Início Notícias Reportagem Cristina Abrantes, da Associação Amiga do Doente Crónico – Viva a Qualidade:...

Cristina Abrantes, da Associação Amiga do Doente Crónico – Viva a Qualidade: Cuidados Paliativos têm longo caminho a percorrer nos Açores

0
52

Amanhã, 12 de outubro, assinala-se o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos. A data, celebrada um pouco por todo o mundo, tem vindo a ganhar cada vez mais importância, devido ao crescente protagonismo que este tipo de cuidados vai ganhando.

 Com o aumento da longevidade da população e o aparecimento de cada vez mais doenças crónicas, o mundo assiste a um crescimento significativo dos doentes que não têm possibilidade de se curar. Nestes casos, a medicina não lhes pode devolver a saúde, mas isso não significa que o seu trabalho esteja feito. É aqui que entram os cuidados paliativos. Estes definem-se como uma resposta aos problemas decorrentes da doença prolongada, incurável e progressiva, na tentativa de prevenir o sofrimento que ela gera e de proporcionar a máxima qualidade de vida possível a estes doentes e suas famílias. São cuidados de saúde ativos e rigorosos, que combinam ciência e humanismo.

No Faial, à semelhança do que acontece na Região, não há ainda grandes progressos nesta área. Tribuna das Ilhas esteve à conversa com a enfermeira Cristina Abrantes, presidente da Associação Amiga do Doente Crónico – Viva a Qualidade, que falou sobre a importância dos cuidados paliativos e alguns mitos que importa combater.

Só na década de 60 do século passado se começou a abordar verdadeiramente a questão dos cuidados paliativos, com um movimento a surgir na Inglaterra e a expandir-se para o resto da Europa e para os Estados Unidos. O processo surgiu tardiamente e tem assistido a alguma morosidade, talvez pelo facto da doença incurável e a morte serem ainda um tabu. De acordo com a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, “a não-cura era (e frequentemente ainda continua a ser) encarada por muitos profissionais como uma derrota, uma frustração, uma área de não-investimento”.

No entanto, nos últimos anos tem-se assistido a uma tomada de consciência cada vez maior sobre a importância dos cuidados paliativos, e Portugal não é exceção. No continente, os cuidados continuados já se materializam com unidades de internamento e equipas comunitárias no terreno. No final de 2012, foi publicada a Lei de Base dos Cuidados Paliativos, que entretanto já foi adaptada à Madeira. Nos Açores isso nunca aconteceu.

A Região possui um núcleo da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, cuja direção Cristina integra. No Serviço Regional de Saúde, no entanto, estes cuidados não têm uma presença diferenciada e não se prevê que ela aconteça a curto prazo pois, como referiu a enfermeira, o plano de reestruturação da Saúde nos Açores é omisso nesse aspeto. O Governo Regional anunciou para 2014 a criação de uma rede regional de cuidados continuados e paliativos, no entanto Cristina entende que a Lei aprovada em 2012 no país é clara e recomenda que ambas constituam redes separadas.

O que existe nos Açores é uma adaptação da Lei de Base dos Cuidados Continuados, e uma tendência para misturar cuidados continuados e paliativos. No entanto, são duas coisas diferentes: “de acordo com a Lei dos Cuidados Continuados, já regulamentada para a Região, estes dividem-se em quatro tipologias: internamentos de reabilitação, média duração e longa duração, e cuidados paliativos”, explica Cristina.

“Os cuidados continuados permitem aliviar os hospitais”, salienta a enfermeira, não estando dedicados apenas aos doentes crónicos, mas também a qualquer paciente que tenha um tempo de convalescença longo. O custo diário de manter um doente numa cama de hospital é muito superior ao de mantê-lo numa enfermaria onde é assistido nesta convalescença. Daí a importância dos cuidados continuados. Na Horta, por exemplo, o Lar de São Francisco possui uma unidade de cuidados continuados, com cerca de 50 camas, que neste momento está cheia.

Os cuidados paliativos, por sua vez, “destinam-se a pessoas portadoras de doença crónica, cuja cura não existe, e essa doença vai incapacitando e degenerando o doente ao longo da vida, havendo a possibilidade da pessoa ter picos de bem-estar e outros de descontrolo dos sintomas. Os cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida destas pessoas”, explica a enfermeira.

Associação Viva a Qualidade celebra mês dos cuidados paliativos na Horta

A Associação Amiga do Doente Crónico – Viva a Qualidade foi criada em 2011, com o objetivo de facilitar a formação para os profissionais de saúde que trabalham com este tipo de doentes e, em simultâneo, ajudar as famílias e cuidadores a obterem a informação de que precisam.

O caminho tem sido percorrido, como reconhece Cristina, com passos de bebé. Todas as pessoas que compõem a associação têm outra atividade profissional e o trabalho nem sempre permite dedicação a esta causa. No entanto, já em 2013 a associação promoveu uma apresentação pública na Semana da Saúde. Durante o mês de outubro, dedicado a nível mundial aos cuidados paliativos, prevêem pôr em prática várias iniciativas. As primeiras ocorrem já amanhã, Dia Mundial dos Cuidados Paliativos. A associação vai estar no hipermercado Continente a distribuir marcadores de livros com informação que visa desmistificar alguns mitos. Esse é, de resto, o lema da World Hospice & Palliative Care Day: “Garantir o acesso universal a cuidados paliativos: clarificar mitos”. Além disso, a associação conta com o apoio do grupo Onda Jovem, que irá usar camisolas alusivas à efeméride durante o baile onde vai tocar neste fim de semana.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 11.10.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário

 

 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor coloque o seu nome aqui
Captcha verification failed!
Falha na pontuação do usuário captcha. Por favor, entre em contato conosco!