvalida a que me associei. Mas para além desta instituição, quer a Confraria de Santo António de Pádua, quer a Congregação das Irmãs Franciscanas desenvolveram uma outra instituição escolar no campo do Ensino Secundário Liceal – o Colégio de Santo António. Foi uma obra extraordinária não só por se tratar duma iniciativa da sociedade civil – um projeto de parceria sem precedentes no nosso país, mas também pela projeção que teve na Educação nos Açores. Apercebi-me, na altura, que era tempo de distinguir o papel das duas instituições e de pôr na agenda da historiografia açoriana a História do Colégio de Santo António e a sua Identidade, tanto mais que havia 90 anos que as Irmãs Franciscanas tinham chegado pela primeira vez ao Faial e aos Açores.

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PROF. TEODORO DE MATOS DESTACA CARÁCTER INOVADOR DA OBRA

O apresentador do livro será o Professor Doutor Artur Teodoro de Matos, natural de S. Jorge e reputado docente e investigador. Autor também do Prefácio da obra que hoje é apresentada, ao Tribuna das Ilhas destaca a importância do livro e o brilhantismo profissional da autora.

TI – Qual é a importância e o lugar que esta obra ocupará no conhecimento da instituição e do ensino nos Açores?
Artur Teodoro de Matos (ATM) –Trata-se de uma obra inovadora, sobre o ensino particular nos Açores, particularmente importante para as ilhas do Triângulo, Flores e Corvo e que marcou a sociedade insular no quarto de século da sua existência. Além disso teve a característica de ser frequentada por alunas oriundas sobretudo daquelas ilhas pertencentes a vários grupos sociais, já que em nenhuma altura foi um colégio das elites. A componente de beneficência que esteve na sua origem, nunca dele desapareceu.
TI – Se tivesse de apresentar apenas uma razão pela qual este livro deveria ser lido, qual a que escolheria?
ATM – Foi uma maneira inteligente de ajudar a suprir a deficientíssima cobertura do ensino oficial em parte das ilhas dos Açores, pela qualidade de ensino e de educação cívica e moral.
TI – A autora do livro, Maria da Conceição Amaral Castro Ramos, é natural das Flores. Como a apresenta a quem não a conheça?
ATM – Académica brilhante; alto-quadro dirigente da educação, competente e eficiente em todas as missões em que esteve investida em Portugal e na União Europeia.
TI – O Professor Teodoro de Matos esteve muito ligado ao arranque e afirmação da Universidade dos Açores, designadamente do Departamento de História. Volvido quase meio século como avalia hoje o papel e a importância da UAç e do Departamento de História na Região?
ATM – Estou bastante afastado de tudo o que se passa na Universidade dos Açores. Todavia estou persuadido de que as ciências humanas deixaram de ter a pujança de outros tempos.