Mais um ano, mais um recorde negativo para as contas do grupo SATA.
A cada ano que passa parece difícil fazer melhor que no ano anterior, quaisquer que sejam os gestores à frente da empresa e o seu currículo profissional.
Em seis meses a nova Administração da SATA presidida por António Teixeira não conseguiu inverter ou, pelo menos, suster o rumo negativo que das contas já transparecia aquando da sua nomeação.
Dizem essas contas, apresentadas na passada sexta-feira, que os prejuízos da nossa transportadora aérea ficaram, em 2018, acima dos 53 milhões de euros, mais concretamente 53,3 milhões de euros, ultrapassando em 12 milhões o resultado liquido negativo registado há um ano atrás.
É, sem sombra de dúvida, uma máquina sugadora de dinheiro, grande parte dele do erário público, de todos nós, como sucedeu com os 65 milhões de euros de um recente empréstimo obrigacionista contraído, avalizado pelo Governo Regional e os 11 milhões de euros injetados também pelo Executivo por via de um aumento de capital social.
Se com esta injeção de capital no valor global de 76 milhões de euros, necessária para assegurar a sobrevivência da empresa no curto prazo, o Governo Regional agravou de sobremaneira o seu défice anual, como irá resolver agora este grande buraco financeiro?
Sem escalpelizar os resultados financeiros, ficámos a saber que a quase totalidade desses prejuízos advêm da Azores Airlines (52,93 milhões de euros) e que os mesmos se ficaram a dever, sobretudo, ao aumento dos custos com o combustível e pessoal e com o aluguer de aviões a outras companhias aéreas (ACMI).
A justificação parece um cliché. Os argumentos invocados são aqueles que tradicionalmente são usados para tentar justificar a incapacidade, desta e de anteriores administrações, em conseguir adotar e colocar em prática políticas de governação capazes de inverter os constantes resultados negativos.
Talvez já adivinhando as palavras que o Presidente do Governo iria proferir a propósito dos resultados da SATA, António Teixeira apressou-se a dizer que esperava reduzir em 50% os prejuízos no ano de 2019 e conseguir um resultado negativo na ordem dos 26 milhões de euros.
Mas, se os preços dos combustíveis se mantiverem a valores elevados (desconheço o preço de aquisição do barril de Brent definido no orçamento da empresa para o corrente ano) e continuar o aluguer de aviões, como irá ele conseguir esse feito?
E como conseguirá atingir resultados positivos em 2021, tanto apregoados pelo Governo Regional?
Parece que, atendendo à reduzida dimensão da empresa, à frota ao seu dispor e ao exíguo mercado em que atua, sem falar, obviamente, da cada vez maior concorrência que encontra nos mercados para onde voa, foram prematuras as projeções avançadas, por colocarem a fasquia a um nível muito difícil de alcançar.
Tanto mais que se assistiu nesse ano de 2018 a uma diminuição na obtenção de receitas na ordem dos 4%.
Como espera a administração da SATA inverter esta redução de receitas e obter lucros, se nos lembrarmos que o turismo, principal alavanca das receitas da empresa, se encontra numa fase de estabilização a nível regional?
Não bastará, certamente, a adoção de uma política de reformas antecipadas ou a restruturação financeira da empresa, há que ir mais longe, porque, se assim não for, o problema de fundo – rentabilidade da SATA – permanecerá incólume e insuscetível de resolução.
No meio de todo este descalabro financeiro, Vasco Cordeiro, apesar de ter dado um voto de confiança à nova administração por ele nomeada, limitou-se simplesmente a dizer que estes prejuízos não são sustentáveis. Pois, não disse nada que os açorianos já não saibam.
Por isso, sob pena de, ano após ano, a SATA continuar a acumular resultados negativos e, duvidando que a privatização parcial consiga solucionar este problema financeiro, há que questionar novamente e de uma vez por todas o Governo Regional acerca do que pretende fazer com a SATA, pois os açorianos exigem que a empresa continue a perdurar por muitos mais anos.
















