Covid-19 – sem fim à vista mas com resultado positivo à solidariedade

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1. Muito se tem falado acerca da necessidade de as entidades responsáveis definirem datas concretas para pôr termo à quarentena social, para o regresso às aulas, ao trabalho, enfim, para o retornar da vida à normalidade.
Tal decisão permitir-nos-ia iniciar uma contagem decrescente, num momento em que começamos a demonstrar alguns sinais de cansaço perante o isolamento a que estamos obrigados, sem saber quanto mais tempo de clausura ainda nos faltará cumprir.
Mas sei que a mesma não é certamente fácil. Como disse Anthony Fauci, imunologista da administração Trump, não podemos estabelecer uma data para o fim desta pandemia, pois “o vírus é que estabelece prazos”.
Houve países, como a Suécia, que não optaram por uma quarentena, mas preferiram criar uma imunidade de grupo através da manutenção das rotinas diárias da sua população, o que poderá significar ter cerca de 40% da população infetada para, posteriormente, atingir a imunidade desejada.
O Reino Unido, inicialmente, também colocou em hipótese esta opção, mas rapidamente inverteu a sua decisão após se ter apercebido que esse rumo levaria a um aumento de casos e a um surto descontrolado, com a mortalidade a poder atingir cerca de 200 mil pessoas.
No meio desta batalha que se intensifica a cada dia que passa, quando os casos começam a surgir, o fundamental é conseguir identificá-los, identificando também as pessoas com quem estiveram em contato, como se de um puzzle se tratasse, procedendo depois ao seu isolamento para abrandar a propagação do vírus na população.
Daí que a primeira linha de defesa contra esta doença seja a realização de testes.
Em Portugal continental, segundo a Direção-Geral da Saúde, no mês passado foram realizados 80 mil testes. Nos Açores, essa prática também tem sido seguida.
Singapura e a Coreia do Sul apostaram numa campanha de testes em massa e, dessa forma, minimizaram ao máximo a capacidade de propagação do vírus, conseguindo o já famoso “achatar da curva”.
Não se vislumbra que este problema desapareça num curto espaço de tempo, pois, segundo os especialistas, o achatamento da curva não demora um ou dois meses.
A única forma de sair disto é ter um tratamento ou uma vacina eficaz. E isso irá demorar, pelo que há que encontrar a melhor forma de seguir em frente e lidar com o problema que temos de forma proativa na nossa resposta.
E tal só se conseguirá, para além do imperioso cumprimento das recomendações das entidades, testando o maior número de pessoas possível.
2. Apesar destes tempos de pandemia nos obrigarem a ficar afastados, sem poder haver encontros espontâneos, concertos ou vigílias a unir as pessoas na sua dor, tal não significa que o mundo esteja desprovido de gestos de humildade e solidariedade.
As doações generosas de alimentos, a entreajuda entre os países, disponibilizando materiais e especialistas, as empresas de vários ramos de atividade a substituírem a sua produção por gel desinfetante, pelo fabrico de máscaras ou de ventiladores, ou ainda artistas de diferentes vertentes a realizarem espetáculos de forma gratuita na internet, são alguns dos exemplos de boas notícias que recebemos diariamente e que tornam estes momentos menos difíceis.
Vimos os italianos em quarentena a cantar nas suas varandas, ou a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, iluminada por bandeiras de países afetados pelo vírus.
Vimos em Portugal, França, Espanha e Reino Unido, muitos habitantes bateram palmas numa determinada hora para mostrar gratidão pelo trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde. Ou também milhares de profissionais de saúde por todo o mundo a responderem ao apelo para regressarem ao ativo.
São todos estes atos de bondade, pequenos e grandes, que nos lembram de quem somos e do mundo que queremos construir quando isto tudo acabar.  #FicaEmCasaFaial

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