Editorial

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No passado dia 9 de maio celebrou-se mais um Dia da Europa.
A data foi escolhida para coincidir com a proclamação de Robert Schumann, em que este apresentou a sua visão da cooperação europeia, que iria originar a Comunidade Económica Europeia, fundada em 1957.
O sucesso da CEE é bem visível nos seus sucessivos alargamentos: dos iniciais 6 membros, atingiu, em 2013, 28 países, tendo perdido a Inglaterra, agora, em 2021.
Ao longo dos anos, a própria ideia que presidiu à sua constituição foi-se aprofundando, dando passos na integração política e económica, consubstanciada, por exemplo, na criação da União Europeia (1993), em vez de CEE, e na implementação da união monetária (o euro).
Com uma população de 445 milhões de habitantes, a UE tem a terceira maior população do mundo e, em 2014, representava 23,8% do PIB mundial. A UE é o local do planeta onde melhor se vive, com mais direitos sociais, ambientais, mais tolerância e liberdade.
Este “clube”, para o qual entrámos faz agora 35 anos, não é obviamente um espaço perfeito. Há desígnios não cumpridos. Há desigualdades ainda não ultrapassadas. Há problemas por resolver. Mas Portugal e os Açores sem a União Europeia não seriam os mesmos.
Desde a sua adesão e até ao final de 2018, estima-se que Portugal já terá recebido um valor acumulado de cerca de 130 mil milhões de euros em fundos que visam apoiar a coesão económica, social e territorial no espaço europeu. Só nos próximos anos a famosa “bazuca” trará a Portugal mais 45 mil milhões de euros.
Sem este dinheiro que nos veio da Europa nestas décadas, estaríamos longe de poder ter tido o progresso e o crescimento que efetivamente tivemos. Sem os fundos comunitários estaríamos confrontados com décadas de atraso e hoje seríamos uma sombra do que somos.
Neste contexto, é paradoxal o sentimento que perpassa de algumas declarações de responsáveis políticos e, mesmo de muitos cidadãos, que não escondem um desamor e, mesmo, uma hostilidade inusitada, para com a Europa.
Se tivéssemos plena consciência de que as estradas onde passamos, os portos que usamos, o tratamento das águas residuais de que beneficiamos, as creches, os lares, os hospitais, as escolas e as universidades que estão ao nosso dispor, a formação profissional, as bolsas de estudo, os programas de apoio à juventude, o apoio às Pequenas e Médias Empresas que existem, são todos, entre muitos outros, financiados pela União Europeia, então, seríamos certamente menos ligeiros em pôr em causa a Europa.
O que não é possível ter é a quadratura do círculo desejada por alguns políticos e por alguns partidos: querem o dinheiro da Europa sem as regras a que nos obrigámos cumprir para a ela pertencer. Querem os benefícios e não querem as obrigações.
Até Aléxis Tsípras, a quem alguns numa determinada altura quase elevaram à santidade revolucionária, percebeu isso quando chegou a Primeiro-Ministro da Grécia…

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