O Incorrigível Açoriano

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Foi com estas palavras que Carlos César terminou o anúncio aos deputados da sua bancada parlamentar que não seria candidato à Assembleia da República por nenhum círculo eleitoral, inclusive pelo dos Açores. Desfez-se naquele momento o tabu que permanecia há semanas, tanto nos meandros da política regional como nacional.
Contrariamente a outros políticos açorianos que não hesitaram em ocupar um lugar em círculos eleitorais no continente português somente para terem um assento no hemiciclo nacional, Carlos César mostrou, com esta sua posição firme, que é diferente, mostrou à “nata” da política nacional que em momento algum renuncia às suas origens e que tem orgulho em ser dos Açores.
Não é habitual os políticos portugueses adotarem esta postura. Fiquei contente ao ouvir as suas palavras. E, tal como eu, certamente inúmeros açorianos, que não se esquecem da importância que César teve no progresso e desenvolvimento económico dos Açores enquanto Presidente do Governo Regional.
Um dos políticos açorianos mais importante no pós 25 de Abril, presidiu a vários governos regionais, segurou os Açores em momentos de crise, relançou a economia açoriana, engendrou e comandou a partir dos Açores a estratégia política que viria a culminar na subida ao poder de António Costa e do aparecimento da chamada “geringonça” e, mesmo abdicando de um lugar na Assembleia da República, com a vitória mais que previsível do PS nas próximas eleições legislativas certamente ocupará um lugar de destaque no próximo governo de Portugal.
Mas, com este anúncio, Carlos César abriu uma vaga nas listas do PS/Açores à Assembleia da República, que ele próprio sugeriu num artigo de opinião publicado nos “media” açorianos fosse ocupada por outros que “trarão novas energias e novas competências, contribuindo, assim, para um salutar princípio de renovação nos cargos políticos”.
Para o ex Presidente do Governo Regional a palavra chave era a de Renovação, “novas gerações e novas pessoas na política”. No entanto, Vasco Cordeiro não lhe fez a vontade nem seguiu as suas indicações. Isto porque nos três lugares potencialmente elegíveis pelos Açores, o Partido Socialista não apresenta nem novas gerações nem novas pessoas.
Se retirarmos Lara Martinho que apareceu há quatro anos, Isabel Rodrigues e João Castro já são veteranos da política. Isabel Rodrigues já foi deputada por duas vezes e também secretária regional, enquanto João Castro já foi Vice e Presidente da Câmara Municipal da Horta.
Encabeçada por Isabel Rodrigues, uma cara desconhecida para muitos dos açorianos, a lista apresentada pelo PS/Açores é claramente mais fraca sem Carlos César, o que poderá comprometer uma vitória (confortável) nos Açores.
Certamente esta mudança dará um novo alento ao maior partido da oposição, ao PSD/Açores. Com Paulo Moniz à frente, também ele um desconhecido, teremos António Ventura indicado pela ilha Terceira e Ilídia Quadrado, representante da ilha do Faial, como potencialmente elegíveis.
Mas, se, a nível local, se entende a indigitação de João Castro por parte da estrutura faialense do PS, o que equivale a dizer em candidato que ganha não se mexe, já não é tão percetível a indicação de Ilídia Quadrado por parte do PSD/Faial.
Isto porque se nos recordarmos das eleições a que se propôs, nomeadamente as candidaturas a Presidente da Assembleia Municipal ou a Presidente da Junta de Freguesia do Capelo, os resultados por ela obtidos nunca lhe foram favoráveis.
O que efetivamente poderá não ser um bom prenúncio para as legislativas de outubro. Aguardemos…..

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