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CORVINO QUE SE DISTINGUIU MANUEL PEDRO LOPES (1852-1919) Empresário, político, juiz substituto e director jornalístico nas Flores

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Nasceu na freguesia e concelho da ilha do Corvo em 30-4-1852, filho de Inácio Pedro Coelho e de Ana de Jesus. Era neto paterno de Manuel Inácio Mendes e de Maria da Encarnação e materno de Joaquim Pedro Coelho e de Dora Mariana de Jesus (como verificámos no seu registo de nascimento efectuado na igreja do Corvo). 

Já depois de adulto fixou-se com o pai na Vila da Santa Cruz, em data que não pudemos precisar, onde teve importante actividade política e jornalística.  

            Embora residente em Santa Cruz das Flores, foi nomeado Administrador do Concelho de Lajes das Flores, na sequência da reposição desse concelho decretada em 13 de Janeiro de 1898, pelo Governo de José Luciano de Castro, ao mesmo tempo que o pai ou o avô era nomeado para idêntico cargo no concelho de Santa Cruz das Flores (1).

            Mais tarde, exerceu por várias vezes, em Santa Cruz das Flores, o cargo de Administrador do Concelho, servindo assim não só a Monarquia e o Partido Progressista, mas também a 1.ª República, representando o Partido Democrático. Com esse cargo chegou também a exercer as funções de Presidente da Câmara do mesmo Concelho de Santa Cruz, sobretudo em 1915 (2). Nesse ano, foi nomeado, provisoriamente, juiz substituto da comarca das Flores, lugar que exerceu durante vários meses (3). Essa situação de servir uma vez a Câmara, como Presidente, e outras vezes o Tribunal nas ausências ou nas vagas, mais ou menos prolongadas, dos respectivos juizes de direito, repetiu-se durante os anos de 1916 e de 1917, situação que viria a ser interrompida em Dezembro de 1917 (4). Na sequência do golpe de Estado de Sidónio Pais, levado a efeito em 8 de Dezembro de 1917, foi destituído dos cargos políticos que tinha (5).   

            Em data que não pudemos precisar, recebeu uma condecoração que lhe proporcionou o título de comendador.   

            Em 15 de Abril de 1917, Manuel Pedro Lopes fundou em Santa Cruz das Flores o jornal “Açoriano Ocidental” (edição de 1917 a 1919), de que era proprietário, director e editor, tendo convidado para corpo redactorial os florentinos mais distintos desse tempo, nomeadamente, António Maria Henriques, Fernando Amorim Armas, Fernando Joaquim Armas Jr., Jaime Leal Páscoa, João Rodrigues de Magalhães, José Jacinto Armas da Silveira, Júlio C. de Almeida, Maurício António de Fraga, Roberto de Mesquita, Rodrigo Armas e Urbano Lino de Freitas (6).

            O referido jornal, que era semanal, propunha-se defender abertamente os interesses dos povos das ilhas das Flores e do Corvo, auxiliar a instrução, desenvolvendo-a, e proteger a pobreza o mais eficazmente possível. Reclamando-se independente dos poderes públicos que os haviam votado ao abandono, considerava que era necessário reagir instruindo o povo, facultando-lhe os meios essenciais de vida. Nesse sentido chegou a deliberar, em conjunto com a Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, em criar uma Biblioteca Pública, projecto esse que a revolução atrás referida terá interrompido.

            Manuel Pedro Lopes, por discordar da forma como o jornal estava contra o senador do distrito da Horta, Dr. José Machado Serpa, natural do Pico, de quem era amigo pessoal, em Outubro de 1917 deixou aquele semanário, trespassando-o para António Maria Henriques, que assumiu também o cargo de editor.

            Apesar de solteiro, perfilhara Maria Alice Lopes, a quem deu o curso de professora e que foi casada com o grande poeta florentino, açoriano e português, Roberto de Mesquita, autor de “Almas Cativas” e dos poemas que Manuel Ferreira integrou no seu livro “O Segredo das ‘Almas Cativas”, edição de 1991, da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores.

            O falecimento de Manuel Pedro Lopes ocorreu, inesperadamente, em Santa Cruz das Flores em 13 de Novembro de 1919 (7). Ainda exercia o cargo de Juiz substituto das Flores e o seu funeral foi muito concorrido, noticia o “Jornal-Rádio” (8).    

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                  BIBL. Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, “A Ilha das Flores: da redescoberta à actualidade”, (2003), p. 511 e 512, ed. da C. M. das Lajes das Flores; Jornal “O Ocidental”, de Santa Cruz das Flores, n.º 63, de 15-3-1898; Jornal-Rádio”, de Santa Cruz das Flores, n.º 8, de 27-5-1915, n.º 25, de 25-7-1915, nº. 88, de 2-3-1916, n.º 96, de 30-3-1916, n.º 125, de 9-7-1916, nº. 193, de 4-3-1917, n.º 272, de 6-12-1917; “O Grande Livro dos Portugueses”, (1990), ed. Círculo de Leitores, p. 392; Trigueiro,

 José Arlindo Armas “Histórias e Gentes da Ilha do Corvo”, 2011, pp 144 e 145, ed. da Câmara Municipal do Corvo.

(1). Jornal “O Ocidental”, de Santa Cruz das Flores, n.º 63, de 15-3-1898.

(2). “Jornal-Rádio”, de Santa Cruz das Flores, n.º 8, de 27-5-1915.

(3). “Jornal-Rádio”, de Santa Cruz das Flores, n.º 25, de 25-7-1915.

(4). “Jornal-Rádio”, de Santa Cruz das Flores,, nº. 88, de 2-3-1916, n.º 96, de 30-3-1916, n.º 125, de 9-7-1916, nº. 193, de 4-3-1917, n.º 272, de 6-12-1917.

(5). “O Grande Livro dos Portugueses”, (1990), ed. Círculo de Leitores, p. 392;

(6). Gomes, Francisco António Nunes Pimentel,  “A Ilha das Flores: da redescoberta à actualidade”, (2003), ed. da C. M. das Lajes das Flores, p. 511 e 512.

(7). “Jornal-Rádio”, de Santa Cruz das Flores, n.º 474, de 13-11-1919.

(8). “Jornal-Rádio”, de Santa Cruz das Flores, n.º 475, de 15-11-1919.

 

Foto (034):Esta é a vila do Corvo ondeManuel Pedro Lopes nasceu, vendo-se em frente a ilha das Flores, onde ele veio a viver e falecer, depois de ter desempenhado actividade política importante.

 

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