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JOÃO XXIII
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A eleição de Angelo Roncalli, em 1958, causou alguma surpresa, já por sua avançada idade (77 anos) já por nem ter estado entre os “Papabili” para suceder a Pio XII, sendo até levianamente considerado como Papa de transição, vaticínio depressa negado.
Outra surpresa surgiu ao escolher o nome do Apóstolo querido de Jesus, quebrando tabu que vinha de 1334 com a morte do Papa de Avinhão João XXII, esta, porém, quase ignorada pela comunicação social, por mais interessada na profecia de São Malaquias – Pastor et Nauta -, ligando-a às viagens anteriormente feitas durante as duas Guerras.
Na verdade, nunca veio a sair da Itália, tendo-se deslocado apenas ao Santuário de Loreto.
Todavia, recuperou tradição antiga como Bispo de Roma, passando a percorrer as ruas da Cidade Eterna para presidir a actos litúrgicos e para visitas a prisões, o que teve a maior aceitação por parte dos romanos.
Também a sua boa disposição e alguns ditos, logo divulgados, tais como, sobre o rígido protocolo, dizer gracejando a funcionário: mas eu julgava que era o Papa quem mandava.
Embora parecendo nunca ter estado em sua mente vir um dia a sentar-se na Cadeira de São Pedro, os muitos anos de vida diplomática em importantes capitais como Paris ter-lhe-ão reforçado um espírito ecuménico.
Assim, em primeiros anos, criou um Secretariado para a Unidade cristã; recebeu em Dezembro de 1960 o Arcebispo inglês de Cantuária, e no ano seguinte enviou uma saudação fraterna ao Patriarca de Constantinopla.
Preocupou-se sobremaneira com a situação internacional, exortando à coexistência pacífica aquando da “guerra fria”, tendo tido importante papel na resolução do caso dos mísseis cubanos, valendo-lhe mesmo o elogio de Kruschev e de Kennedy, vindo a receber o Prémio Nobel da Paz.
Seguiu a política social de Leão XIII, chegando a apelar aos ricos para ajudarem os pobres, num espírito de amor e caridade cristã.
Se bem que a terceira e maior surpresa foi o inesperado anúncio do Concílio Vaticano II, há muitos anos esperado, pelo que teve grande repercussão no mundo católico e não só.
Pôs mesmo o maior empenho na sua preparação, e quando o Secretário responsável, lhe diz que os 3 anos estipulados não seriam suficientes, amistosamente logo responde: então façamos em dois.
Mas se João XIII teve a graça de inaugurar o Vaticano II na data prevista em 1962, não teve porém a de o encerrar, pois faleceu no ano seguinte, deixando em boas mãos a continuação das sessões até o enceramento em 1965 por .Paulo VI.
A propósito, o vaticínio de Roncalli quando Patriarca de Veneza: ao explicar a amigo a razão de ter dado a Montini a primazia na presidência de certo acto diz: está ali um futuro Papa.
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O encerramento da Estação Rádio Naval da Horta, após quase cem anos de bons serviços prestados a Portugal, aos Açores e ao Faial particularmente, é assunto assaz conhecido.
Por hoje, ficaremos apenas pelo que lemos no “Tribuna” quer no oportuno Editorial de MJS quer no comunicado do PSD faialense, quer ainda pela fina pena do jornalista e deputado faialense que, em louvável atitude, declinou convite para assistir à incompreensível sessão realizada na sede da que foi prestigiada Estação.
É que, dadas as circunstâncias, apenas havia que fechar a porta, aliás como aconteceu com a Escola do Magistério Primário.
E a haver música, o que felizmente não sucedeu, seria mais apropriado um requiem…
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Pescas são das poucas coisas que ainda não tiraram aos faialenses, ou roubaram, como agora dizem, mesmo em São Bento, embora não deixem de inventar um cantinho para as meter.
Desta feita, foi a nova Secretaria dos Recursos Naturais que mais parece uma salada de atum com batatas, temperada de puro ar.
Natural pois a nossa estranheza pelo facto de as Pescas não terem sido honradas com Secretaria própria.
Mesmo assim, terá sido graças às Pescas que Carlos César, quiçá com remorsos pelo saneamento da Semana das Pescas e de promessas não cumpridas, despediu-se com a criação na Horta da Escola de Formação de Marinheiros, à pressa anunciada e que, segundo o então Secretário da Economia, fará dos “Açores uma referência internacional”, o que, aliás, já o é o DOP.
Se bem que só acreditaremos na nova Escola quando a virmos funcionar, com professores e alunos, muito embora não estejamos a ver Vasco Cordeiro, de batata quente na mão, a dar o dito por não o dito.
A propósito, recorde-se que no último ano da década de 50 do século passado, foi inaugurada na Casa dos Pescadores, nas Angústias, uma Escola Elementar de Pesca que em segundo ano lectivo era frequentada por uma dúzia de jovens, tendo como professores: Herculano da Silveira, Piloto-mor; Carlos Silva, Sub-Tenente; Pe. Júlio da Rosa; e Monitores: João Lucas, Piloto do Porto e Gonçalves Correia, Patrão de Costa.
Arte de marinheiro, Cultura geral, Educação Física e Moral cristã eram em súmula, os ensinamentos prestados, gratuitamente.
De frisar também que era a Junta Geral do Distrito que suportava as despesas de alojamento, alimentação, vestuário e transportes.
Por sinal, tudo isto tive oportunidade de observar por iniciativa do saudoso amigo João Forjaz, Escrivão da Capitania e que foi um entusiasta da dita Escola.
E anos depois, o Doutor Engº. Frederico Machado, quando dirigia o Departamento de Oceanografia e Pescas pensou num curso intermédio, chegando mesmo a elaborar um programa com as disciplinas a serem ministradas em dois anos, mas que não foi aceite por Lisboa, com o incompreensível argumento de que não havia no Continente nada no género.
Naturalmente que isto aconteceu quando a nossa Autonomia ainda ensaiava primeiros passos e porventura também por o ilustre cientista não ser persona grata aos laranjas, locais.











