Pelouro do Mar!

0
8

O impacto quantitativo do Mar no contexto socioeconómico do Faial é de vital importância para o futuro desta terra. Se tentássemos analisar qual o valor acrescentado gerado direta e indiretamente com a economia do Mar, em valores monetários, mas principalmente no valor que conta mais, o humano, decerto que a forma como olharíamos para este setor seria outra.

O próprio setor da agropecuária, se for potencializado, aumenta as exportações da ilha, tendo que usar o porto e o Mar como meio de escoamento dos seus produtos. As pescas, por excelência, necessitam de um bom acesso ao Mar, das embarcações, das infraestruturas de apoio em terra (de frio e da restante logística).

Como fator emergente e em constante crescimento, o Turismo passa pelo Mar. Já é significativo o número de empresas de animação marítimo turística que operam com base no porto da Horta, e que geram sinergias com o alojamento turístico, com a viabilidade do transporte aéreo interilhas, mas principalmente com o continente português, fazendo com que o peso desta atividade seja tão relevante que começa a alimentar e a viabilizar outras à sua volta, com valores quantitativos muito significativos.

As atividades marítimo portuárias põem, mais uma vez, o Mar da Horta em relevo, pelo que devemos estar atentos a toda a promoção internacional possível, para que este porto, com dois braços e uma marina, mantenha e aumente de importância ao nível das mercadorias (mantendo a pressão sobre as plataformas logísticas), ao nível dos passageiros com as ilhas do Pico e de S. Jorge, através da melhoria da qualidade do serviço, e com a náutica de recreio internacional (como primeiro porto da Europa acostável com valências), potencializada também pelo clube naval.

Seria interessante questionar qual o papel do importante porto da Horta na nova autoestrada do mar, onde os navios, por questões ambientais, são movidos a gás.

O Mar também mexe com a indústria ligeira, existindo neste campo um oceano de oportunidades para tornar a reparação naval, quer física, quer tecnológica, como referência mundial no atlântico norte, com a criação de ambientes empresariais que captem estes investimentos e recursos humanos.

Há ainda outros domínios de elevado valor acrescentado da Horta com relação ao Mar, nomeadamente com a ciência e tecnologia, pelo polo da Universidade dos Açores. Infelizmente, mantém-se a mesma questão – que ressalta aos olhos dos gestores -, trata-se de uma instituição diamante, mas fechada num casulo quase autista, incapaz de desenvolver seu potencial económico e de cumprir a sua obrigação de contribuir para o desenvolvimento.

Não podemos, porém, deixar de ressalvar que está sedeada na Horta uma empresa cujo submarino pode ir a uns espantosos 1000m de profundidade. Só de imaginar o algoritmo de expoente máximo que este equipamento de elevada tecnologia pode acarretar, as sinergias que pode gerar são verdadeiramente brutais.

A aliar a estes pontos fortes da ligação ao Mar, a Horta detém o corolário de classificação de uma das mais Belas Baías do Mundo. No entanto, também este galardão, infelizmente, se encontra num casulo, em guerras de bastidores camarários, por um quadro pessoal ou outro, e necessitava de outro tipo de empurrão, um empurrão em promoção a sério, de que todos nós beneficiaríamos.

Mas este não é um Mar de rosas (literalmente), temos muitas ameaças pelo caminho, é um Mar cheio de alforrecas que não nos deixam progredir; não passamos de um pequeno burgo, pois já nos tiraram a Rádio Naval, já nos tiraram a fábrica do peixe, os projetos da universidade minguam (incluindo as aulas dos cursos de especialização tecnológica e o mestrado), as plataformas logísticas fazem a Horta recuar ao século passado…

Perante esta síntese de pontos favoráveis e potenciais e as ameaças do nosso Mar, há outro fator muito importante, quais são as soluções futuras da nossa ilha (sim, o passado já lá vai…), qual o setor verdadeiramente inovador, diferenciador a nível regional, com o potencial de crescimento de múltiplas atividades, qual o setor reconhecido como tal a nível regional? O MAR.

Face a estes factos, seria de todo lógico no mandato autárquico que se segue a criação de um pelouro do Mar a sério, pois é um assunto muito sério para o futuro desta ilha; mas um pelouro com objetivos bem definidos, que não servisse apenas para umas jantaradas e mariscadas para o povo ver…

 

frgvg@me.com

 

O MEU COMENTÁRIO SOBRE ESTE ARTIGO