EDITORIAL

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DR/TI
DR/TI

Recuemos ao longínquo ano de 2001, quando se faziam ouvir os alertas sobre um possível encerramento da fábrica de conservas da Horta, localizada no Pasteleiro. Já se transferiam equipamentos existentes na Horta para o Pico. E anunciava-se a suspensão temporária da fábrica na Horta por seis meses “motivada pela falta de matéria prima para laboração”.
Depois do Governo Regional da altura ter injetado na empresa proprietária da fábrica um milhão de contos, através da entrada da Lotaçor para o seu capital social, a verdade é que a única coisa que o Governo se disse capaz de garantir era que, através de um protocolo assinado, “as conserveiras se comprometem a manter a laboração e as respetivas unidades industriais e a manter um número de postos de trabalho proporcional à matéria prima laborada no ano 2001.”
O resultado desse protocolo assinado foi, como se sabe, zero. Não foi preciso esperar muito tempo, a fábrica encerrou de facto no Faial e aos funcionários só restou o despedimento ou irem trabalhar para o Pico.
Agora, repetiu-se o filme. A COFACO fechou definitivamente no Pico, depois de ter despedido 180 trabalhadores. E acaba de ser confirmado que a promessa de uma nova fábrica, que acolheria os trabalhadores despedidos, não passou disso: uma promessa com que se entreteve as pessoas e alimentou expetativas!
É evidente que uma empresa, qualquer empresa, necessita de lucro para poder continuar a existir. Porém, a verdade é que são cada vez mais as empresas que só pensam no lucro e nos meios de enriquecimento e esquecem as pessoas e as comunidades em que se integram. E são tão condenáveis os empresários que exploram sem escrúpulos os seus empregados, como o são os trabalhadores que não cumprem com empenho e zelo os seus deveres e obrigações, como o são os governos coniventes com a ausência de salvaguarda de contrapartidas na concessão de dinheiros públicos a estas empresas.
O Papa Emérito Bento XVI, em 2011, no contexto da Jornada Mundial da Juventude em Madrid, lançava um apelo por uma economia “centrada no homem” e não “no lucro”, defendendo que “o homem deve estar no centro da economia” e que a atual crise económica “confirma o que já aconteceu nas anteriores crises”, isto é, que “a dimensão ética não é uma coisa exterior aos problemas económicos, mas uma dimensão interior e fundamental”. “A economia não funciona apenas com uma autorregulação mercantil, tem necessidade de uma razão ética, para funcionar”, e esta deve-se medir pelo “bem de todos”.
O recente caso da COFACO é bem mais um exemplo de como a ética e o bem de todos andam longe da vida contemporânea. Mesmo aqui!!!

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