Detesto que me chamem ultraperiférico. Uma aviltante forma de marginalização – 1

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Ricardo Madruga da Costa
DR/TI

Por: Ricardo Madruga da Costa

O reconhecimento de um incómodo rol de constrangimentos que afectam o desenvolvimento dos Açores, não pode legitimar que a União Europeia, de forma indefinida, ano após ano e, em particular, nas mais recentes duas décadas do regime autonómico, permita o flagrante e profundo estado de atraso das ilhas dos Açores. E para caracterizar benevolentemente o estado de decrepitude em que têm sido mantidas, chamam-lhes, a elas e a outras mais, regiões ultraperiféricas. De facto, face ao infindável arrastamento da situação de atraso que nos penaliza, parece que a persistência de um estatuto que implicaria um razoável prazo, passou com o tempo a configurar uma habilidade semântica destinada a rotular, de forma subtil e pretensamente favorável, uma realidade político-geográfica, que sendo da maior relevância para a Europa, passou de facto a uma condição de inaceitável marginalidade. Por esta razão, quando o GRA há alguns meses entendeu que o arquipélago deveria beneficiar de um acréscimo de vacinas, achei repugnante que um deputado tenha manifestado a opinião de se tratar de uma visão “pedinchona e de curto alcance da «ultraperiferia»”.

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