Dia Internacional Contra o Fascismo e o Anti-Semitismo

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O Dia Internacional Contra o Fascismo e o Anti-Semitismo é comemorado, anualmente, a 9 de novembro.

A data alude à noite do dia 9 de novembro de 1938, que ficou conhecida como a Noite de Cristal e deu início a um dos episódios mais sombrios da história da humanidade: o Holocausto.
O dia foi criado pelo Parlamento Europeu, tendo em vista a luta contra o racismo e a xenofobia, na União Europeia. Dizer não ao fascismo e ao anti-semitismo é o objetivo da data.
De 9 para 10 de novembro de 1938 ocorreram agressões contra judeus. Foram incendiadas e destruídas centenas de sinagogas, profanaram-se cemitérios judaicos, destruíram-se e saquearam-se mais de 7500 lojas e habitações, mataram-se centenas de pessoas e 30 a 35 mil judeus foram deportados. O pretexto para estas ações foi o assassinato do secretário da embaixada alemã, em Paris, Von Rath, cometido por um jovem judeu polaco, a 7 de novembro.
A doutrina fascista e anti semitista do nazismo seria responsável, segundo alguns especialistas, por mais de 6 milhões de pessoas desaparecidas, mortas ou assassinadas. A data é recordada, anualmente, não só pelos alemães, mas também pela Europa e um pouco por todo o mundo, com o Dia Internacional Contra o Fascismo e o Anti-Semitismo. Quem estuda o fascismo, sabe que a mera definição do conceito é uma tarefa complexa. Os historiadores dizem que é uma questão teórica e conceptual que já foi, abundantemente, debatida na historiografia da Europa (e não só) do século XX, que não se pode definir, em poucas palavras. Segundo a definição dos dicionários, um anti-semita é uma pessoa inimiga da raça judaica, da sua cultura ou da sua influência.
Os casos declarados de anti-semitismo na sociedade portuguesa são ainda escassos, prendendo-se, exclusivamente, com a atividade, muito esporádica, de grupos de extrema-direita. Salienta-se o episódio quando dois skinheads (de 16 e 24 anos de idade) foram capturados pela polícia enquanto vandalizavam o Cemitério Judaico de Lisboa. Segundo a Comunidade Israelita, foram vandalizados cerca de 20 túmulos, alguns deles através da inscrição de símbolos nazis. Este ato de anti-semitismo foi fortemente repudiado pelo Alto Comissário para a Imigração e Diálogo Intercultural e pela Comunidade Israelita de Lisboa. As manifestações de discriminação contra a comunidade religiosa são, praticamente, inexistentes e os possíveis estereótipos ainda prevalecentes, acerca dos judeus, nunca se chegam a traduzir em comportamento discriminatório (à exceção das ações esporádicas dos grupos de extrema-direita).
Lembrar o Holocausto para os povos que aspiram à liberdade, à democracia, à paz, à independência e à cooperação não só tem significância como nos interpela perante a acelerada militarização das relações internacionais e os crescentes atentados a direitos e liberdades fundamentais, não raras vezes hipocritamente invocados para justificar estratégias de cariz securitário e opções belicistas. Hoje, os bombardeamentos indiscriminados sobre populações civis, o uso de novas armas de destruição massiva, a prática de torturas e prisões arbitrárias configuram vontades que ativam memórias de extermínio. Extermínio repetente, sistemático e calculista dos indesejáveis e dos incómodos. Foi esta, também, a doutrina racista e fascista de Hitler e dos seus seguidores, que não visou só os judeus, mas também os comunistas, os pacifistas, os negros, os ciganos, os deficientes, os pobres, os diferentes.
Devemos estar atentos, quotidianamente, para a indispensabilidade e para a exigência de nos afirmarmos como atores principais de um outro mundo, cujo relacionamento entre os povos se construa no respeito mútuo, na cooperação e na procura do progresso.
Curiosamente, no dia 9 de novembro celebra-se também a queda do muro de Berlim, em 1989, pondo fim à Guerra Fria, reavivando o desejo de liberdade, união e reencontro, valores que devem ser sempre ser preservados no Mundo. 

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