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Diferenças, indiferenciadas são preocupantes

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TI

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Primeiramente, parto para este artigo ciente de que cada um é livre da sua opinião e que qualquer opinião é válida. No entanto, ao se dar uma opinião é preciso ter em consideração as palavras que se usam e a forma como elas se usam.
Eu tenho 14 anos, não me considero melhor que ninguém ao escrever isto, porém como todos sou livre da minha opinião que irão ler agora.
Eu e 69 outras pessoas estávamos a bordo do navio Mestre Simão, que encalhou perto do molhe do Porto da Madalena na ilha do Pico, no dia 6 de janeiro de 2018. Um incidente trágico, mas por outro lado fortuito no sentido de que todos nós saímos praticamente ilesos e com vontade de continuar a viver, após uns longos trinta minutos de balanços, solavancos, vómitos e puro desespero.
O que pretendo opinar aqui não é totalmente sobre o acontecimento, mas a respeito de um artigo publicado no Incentivo, no dia 27 de Março, com o seguinte título: “Passageiros beneficiam do acidente com Mestre Simão”. A minha primeira reação foi de olhar para o título e ficar extremamente indignado, pois o autor “misturou tudo no mesmo saco”. Não digo que alguns “chicos espertos” possivelmente tenham feito algo de desonesto, porém também há muito boa gente que saiu prejudicada duplamente com o acidente e com este título.
O artigo começa por dizer e passo a citar: ”Os prejuízos dos passageiros decorrentes do acidente do Mestre Simão foram compensados pela seguradora (…)”. Meus caros leitores, posso assegurar-vos que no meu caso (atenção, no meu caso) isso não aconteceu, porque para além dos prejuízos materiais (ao qual me foram assegurados 500 euros da seguradora) existem prejuízos psicológicos, que nem um nem outro são cobertos na totalidade como diz a notícia. Os 500 euros não pagam o que eu perdi naquele dia. Para além disso, referi, também, danos psicológicos. Desde esse dia fatídico que eu sofro de Stress Pós Traumático e tenho regulares ataques de pânico, bem como uma forte ansiedade que se revela na parte digestiva, para a qual a cura maior é o tempo.
Digam-me lá, então, depois do que leram, onde é que eu beneficiei. Ah, esperem, já sei, foram-nos oferecidas meias novas, para quem não tinha sapatos e sapatos para quem não tinha meias, e ainda, uma viagem de volta ao Faial no Cruzeiro Do Canal, que eu nem embarquei.
Quando se diz na notícia, que existem relatos de equipamentos declarados como inoperacionais, mas que na verdade estavam a funcionar, expliquem-me como é que uma companhia de barcos de transportes de passageiros pode assegurar isso com certeza. Não me digam que também vendem equipamentos eletrónicos a bordo!? Um aparelho que liga não é sinónimo, de modo algum, de operacional. Pode, por exemplo, pode ligar, mas ter riscos no ecrã que impossibilitam algumas operações, porém não deixam de ser danos causados pela água e consequentes do acidente. No caso de sapatos e vestuário, mesmo depois de lavados o cheiro e as manchas continuavam evidentes. Certamente, que quem acusa os passageiros de beneficiar é livre de lançar esta nova moda de roupa com cheiro a combustível.
Para concluir, o Sr. Presidente da Atlanticoline (a quem me refiro com todo o devido respeito) fala em críticas por parte da população, meu senhor, isso é quase inevitável especialmente após tal acidente.
Para finalizar, tiro o chapéu a todos os tripulantes da Atlanticoline que, sublinho, foram preponderantes à sobrevivência de todos naquele dia e agradeço por tudo o que fazem para nos manterem seguros neste mar inóspito. Sabendo, claro, que também vou ser alvo de crítica por senhores mais poderosos do que eu e que decerto não vão aceitar esta opinião (ainda para mais, sendo um adolescente com as hormonas aos saltos), friso que isto não é para prejudicar ninguém, nem nenhuma empresa, apenas queria opinar e manifestar a minha preocupação sobre a falta de evidência e falta de justiça para com quem foi lesado. Não é, também, de modo algum para faltar ao respeito a ninguém, especialmente, a quem escreveu a dita notícia, mas um pedido de mais cuidado e consideração para com quem já sofreu bastante.

Calvino Brum

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