Dia Mundial dos Oceanos é já segunda-feira

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Aqui fica a dica para marcar no seu calendário. Depois deste difícil tempo de clausura, assinale a próxima segunda-feira, dia 8 de junho, como o momento para comemorar o Dia Mundial dos Oceanos, isto apesar de a Conferência dos Oceanos 2020, que se iria realizar em Lisboa nos dias 2 a 6 de junho, ter sido adiada devido ao novo coronavírus.
Remontando a sua génese à Conferência da ONU sobre Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, dezenas de países, incluindo Portugal, têm aderido a essa celebração, na qual se pretende informar o público sobre o impacto das ações humanas nos oceanos, desenvolver um movimento mundial de cidadãos e mobilizar e unir a população dos diferentes países em torno de um projeto de sustentabilidade dos oceanos do mundo.
Os oceanos cobrem hoje três quartos da superfície da Terra, contêm 97% da água e representam 99% do espaço vital do planeta em volume. De acordo com as Nações Unidas, mais de 3 mil milhões de pessoas dependem da biodiversidade marinha e costeira para a sua subsistência e são o principal regulador térmico do planeta, absorvendo mais de um quarto do dióxido de carbono libertado pelas atividades humanas.
Em Portugal, e também nos Açores, esta data é tradicionalmente assinalada com várias iniciativas de limpeza do mar, ao mesmo tempo que se alerta para a poluição nos oceanos e para a necessidade de preservação da natureza.
Em apenas um ano, os oceanos receberam 13 milhões de toneladas de plástico. Garrafas, embalagens, palhinhas, correias de plástico e materiais de pesca constituem a maior parte do lixo encontrado nos mares. Segundo o Parlamento Europeu, em 2018 os oceanos já albergavam mais de 150 milhões de toneladas de resíduos plásticos, e a perspetiva, caso esta tendência não seja revertida, é de que até 2050 poderá haver mais plástico do que peixe nos oceanos.
Apesar de, em 2018, os eurodeputados terem aprovado uma estratégia sobre a redução do plástico, o que é certo é que com esta pandemia se assistiu a uma produção massiva de artigos fabricados com esse material, como máscaras cirúrgicas, luvas e sacos para as vítimas mortais, causando, certamente, um expetável aumento da poluição nos oceanos.
Portugal possui, desde sempre, uma íntima ligação aos oceanos. A título de exemplo, temos a maior zona económica exclusiva da Europa, Fernão de Magalhães realizou a primeira viagem de circum-navegação e os Açores foram classificados como um Hope Spot (Local de Esperança) para a proteção dos oceanos pela fundação Mission Blue – Sylvia Earle Alliance.
Não admira, por isso, que, no âmbito das comemorações do V Centenário da Circum-Navegação de Fernão de Magalhães, se tenha incumbido o Navio-Escola Sagres para, ao longo de 371 dias, realizar uma viagem à volta do mundo.
E se tudo tivesse corrido como previsto, escalaria 22 portos de 19 países diferentes, passando em 12 cidades da Rede Mundial de Cidades Magalhânicas, estaria em Tóquio por altura dos Jogos Olímpicos de verão e regressaria a Lisboa a 10 de janeiro de 2021. No entanto, por força da Covid-19, o Navio-Escola Sagres foi obrigado a voltar mais cedo a casa, inviabilizando o pleno cumprimento da sua missão.
Tal situação ocorreu também com muitos outros navios que, perante a adopção de medidas de segurança dos países para protegerem os seus portos, limitaram a atracagem e desembarque de tripulações e passageiros, obrigando-os a parar, e ao mesmo tempo, provocando um silêncio nos oceanos, com consequências positivas para a fauna marítima.
Daí que seja fundamental lembrar, nesse dia, a importância dos oceanos na vida quotidiana de todos nós, pois protegê-los faz parte da nossa natureza, da nossa cultura e da nossa essência.

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