A corte de foice

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Já tenho escrito muito sobre este assunto, que o Faial pode ser um contribuinte líquido para o desenvolvimento regional, que tem potencialidades que, se fossem estimuladas, poderiam originar mais emprego mais crescimento económico e maior sustentabilidade.

Já critiquei o atual modelo de desenvolvimento económico dos Açores, apenas centrado em duas ilhas, uma vez que as mentes que o definem e que estão no governo são dessas ilhas, não tendo a visão da realidade açoriana.

Já justifiquei o porquê dessa opção, por acharem que o Faial não tem população com massa crítica, que a resposta ao investimento público só terá impactos positivos nas duas ilhas maiores e que o Faial não tem capacidade para responder a estímulos ao crescimento.

Já denunciei a forma assassina, atentatória da liberdade, de colocar em LEI que apenas duas ilhas se devem desenvolver, através da aprovação do plano do governo que prevê as plataformas logísticas em duas ilhas, como se não bastasse todas as dificuldades que o Faial vive neste contexto de dificuldades.

Já escrevi que estas plataformas são o atestado de incompetência dos governantes regionais, pois não têm soluções para o desenvolvimento de ilhas mais frágeis, apenas vendo o seu umbigo, o problema da sua ilha, querendo puxar tudo, transportes marítimos, transportes aéreos, e querendo puxar mais ainda, com autênticas plataformas de saúde, entre muitas outras.

Este atestado de incapacidade que Rei e Vice-Rei atribuíram ao Faial tem originado um modelo de investimento apenas de ganha eleições, mas verdadeiramente excluído do desenvolvimento económico, tais têm sido as ações destrutivas a que esta ilha tem sido condenada.

Desde o não aumento da pista do aeroporto, a diminuição do projeto inicial (o que o Faial e os Açores mereciam) da ampliação do porto da Horta, do fecho da fábrica do peixe, do desinvestimento da estação rádio naval, à política diferente para o campo de golfe e termas e à falta criação de novos rasgos rodoviários geradores de oportunidades de investimento privado …

Todas estas são situações que têm debilitado esta ilha, que a têm impedido de se desenvolver em épocas que foram de crescimento para as duas maiores ilhas e que na atual conjuntura de maior dificuldade e de constrangimento de dinheiros públicos fazem com que não nos tenhamos desenvolvido na época das vacas gordas e agora, com as vacas magras, continuemos mal.

Quando pensava que este governo não poderia tirar mais, nem abandonar mais, nem excluir mais o Faial do desenvolvimento económico e social, eis que constato que me enganei, infelizmente.

Refiro-me aos anúncios dos cortes em chefias administrativas da secretaria da educação em 500 000 euros e na secretaria do ambiente (com sede onde? Na Horta) com primeiro prémio de redução em valor e em percentagem de chefia, na ordem de 1 000 000 euros, sim, um milhão por ano!

Sabemos que vivemos com um sector público acima das nossas possibilidades, que a carga fiscal chegou ao limite e que é necessário fazer uma reengenharia no setor público, que está deficitário.

Mas discordo frontalmente desta medida, esses cortes deveriam ser feitos nas chefias do Rei e do Vice-Rei e respectivas ilhas, e a justificação é política e técnica.

Política pois uma das bases da boa governação de desenvolvimento é a redistribuição pelo território das competências da Região, com serviços e com quadros superiores, e cargos de chefia em ilhas mais pequenas, possibilitando, para alem aumentar a assimetria dos valores remuneratórios, mas principalmente que a este nível permite a estes “chefes” uma maior cultura e visão do nosso mundo, com efeitos positivos para as populações que são residentes.

Do ponto de vista técnico porque o ambiente, ao longo do tempo, passou de direcção regional a parte duma secretaria e finalmente teve o estatuto que merece na Região, o de tutelar uma secretaria regional, com efeitos positivos ao nível regional, com uma valorização ambiental do arquipélago com muito nível, que tem elevado os Açores, inclusivamente com prémios nacionais e internacionais, com citadas em revistas internacionais com repercussões multi-sectoriais desde o ambiente ao turismo.

O princípio é “em equipa que ganha não se mexe”. Esta mexida, esta redução das chefias da secretaria do ambiente irá afectar muitos cargos importantes no Faial, retirar 1 milhão de euros anual, provando que nas mãos deste governo, a ordem para o Faial é cortar com corte de foice.

                                                                           [email protected]

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