Do cartaz ”Vota Soares” ao ladrar do cão, das estantes de livros ao “Lay-Off” da UrbHorta

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Inédita. É desta forma que podemos caraterizar a última sessão da Assembleia Legislativa Regional. Nunca, na história da autonomia regional, se tinha recorrido ao sistema de videoconferência para a realização de um plenário com a presença de todos os deputados regionais. A pandemia Covid-19 a isso obrigou.
Tecnológica. Com apenas algumas falhas pontuais no som, aceitáveis nesta experiência colocada em prática em tempo recorde, o uso desta moderna ferramenta de comunicação e interação por tantas pessoas ao mesmo tempo, sem falhas ou quebras na transmissão, mostrou que a Região consegue estar na linha da frente na adoção e recurso às novas tecnologias.
Mas, por vezes, a tecnologia também traz consigo imprevistos engraçados que não se conseguem evitar num direto. A dado momento do debate parlamentar, ouve-se ao fundo, mas de forma bastante audível, um cão a ladrar constantemente, o que obrigou a Presidente da Assembleia a interromper, por momentos, os trabalhos e a mandar fechar os microfones dos deputados. Não se conseguiu descortinar quem era o respetivo dono.
Excelente. Há anos que não se via um debate parlamentar tão aceso, animado e ininterrupto. Parecem estranhas estas palavras, mas efetivamente este plenário tecnológico trouxe consigo um salto qualitativo no confronto parlamentar.
É certo que as ideias se enredaram, sobretudo, em propostas dirigidas ao Governo para fazer face aos efeitos da pandemia na Região, mas as sucessivas intervenções dos deputados das várias bancadas parlamentares, com poucos tempos mortos, defendendo as suas propostas, rebatendo os argumentos contrários, num frenesim constante de resposta e contra-resposta, serviram para enriquecer esta sessão e mostrar que, “in loco”, se pode fazer muito mais.
Com este salto tecnológico, as câmaras que entraram em casa de cada um dos deputados obrigaram-nos, mesmo que inconscientemente, a espreitar e desvendar aquilo que havia por detrás de quem falava.
Se, por estes dias, sentados nos nossos sofás nos habituámos a ver prateleiras repletas de livros como pano de fundo dos espaços de comentário televisivos, nesta sessão cibernética a maioria dos eleitos regionais optou por não mostrar atrás de si a sua sapiência literária.
Decidiram, antes, recorrer às cortinas ou a um simples quadro. Cortinas lisas, com folhos ou floreadas, quadros com vacas a pastar, paisagens e arte abstrata. Ou ainda o cartaz artístico do “Vota Soares” ou o frigorífico lá de casa, tudo serviu para usar como fundo parlamentar.
Certamente foram pensados muitos detalhes da transmissão, mas nunca naquilo que os deputados regionais exporiam publicamente na sua câmara. Confiou-se e bem no bom senso de cada um desses atores da videoconferência.
UrbHorta. A empresa municipal da ilha do Faial mandou os seus trabalhadores para lay-off.
Este palavrão, que entrou por força desta pandemia no léxico de todos nós, significa simplesmente a suspensão dos contratos de trabalho por iniciativa da empresa, durante um determinado tempo, com a retribuição a ser suportada parcialmente pela entidade patronal e pelo Estado.
Para além da UrbHorta, pertença da Câmara Municipal, apenas descortinei, através de uma pesquisa no motor de busca Google, mais uma outra empresa municipal, em todo o território nacional, a recorrer a esse mecanismo de apoio governamental.
Estranhei, confesso. Pode dizer-se que a pandemia obrigou ao encerramento das valências desta entidade, com a consequente perda de receitas, excepto as do Mercado Municipal que serão recebidas mais à frente. Está correto. Mas será este argumento suficiente quando recebeu no ano transato centenas de milhares euros do Município? Injetaram-se milhões de euros na empresa ao longo dos anos e agora os trabalhadores vêem os seus contratos suspensos.
Terá a administração da empresa também entrado em Lay-Off?

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