Despacho do Governo surpreende Unisénior e Grupo dos Amigos dos Cabos Submarinos

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Um despacho do Governo com uma ordem de interdição da utilização do edifício da Trinity House apanhou de surpresa a Unisénior do Faial que agora se vê abraços com a falta de um espaço para funcionar no próximo ano letivo.
Surpreendido ficou também o Grupo dos Amigos dos Cabos Submarinos que há mais de uma década aguarda
a instalação do Museu das Comunicações naquele edifício.

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Quando se preparava para começar a trabalhar no arranque do próximo ano letivo, que tem início já na próxima semana, a Unisénior do Faial foi informada que um despacho do Governo emitido a 23 de agosto, ordenava a interdição da utilização da Trinity House, por motivos de segurança.Segundo a Unisérior, o ano passado já havia sido marcado por “sucessivas interrupções” devido a avarias no sistema elétrico decorrentes de infiltrações no edifício, que vinham a ser resolvidas através de pequenas reparações por parte da Universidade e da Escola Básica e Integrada da Horta que tutela o edifício.
De acordo com aquela instituição, nada fazia prever esta “situação” e foi com surpresa que recebeu esta informação, vendo-se agora obrigada, num curto espaço de tempo, a encontrar um espaço onde possa funcionar.
No documento enviado à comunidade escolar pelo Grupo de ccordenação a que o Tribuna das Ilhas teve acesso, a Unisénior, salienta “estranhar o adiamento da tomada de decisão do Governo para assegurar, como era sua obrigação, a preservação de um edifício classificado como de interesse público” e, por outro lado, a “informação da interdição a poucas semanas do início do próximo ano letivo, criando uma situação de difícil solução” para a Unisénior.

Grupo dos Amigos
dos Cabos Submarinos também não se conforma com o estado do edifício
Também o Grupo dos Amigos dos Cabos Submarinos lamenta que o edifício da Trinity House tenha entrado numa situação de risco. E não compreende porque é que o Governo nunca recorreu à verba inscrita no Orçamento Regional – “o Museu do Cabo Submarino” – para proceder a obras de beneficiação do edifício.
O Grupo lembra que ainda no início do mês de agosto, no decorrer da sessão comemorativa dos 10 anos do projeto para a musealização da “Horta dos Cabos Submarinos”, na presença da diretora regional da Cultura, o representante da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta (AAALH), apontou a falta de atenção por parte do Governo para com a Trinity House, “edifício classificado de interesse público regional, um ícone da história das telecomunicações mundiais e onde se aguarda que seja instalado “in situ”, centrado no antigo “operating room”, o museu do cabo submarino”.
Na ocasião, a denúncia foi também reforçada com outros argumentos, como o atraso no cumprimento de uma Resolução aprovada em 2013, por unanimidade, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, publicada em Diário da República, que entre várias orientações ainda por cumprir, recomenda a realização de beneficiações na Trinity House.
Nesta sessão, foi também referido, o desvio para outros fins, de pequenas verbas inscritas em sucessivos orçamentos para atender à preservação da Trinity House.
No entender dos Ex-Cabografistas “todo este quadro traz um inquietante prejuízo para o que a sociedade em diversas oportunidades sempre julgou ser um compromisso político responsável – o Museu do Cabo submarino”, salientando que “foi o próprio Governo que anunciou em 2017 em nota à comunicação social que o concretizaria já a partir deste ano”.
No entanto, essa realidade já não será possível porque “chove na Trinity House! Ou melhor deixou-se que passasse a chover”, lamentam.
A AAALH/Grupo dos Amigos da Horta dos Cabos Submarinos queixam-se, ainda, que passado quase uma década de trabalho, o Governo ainda não tenha avançado com o projeto.
Para os AAALH e para o Grupo dos Amigos da Horta dos Cabos Subma-rinos a questão carece agora de mais respostas, com a ordem do Governo de interdição da Trinity House por motivos de segurança.
Neste contexto, questionam sobre “quais as razões que obrigaram a esta medida de emergência. Porque não foram aplicadas na beneficiação da Trinity House as verbas inscritas para o Museu do Cabo Submarino ao longo dos últimos anos. Conhecendohá muito a gravidade da degradação do edifício porque não foram realizadas as obras necessárias?”
“A proibição de utilização agora declarada significa que estavam já planeadas as obras e que estas começarão brevemente? Ou, só a partir de agora, terá lugar todo o processo de preparação do concurso para as obras? Quando serão iniciadas? Qual é o âmbito dessas obras? Só a cobertura, ou será aproveitada a oportunidade para iniciar também as obras relativas à preparação da zona destinada ao Museu do Cabo Submarino”, são algumas das questões que a AAALH e o Grupo dos Amigos da Horta dos Cabos Submarinos gostariam de obter resposta.
Sobre estas questões , o Tribuna das Ilhas contactou a Secretaria Regional da Edução e Cultura, que esclareceu que a interdição da Trinity House “vem na sequência de uma inspeção interna feita pela Direção Regional da Educação – DRE que constatou o estado de degradação do edifício, com eventuais situações de risco para os utilizadores do espaço”, acrescentando que “por questões de precaução, e considerando que a segurança no usufruto da Trinity House não está assegurada, a SREC entende que é prioritário a salvaguarda das pessoas”, explica.
Relativamente ao facto de nunca terem sido usadas as verbas inscritas no Orçamento Regional destinadas ao Museu dos Cabos Submarino para conservação do referido edifício. A Secretaria refere que “a realização da obra da Trinity House estava dependente do avanço da 2.ª fase da EBI, que ocorrerão no início da próxima legislatura, pelo que até lá a Trinity House continuaria a servir transitoriamente de pavilhão desportivo, na zona do Operating Room, para os alunos do 1º ciclo”.
Tribuna das Ilhas e na sequência do anuncio do Governo na comunicação social, de que estão programadas obras no edifício para breve, questionou sobre a que correspondem essas obras e se as mesmas incluem já o projeto do Museu dos Cabos Submarinos anunciado pelo Governo para o ano de 2020?
Sobre esta questão a Secretaria respondeu que “as obras estão previstas para 2020 e irão concretizar o que é prioritário, nomeadamente ao nível da cobertura e das questões da segurança do espaço. Este já é um investimento estrutural para o desenvolvimento do Museu dos Cabos Submarinos, constituindo uma primeira fase do projeto que será desenvolvido nos anos seguintes”.
Este Semanário quis ainda saber, quando é que o Governo pretende avançar com o Museu dos Cabos Submarinos, bem como com o Memorial da Alagoa, prometido há mais 10 anos?
Sobre este assunto, a Secretaria avança que “o Museu dos Cabos Submarinos e o Memorial da Alagoa serão concretizados na próxima legislatura. O projeto museológico está feito e com a consolidação do edifício do ponto de vista estrutural, seguir-se-á a elaboração do projeto de arquitetura e de espacialidades”.
Em relação à situação da Unisérior e dos alunos da Escola Básica António José de Ávila tinham aulas na Trinity House, a Secretaria adianta que “o Governo está disponível para colaborar numa solução que permita que a Unisénior continue a desenvolver as suas atividades, eventualmente em colaboração com as entidades municipais e associativas” e que “os alunos do 1.º ciclo do básico vão ter as aulas de educação física no pavilhão desportivo”, esclarece. g

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