Desmistificar a disponibilidade

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Na passada edição deste semanário, o meu colega colunista Luís Botelho, em jeito de resposta a uma constatação que eu havia feito relativamente ao facto de o PS Faial, regularmente, apenas conseguir que o sexto elemento das suas listas à Assembleia Legislativa Regional (ALRAA) exerça funções, decidiu na sua coluna vir fazer as despesas na defesa do seu delfim.

Dentro de um rol de imprecisões que enunciou, importa começar pelo princípio e repor a verdade, até porque a mesma apenas demonstra a ignorância da lei eleitoral por parte de alguém que ocupa a vice-presidência de um órgão autárquico.
Disse então o colega colunista que o escriba, tendo nas autárquicas de há 4 anos concorrido em 4 lugar na lista da coligação PSD/CDS-PP/PPM à Câmara Municipal da Horta (CMH), na indisponibilidade dos vereadores da coligação eleitos participarem nas reuniões deste órgão, nunca participou nas mesmas.
Ora, só posso aceitar o elogio por aparentemente ter sentido a minha falta nessas reuniões, mesmo que essas sejam totalmente vazias de conteúdo por opcção do actual executivo, uma vez que apenas leva à discussão a isenção de taxas para a realização de bailes por parte das colectividades da ilha…
Passo então a explicar o motivo pelo qual não teve oportunidade de privar comigo nas reuniões da CMH transcrevendo um excerto da lei eleitoral autárquica.

“Lei 5 – A de 2002 de 11 de Janeiro – Artigo 79.º Preenchimento de vagas:
1 – As vagas ocorridas nos órgãos autárquicos são preenchidas pelo cidadão imediatamente a seguir na ordem da respectiva lista ou, tratando-se de coligação, pelo cidadão imediatamente a seguir do partido pelo qual havia sido proposto o membro que deu origem à vaga.”
Espero tê-lo esclarecido neste particular. Entretanto também insinuou que se porventura a minha lista à ALRAA tivesse conseguido um mandato eu não assumiria o lugar… Bem só posso informá-lo de que mesmo não tendo sido eleito continuo a trabalhar com o grupo parlamentar do CDS-PP em prol daquilo que são os projectos que julgamos importantes para o Faial.
Depois, e relativamente aos diversos ocupantes do tal 6º lugar que acabou por enumerar como ilustres políticos saídos dessa posição, resta-me informá-lo que pode ter existido um candidato João Castro nessa posição, mas o mesmo nunca ocupou o lugar, não cabendo, portanto, nos políticos catapultados pelo mítico lugar.
Quanto ao actual representante do Faial na ALRAA, nunca aludi às suas capacidades e muito menos à sua idade, apenas salientei o facto de não serem conhecidas as suas posições acerca de nada do que está na ordem do dia naquilo que concerne o Faial.
Para que perceba melhor, o que me frustra e ofende enquanto eleitor, é o facto de mesmo votando projectos eleitorais de partidos, olhar para a pessoa que encabeça esse desafio e rever nela a capacidade para o levar a bom porto, e depois acabar defraudado porque quem deu a cara afinal não tinha qualquer interesse em assumir o cargo. Digamos que era o mesmo que, e aproveitando o facto de termos tido cá na ilha o Presidente da República Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, V. Exª ia novamente em numero 2 e convidava-o para encabeçar a lista do PS à CMH e depois, por obvia indisponibilidade deste, ficávamos consigo como presidente do município! Um cenário de sonho..!
Outra característica que valorizo é o carácter. Quem dá a cara, ou tem genuíno interesse em assumir o cargo ou então deve abster-se de defraudar os seus conterrâneos. No caso do PS Faial isto parece subvalorizado. Não preciso de lhe relembrar o caso do vereador que quando confrontado com a incompatibilidade entre salário e reforma optou pela reforma, não admitindo exercer o cargo apenas pela perspectiva de poder servir.
Depois parece que para si o verniz estala quando se fala no Sr. Presidente da Assembleia Municipal. Aqui remeto-o para o paragrafo anterior.
Ora eu entendo a politica como serviço público, e o único proveito que os políticos devem retirar dos cargos que ocupam é o prestigio, se tiverem efectivamente lutado pelo interesse comum. Enquanto cidadão também lhes pago o salário, logo, não sinto que deva nada a nenhum.
Talvez por isso o PS Faial no panorama regional seja irrelevante, e o Faial seja também cada vez mais empurrado para a irrelevância. Os políticos locais, neste longo reinado socialista, andaram demasiado tempo preocupados com a sua situação e não com a situação dos Faialenses.

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