ATSF preocupada com estado de degradação da Trinity House

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Trinity House

Num comunicado enviado às redações, esta segunda-feira, a Associação de Turismo Sustentável do Faial (ATSF) manifestou a sua “extrema preocupação” com o anúncio do encerramento do edifício da Trinity House, que na semana passada foi declarado pelas entidades governamentais em “estado de risco”.
Este edifício, que “desempenhou um papel único e essencial na história das comunicações por cabo telegráfico submarino nos Açores”, em 2015 foi classificado pelo Governo Regional como Imóvel de Interesse Público, lembra a ATSF no documento, acusando as entidades públicas responsáveis de não “terem acautelado a sua conservação”, permitindo que o mesmo se “degradasse ao ponto de terem que ser agora interditadas, por questões de segurança, todas as atividades que lá decorriam e dada ordem de despejo às entidades que ocupavam o espaço”, lê-se.
De acordo com a ATSF o estado de degradação “extremo” deste edifício, que classifica como de “tão emblemático como de estratégico para o futuro do Faial”, espelha o “abandono a que o património da ilha tem sido votado por parte das autoridades e organismos competentes”, observa.
No comunicado a ATSF lembra ainda que “há 10 anos atrás foi prometida a criação e instalação na Trinity House de um museu da história das comunicações”, que considera como “um equipamento fundamental para salvaguardar a memória e identidade da ilha e valorizar o papel histórico que a Horta desempenhou a nível mundial no âmbito das comunicações transatlânticas”, lamentando a este respeito que passada uma década “poucos ou nenhuns os avanços”, tenham sido feitos havendo apenas a registar “promessas por parte do Governo Regional, sem prazo ou objetivos definidos”.
A ASTF recorda que este ano desenvolveu diversas ações no sentido de chamar a atenção das autoridades competentes “para a ausência de uma política de preservação e valorização do património histórico da ilha do Faial.
“Logo no início de 2019, ao analisar o documento oficial da revisão do POTRAA (Plano de Ordena-mento Turístico da Região Autónoma dos Açores), a ATSF constatou que no mesmo era indicado que, na ilha do Faial, o Património estava classificado como sendo um “atrativo turístico secundário” e apontado como uma área cuja evolução se encontra “sem previsão de alteração”.
Neste contexto, a associação, que defende “um modelo de desenvolvimento turístico assente na excelência e na valorização e preservação dos ativos naturais e culturais da ilha do Faial, mostrou no seu parecer, entregue à Direção Regional do Turismo, que estava “em completo desacordo com esta visão do património e que, se o mesmo não representava atualmente uma mais valia evidente para o turismo, isto se devia à inação das autoridades e à falta de estratégia para a valorização do património histórico e cultural da ilha”, refere.
No sentido de inverter este paradigma a ATSF organizou, em junho passado, um debate público sobre o tema “Valorização do Património e Turismo”, onde participaram profissionais do sector do turismo, arquitetos, historiadores e a população em geral.
Também em junho, a ATSF reuniu com Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo, tendo entregue um documento no qual salienta a importância da criação de uma estratégia de preservação do património histórico da cidade da Horta que permita a sua valorização enquanto atrativo turístico.
Reforçando a sua preocupação em relação à interdição do edifício e ao anúncio do “estado de risco”, a direção da ATSF defende que “é importante que as entidades públicas venham agora esclarecer publicamente que medidas estão a tomar para salvaguardar a Trinity House e evitar que o estado de degradação avance ainda mais durante este próximo inverno.
Por outro lado, considera ainda fundamental que sejam anunciados “os planos e prazos para a reabilitação profunda do edifício e para a implementação do anunciado museu da história das comunicações”, concluiu. g

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