Do Pacífico ao Atlântico quo vadis cinco chagas

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Na década de 50 quando era jovem, vi um filme intitulado “Quo Vadis”, que ficou indelévelmente gravado na minha mente até hoje. Era baseado no encontro entre o Mestre da Cristandade e S. Pedro, em que este Lhe fez a tão famosa interrogação: Quo Vadis Dominus, para onde vais Senhor. Para onde vai a nossa Igreja, julgo ser uma peocupação de muitos Portugueses.  Atualmente temos um dinâmico e zeloso Pastor Açoreano Rev. António Silveira, que movido pela pujança da montanha mais alta de Portugal que é o Pico de onde é natural, coadjuvado por muitos obreiros voluntários é a resposta  acertada para a presente conjetura.  A Igreja Nacional Portuguesa das Cinco Chagas localizada em S.José da Califórnia, está presentemente a comemorar a vetusta e invejável efeméride de 100 anos.  Foi fundada a 13 de novembro de 1914 pelo Monsenhor Henrique Augusto Ribeiro grande patriota português, açoriano e faialense de corpo e alma.  O seu “curriculum vitae” é assombroso e multi-facetado.  No desempenho do seu múnus sacerdotal na ilha das Flores, sobressai a sua valiosa contribuição sócio-cultural e religiosa, destacando-se em particular a fundação da Igreja de Nossa Senhora de Lurdes em Santa Cruz, onde existe uma lápide de homenagem gratidão e  reconhecimento como fundador desta Igreja.  Emigrou para a Califórnia antes da primeira grande guerra mundial, e prestou os seus serviços religiosos na Igreja Nacional Portuguesa em Oakland, sendo transferido para S. José onde se estabeleceu, concebeu e concretizou o seu sonho magnum opus a fundação-criação da Igreja Nacional Portuguesa das Cinco Chagas.  Com o seu espírito ambicioso empreendedor e com a imprescindível cooperação de 18 famílias portuguesas, conseguiu obter uma petição composta de 18 páginas de assinaturas, sendo a obra aprovada pelo Arcebispo Patrick William Riordan em outubro de 1914.  A construção da Igreja foi autorizada por decreto da Santa Sé em novembro do mesmo ano.  A 13 de julho de 1919, foi solenemente inaugurada por Sua Exc. Rev. Edward J. Hanna Arcebispo de San Francisco.  Monsenhor Ribeiro manteve um diário no qual registava a par e passo as suas atividades quotidianas até à véspera da sua morte em 8 de agosto de 1936. Parafraseando o Monsenhor…”Na cidade de S.José  e nas povoações próximas, não creio que haja uma única família portuguesa que tenha deixado de auxiliar   esta construção tão grandiosa, para todos o meu indelével testemunho da minha gratidão”!!!  Monsenhor Ribeiro foi o último padre a ser elevado a este título eclesiástico durante a monarquia.  Depois da implantação da Républica em 1910, desencadeou-se um acérrimo clima e campanha anti-clerical, em que a a religião foi vilificada e praticamente banida.  Foi tão grave que o governo de Sua Majestade Britânica mandou um vaso de guerra a Lisboa, expressamente para evacuar religiosos(as) de nacionalidade inglesa, operação esta que relembrou  o Ultimato Inglês de fin de siècle  de triste memória.  O mundo estava assolado pela primeira guerra mundial.   O panorama político e sócio – económico era devastador.  De traça manuelina a Igreja foi desenhada por um arquiteto bracarense e inspirada no desenho arquitetónico da Igreja de Santa Cruz de Braga em Portugal.  Levou 5 anos para ser construída e custou $90 mil dólares o que representava o dobro do orçamento original.  As nossas casas são os nossos castelos, mas a Casa de Deus deve ser a mais imponente. Em preparação para o centenário, o Padre António Silveira tem desenvolvido um trabalho extraordinário na manutenção e embelezamento do perímetro circundante do nosso Templo, que em sentido figurativo representa a vinha do Senhor. A antiga  escola Portuguesa das Cinco Chagas fundada pelo Rev. Mário Cordeiro em 1960 e encerrada em 2009, está a  funcionar em pleno, com 134 alunos sob a prestigiada direção dos Jesuítas que neste Vale e cidade de Santa Clara, são portadores de muito poder e influência politico-religiosa. Concumitantemente o Monsenhor Ribeiro apoiado por 81 paroquianos, fundou  a Irmandade do Espírito Santo, (I.E.S.), que recentemente também celebrou com muita pompa e circunstância o seu centenário. Ultimamente tem existido e prevalecido uma certa controvérsia e dúvida quanto à devida relacionação da Irmandade vis-à-vis Igreja.  Assim diz o Monsenhor no seu diário”… edificou-se a capela do Espírito Santo e um pequeno salão para as reuniões e entretenimentos dos paroquianos e durante mais de 4 anos na pequena mas devota capela celebraram-se os Divinos Mistérios”… A Irmandade arvora o símbolo religioso do Espírito Santo, Terceira Pessoa da Santíssima Trindade que é Sagrado.  A Irmandade e a Igreja devem coexistir como duas irmãs gémeas, isto é, uma não pode ou não deve viver sem a outra. Com a devida vénia passo a relatar o teor do editorial do Portuguese Tribune de 9 de fevereiro de 1989…Aqui as Irmandades tem vindo a evoluir a olhos vistos, cumprindo hoje mais uma função social (a das sopas) que outra qualquer.  Esta de S. José por exemplo cuja Capela serviu de Igreja paroquial e quase foi Matriz, chegou a designar-se oficialmente por Irmandade do Espírito Santo para benefício da paróquia de Santo Christo Os seus encargos de início (artigo 18° dos primeiros estatutos):auxiliar o Rev. Pastor em todos os atos mais solenes do culto católico; fazer a festa do Divino Espírito Santo todos os anos no domingo antes da Festa de S. Pedro e S. Paulo; promover o mais possível o esplendor da festa das Endoenças desde o Domingo de Ramos até ao Domingo de Páscoa; assistir também à festa do Padroeiro da Igreja o Senhor Santo Cristo das Chagas… Na minha opinião uma Irmandade religiosa não é uma mera sociedade.  A Deus o que é de Deus, a César o que é de César.  Pressumo que o sonho do Monsenhor Ribeiro, não foi plenamente realizado por escassez de fundos.  A nossa passagem pela orbe terrestre é efémera, e temos o dever cívico e moral de legar um futuro melhor para as gerações vindouras.  O campanário ou seja a sineira da Igreja precisa de muito trabalho, assim como os preciosos vitrais, arranjo e conserto do orgão de tubos e instalação de um relógio na fachada da Igreja, como é normal em quase todas as Igrejas em Portugal, e nos alerta que  tempus fugit ou seja o tempo não volta para trás.  Temos boas e talentosas almas que eventualmente poderão ser mecenas para a realização destes projetos.  Quem dá a Deus não paga juros e é justamente recompensado

Parabéns às Cinco Chagas “Ad multos Annos.”

   

 

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