Boas notícias… A capacidade de ensinar das derrotas do Partido Socialista no Faial

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TI

“Não pode ser seu amigo quem exige o seu silêncio.”

Alice Walker

1. Os faialenses demonstraram, em 2016 e 2017, que não se resignam com a forma como a nossa ilha tem sido tratada ao longo das últimas décadas, num caminho de propositado esvaziamento e asfixia económica.
Nas urnas, com o poder do voto, a comunidade do Faial mostrou ter uma vontade crescente de mudança.
O anseio de mudança demonstrado, que apanhou de surpresa aqueles que nos julgavam distraídos, tem suscitado reações contraditórias por parte do Partido Socialista do Faial, que parece meio perdido entre a tentativa de continuar a fingir perante a sua população e agradar em simultâneo à estrutura regional do partido.
Mas como veremos nos pontos seguintes, a pressão das restantes forças políticas e da população em geral, tem forçado o partido que governa a câmara há 28 anos a aceitar moções e outras tomadas de posição, que no mandato anterior mereciam invariavelmente a sua crítica e reprovação.
2. O Conselho de Ilha do Faial aprovou, na sua última reunião, uma deliberação sobre acessibilidades aéreas, em defesa desta ilha.
Apesar da tentativa inicial de desmerecer a proposta, de o Presidente da Câmara ter chegado ao ponto de questionar a legitimidade de um deputado – no caso, eu próprio – para apresentar uma iniciativa dessa natureza, e das sugestões para substituir algumas expressões no documento por outras mais simpáticas para o Governo do Partido Socialista, a deliberação foi aprovada por unanimidade.
Foi aprovada sem que o texto se tornasse mais simpático, introduzindo somente a referência à conclusão dos voos-teste do sistema RISE, cuja informação foi prestada no decurso da mesma reunião.
Ao exigir o reforço de ligações, tarifas adequadas nos voos diretos Lisboa-Horta, a promoção desta mesma rota e a melhoria global e imediata do serviço prestado, a deliberação aprovada constitui uma crítica direta ao Governo e ao Partido Socialista dos Açores, e uma demonstração de força do Faial.
3. Na reunião da Assembleia Municipal realizada no passado dia 23, mereceu também amplo consenso uma longa intervenção sobre as acessibilidades marítimas, protagonizada pela bancada municipal do Partido Social Democrata, cuja conclusão se materializa num apelo ao Governo e à Atlânticoline para que assumam as suas responsabilidades com vista à promoção da regularidade, qualidade e confiança na prestação do serviço público do transporte marítimo.
A partir da constatação do caráter fundamental dos transportes marítimos para as ilhas do Triângulo, e tendo por base o condicionamento decorrente da imobilização definitiva do navio Mestre Simão, foi realçada a importância da identificação e adoção urgente de soluções para satisfazer as reais necessidades destas ilhas.
Infelizmente, o Governo parece não querer ouvir.
4. Os deputados municipais aprovaram ainda uma moção sobre transportes aéreos (também do PSD) e outra sobre a operacionalidade do porto da Horta (CDU).
Relativamente à primeira, eu destacaria um dado concreto e muito preocupante: em número de passageiros, o aeroporto da Horta cresceu nos últimos 17 anos tanto quanto o aeroporto da Terceira cresceu apenas num ano, em 2017.
Este é o resultado da política de estrangulamento do nosso aeroporto, praticada pelo Governo Regional dos Açores com a cumplicidade do conselho de administração da SATA e com a conivência daqueles que, sendo faialenses, têm colocado o seu bem-estar pessoal à frente dos interesses da nossa ilha.
5. Os dados sobre o desenvolvimento do Faial revelam uma perda sistemática de importância no contexto regional, algo que toda a população vê, mas que aqueles que vivem à sombra do poder tentam desmentir diariamente.
A boa notícia é que as derrotas em eleições podem ser boas professoras para o Partido Socialista. Esperemos que os faialenses reforcem ainda mais a sua capacidade de ensinar nos próximos atos eleitorais!!!

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