Da necessidade de semear a esperança

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O insucesso escolar e educativo, o risco de abandono escolar, a indisciplina, o fracasso ao nível da aprendizagem, o absentismo, a violência, são alguns fatores que surgem associados, na sua grande maioria, a situações familiares económica e socialmente complexas, que a escola não ignora mas com as quais tem dificuldades em lidar.
É uma evidência que crianças sujeitas a prolongados períodos de adversidades, violência na família e stress psicológico apresentam uma saúde emocional frágil, maior propensão para comportamentos de risco e menor interesse pela aprendizagem. Também é uma evidência que a escola valoriza, sobretudo, as competências cognitivas e investe pouco nas áreas de desenvolvimento pessoal: autoestima, autoconfiança, estrutura e equilíbrio emocional, organização mental, relações interpessoais e aptidões sócioafetivas. Valorizam-se as Novas Tecnologias, a Matemática, o Português… No entanto, o desenvolvimento pessoal, os estímulos ao reforço da auto-estima são fundamentais pois dizem respeito à imagem que o ser humano cria de si próprio e devolve aos outros.
É uma evidência, também, que a escola tem a responsabilidade ética de educar, isto é, estimular a criatividade, o sonho, as expetativas, a autonomia, a responsabilidade, a resiliência e potenciar o que de melhor há nos seres humanos. Compete-lhe não apenas construir saberes, mas partilhar sentidos, interpretações, espaços de liberdade criativa, uma linguagem positiva e relações afetivas, intelectuais, sociais e valorativas, que potenciem a aprendizagem e o conhecimento.
Por fim, a questão do bem-estar subjetivo e da esperança. Poder-se-á definir a esperança como um valor intrínseco à estrutura da vida; uma virtude essencial ao ser humano e, consequentemente, ao seu desenvolvimento. Quando a esperança desaparece, acaba a vida em potência.
As neurociências atribuem um grande significado às metáforas da linguagem. Uma comunicação afirmativa e aberta à esperança opera a recognição e a evolução dos pontos fortes de cada aluno. A valorização dos sonhos individuais e coletivos, a identificação das competências a fim de as potenciar, permitem um grau de florescimento da pessoa humana, pois implicam o reconhecimento, valorizam a autoestima e abrem janelas de esperança a quem já desistiu e caiu na apatia ou no desânimo.
Há, consequentemente, que levar para dentro da escola um olhar positivo em vez da visão predominantemente negativa que possuímos sobre o comportamento humano.

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