Dia Mundial do Ambiente 2011

0
15

Já escrevi neste jornal e em anos anteriores sobre o Dia Mundial do Ambiente. Da última vez que o fiz, em 2010, assinalei o dia fazendo uma súmula dos diferentes certificados ambientais com que foi galardoado o nosso património. Em conjunto com o símbolo de uma das Mais Belas Baías do Mundo, que a Horta já pode ostentar, são dezenas de momentos que identificam a qualidade ambiental que nos rodeia e que reconhecem a nossa capacidade de a gerir. Obviamente, se nos vão atribuindo esses certificados, também nos colocam pressão para que mantenhamos a sua qualidade e aumentemos de forma sustentável o seu usufruto.

Em 2010, referindo-me aos dados então disponíveis, assinalei as 6500 espécies registadas. Hoje, depois da publicação do Professor Paulo Borges que sumariza este autêntico espólio, são mais de oito mil. Nesse mesmo artigo, mencionei as bandeiras azuis da Região. Hoje, são 33 zonas balneares galardoadas e 14 classificadas como praias acessíveis.

Apesar de ter sido apenas há um ano atrás, já percorremos um interessante caminho que pretende agora essencialmente valorizar e recuperar os pontos menos felizes do nosso ambiente. Por exemplo, está a ser feito um esforço elevadíssimo para recuperar a Baía da Horta em relação à invasão de uma alga verde, a Caulerpa webbiana, as estruturas para gestão de resíduos estão a ser construídas ou em fase final de projecto em todas as ilhas dos Açores e há uma luta constante contra a flora invasora terrestre. A Direcção Regional do Ambiente está a conduzir os trabalhos nestas duas últimas frentes e, ao mesmo tempo, valoriza constantemente o património existente. A extensão do Jardim Botânico do Faial é apenas o último exemplo de uma longa lista.

Na intensificação da acção para aperfeiçoamento do nosso património colectivo, o Director Regional do Ambiente, Dr. João Carlos Bettencourt, tem acompanhado no terreno as diferentes actividades do EcoFreguesias. Verifica-se que há um esforço elevado por parte das autarquias na identificação e colmatação do abandono de resíduos, aumentando, em muito, a intolerância dos cidadãos em relação às más práticas ambientais.

Mas o ambiente está longe de ser apenas as espécies, os habitats e a gestão de resíduos. Como foi recentemente anunciado, o Parque Eólico do Faial vai ser renovado e deslocalizado, aumentando em larga escala a sua capacidade. Com esta acção, ao mesmo tempo, reduzimos as emissões de Carbono para a atmosfera e reduzimos o preço a pagar pela energia que consumimos. Em época de instabilidade do preço da energia com origem fóssil, esta é uma acção que muito nos poderá beneficiar.

A diversificação agrícola, consequente à estratégia lançada pelo sector agrícola do Governo Regional, tem-se consubstanciado em linhas de crédito para os inovadores e acções de sensibilização para os profissionais ainda renitentes. Esta é uma opção de valorização da nossa qualidade neste sector produtivo e, quer-me parecer, irreversível se quisermos competir no mercado global.

Em relação ao ambiente marinho, em fase de expansão para lá da Zona Económica Exclusiva, a observação de cetáceos dos Açores atingiu um patamar de enorme reconhecimento internacional, estando entre os dez melhores sítios do mundo, segundo uma publicação internacional e a observação de tubarões, que ainda em 2010 estava em aparecimento hesitante, está em crescimento e já com boas consequências económicas. Felizmente adivinham-se também novas actividades, como a exploração energética no alto-mar e a exploração minerológica. Saibamos nós estruturar e planear essas actividades para que os benefícios sejam sustentáveis, responsáveis e equitativos. O futuro é lançado todos os dias pelos homens e mulheres de bem, que têm visão e capacidade de acção. No fundo, todos nós!