CORVINO QUE SE DISTINGUIU – João Valadão do Rosário (1927-….) Profissional de prestígio da PSP

0
23

 João Valadão do Rosário nasceu na vila do Corvo em 25 de Janeiro de 1927, filho de Manuel Valadão do Rosário e de Maria Inácia do Rosário. Depois de concluir o Ensino Primário com excelente aproveitamento, passou a trabalhar essencialmente na vida rural dos pais, até ingressar no serviço militar. Em 1949 saiu pela primeira da sua ilha natal para cumprir esse serviço que, depois de perdida uma recruta, foi prestado no BI n.º17 de Angra do Heroísmo.

Após o seu cumprimento, mediante concurso realizado no Comando da Polícia de Segurança Pública da Horta, foi aprovado para guarda do quadro geral dessa Corporação. Assim, em 5 de Junho de 1953 ingressava no Comando da PSP na cidade do Funchal, cidade onde permaneceu até regressar aos Açores, onde foi então colocado no Comando da PSP da Horta, como era seu desejo. Permaneceu vários anos nessa cidade, aí executando os mais diversos serviços da Corporação e aproveitando as horas vagas para melhorar a sua instrução e conhecimentos, e para se preparar para ascender nessa carreira profissional a novos cargos ou categorias.

Aí nos conhecemos e trabalhámos juntos durante algum tempo. Estudávamos com objectivos diferentes.   

Era inteligente e ávido de instrução e de cultura, esforçando-se sempre para melhorar os seus conhecimentos literários e profissionais, já que não nascera para se manter na Corporação na categoria com que para ela entrara.

            Assim, depois de concurso adequado, onde fez provas escritas e provas físicas de elevada exigência, com várias disciplinas, foi aprovado para 2.º Subchefe de Esquadra no qual obteve boa classificação. Em 1 de Setembro de 1961 foi nomeado 2.º Subchefe e colocado no Comando da PSP da Horta, onde passou a prestar serviço de conformidade com a sua nova categoria.

            Com a chagada à ilha das Flores da Estação de Tele-Medidas da França, aí por volta de meados da década de 1960, como na ilha não havia qualquer posto de polícia, foram criados, quer na vila Santa Cruz, quer na vila das Lajes, postos policiais em cada uma delas. Simultaneamente, foi necessária a criação na vila de Santa Cruz das Flores, para o controlo de fronteiras, face ao pessoal estrangeiro lá chagado, de um Posto da PIDE – Polícia Internacional e de Defesa do Estado. Até então não havia no Distrito da Horta qualquer posto da polícia política do regime Salazarista, facto que era apontado com orgulho pelo Governador Civil do Distrito, Dr. António Freitas Pimentel, um florentino que esteve no cargo 20 anos (1953-1973), depois de ter exercido com eficiência as funções de Presidente da Câmara Municipal da Horta, durante cerca de 10 anos.

Com a criação dos referidos postos, João Valadão do Rosário foi, a seu pedido, colocado no Posto da PSP de Santa Cruz, onde assumiu o respectivo comando em 29 de Junho de 1966. Na sequência da sua promoção a 1.º Subchefe, foi mobilizado para prestar serviço policial na antiga colónia portuguesa da Guiné. Deste modo, seguiu de Lisboa para a colónia da Guiné no navio “Ana Mafalda”, numa viagem inesquecível feita em camarote de 1.ª Classe, tendo lá chegado em 22 de Novembro de 1969.

Durante o primeiro ano prestou serviço numa Esquadra da PSP de Bissau, mas, no ano seguinte, foi comandar a Esquadra da cidade da Bafatá, onde esteve cerca de um ano.

Cumprida essa comissão de cerca de dois anos, regressou a Lisboa, em cujo Comando Geral da PSP conseguiu, talvez como prémio pelos seus bons serviços prestados no Ultramar, a garantia de voltar ao seu lugar no comando do Posto da PSP de Santa Cruz das Flores. Assim, em Dezembro de 1971, contrariando algumas vontades contrárias a essa decisão, voltou a assumir o comando do Posto da PSP de Santa Cruz das Flores. Aí permaneceu, assumindo algumas responsabilidades de elevado melindre, designadamente quando se deu o Golpe de Estado do “25 de Abril de 1974”, já que foi encarregado superiormente de desmilitarizar os agentes do Posto da PIDE/DGS, polícia política então extinta nessa ocasião. Em Agosto de 1984 passou à situação de reformado ou aposentado.

Pelos relevantes serviços prestados no exercício das suas funções, e por ser competente, disciplinado e disciplinador, foi condecorado e louvado várias vezes (cerca de uma dezena), com destaque para o período em que prestou serviço policial na Guiné. Deste modo, são imensas as medalhas que orgulhosamente guarda para fins históricos de recordação para a família.

Apesar de ter sido acometido por várias doenças de cariz vascular, recuperou muito razoavelmente a sua saúde intelectual e física.

Distinguiu-se por tudo isto e considera-se um homem de sorte!

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!