Dart: Uma Família Irlandesa nos Açores e no Mundo

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A Direção Regional da Cultura, através da Biblioteca Pública da Horta, promoveu o lançamento do livro sobre a genealogia da família Dart, da autoria de Jorge Forjaz.
A cerimónia de apresentação da obra esteve a cargo do historiador e genealogista Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz.
 
Jorge Eduardo de Abreu Pamplona Forjaz, historiador e genealogista, natural de Angra do Heroísmo, lançou no passado dia 8 de setembro, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça (BPARJJG), a sua mais recente obra Dart: Uma Família Irlandesa nos Açores e no Mundo.
A acompanhar o autor esteve o Diretor da BPARJJG, Luis São Bento, e o Professor e Escritor, Victor Rui Dores, que procedeu à apresentação da obra no seu lançamento.
Licenciado em História, e com o curso de Bibliotecário-Arquivista, Jorge Forjaz foi Diretor da revista Atlântida, Diretor do Museu e Conservador da Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Angra do Heroísmo, bem como Diretor Regional dos Assuntos Culturais.
É autor de diversos trabalhos histórico-genealógicos, nomeadamente, Os Monjardinos (1987), Famílias Macaenses (1996), Genealogias da Ilha Terceira (2007) e Genealogias das Quatro Ilha- Faial, Pico, Flores e Corvo (2009) – em conjunto com António Maria Mendes.
Na sessão de lançamento, Victor Rui Dores avaliou a obra de Jorge Forjaz, “fruto de uma longa investigação ao longos dos últimos dez anos”, como sendo “um monumento”, propondo-se a analisá-la segundo a sua área- a antropologia cultural.
Victor Dores referenciou os antepassados do autor, “trineto de George Philips Dart (por via materna)”, filho do “incontornável Dr. Cândido Forjaz” e Eduardo Augusto da Rocha Abreu como tio-bisavô, considerando que “Jorge Forjaz é um genealogista que começou por fazer a genealogia da sua própria família”.
Citando Tolstói, “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”, Victor Rui Dores salientou que o autor “iniciou-se a fazer investigação na sua casa da Rua da Sé, em Angra eacabou em Macau, e a viajar por todo o mundo a estudar a história de famílias”.
“São décadas de labor genealógico (antes da era da informática, Jorge Forjaz chegou a meter 500 cartas no correio num só dia), de contínuo e continuado estudo, de persistente análise e consistente reflexão, enfim, uma vida inteira dedicada à pesquisa, com resultados que saltam à vista e com obras de peso (…) estamos perante um investigador que faz pesquisa in situ”, evidenciou ainda.
Na ocasião, Victor Rui Doressumarizou a obra de Jorge Forjaz, explicando que esta resgata e estuda a descendência de cinco irmãos de Waterford, no sul da Irlanda- George, William, Richard, Joseph Henry e ThomasDart-, que vieram para os Açores em busca do negócio da exportação da laranja. 
Dos cinco irmãos, três fixaram-se nas ilhas de São Miguel (William Dart), Faial (Thomas Dart, cônsul britânico da época na Horta) e Terceira (Joseph Philips Dart), retrato da capa do livro.
“Dart, uma família irlandesa nos Açores e no Mundo” é uma obra com 433 páginas e 24 capítulos, ilustrados com fotografias e documentação gráfica.
Para o autor, Jorge Forjaz, “o passado é a memória deixada pelas pessoas que por aqui passaram e só se mantém enquanto houver alguém que se lembre delas”. 
Neste sentido, o historiador propõe-se na sua obra a impedir a extinção da família Dart da memória e, refere ainda, que em contactos com a Sociedade Histórica de Waterford descobriu que o nome desaparecera de lá.
Jorge Forjaz explicou a dificuldade e os obstáculos que se põe na realização de genealogias, referindo que a primeira fase de uma obra deste tipo passa pela investigação, documentação e trabalho nos arquivos e a segunda pelo contacto direto com as pessoas, muitas vezes dificultado pelo facto de estas não saberem ou não quererem ceder informações.
Como exemplo da complicação que é o processo de investigação, o autor diz que, como referiu Victor Rui Dores, chegou a colocar 500 inquéritos genealógicos por correio, dos quais recebeu apenas 150 respostas.
“Significa que 350 pessoas nem responderam, mas são essas pessoas que, normalmente, quando sai o livro vêm dizer que falta o seu nome ou que ele não está certo”, acrescentou o genealogista. “As coisas nem sempre correm bem”.
Segundo Jorge Forjaz, a obra constitui a história da família, quem foram, o que fizeram e qual o seu contributo para a identidade açoriana.
Para o autor, “a genealogia mais difícil de fazer não é em busca dos antepassados, é do antepassado em busca dos seus descendentes (…) quando pego em alguém do passado, não sei quantos descendentes é que ele teve”
O ramo genealógico dos Dart está completo no Faial e na Terceira e, para Jorge Forjaz, o ramo de São Miguel, dado o vasto número de filhos de William Dart, “é um capítulo que acho que ainda vai aparecer”.
A título de curiosidades, o autor referiu que dos cinco irmãos apenas existe o retrato de quatro, estando o retrato a óleo de George Dart na sua posse, o de Thomas Dart na América e os outros dois retratos em Inglaterra.
No terminar do evento, Jorge Forjaz destacou a presença dafamília Dart na sala, acrescentando que quando lançou o livro na Terceira, há um mês, também lá estavam parentes, mas nenhum deles de nomeDart “porque o nosso avô terceirense só teve filhas e um filho sem descendência”.

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