EDITORIAL

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Celebramos na próxima 2.ªfeira o Dia dos Açores.
Apesar da escolha da segunda-feira do Espírito Santo para Dia dos Açores não ter sido uma opção unânime, a data é hoje celebrada consensualmente pelas várias forças político-partidárias e todas relevam a sua importância e o seu significado no processo da construção da nossa identidade açoriana.
Se olharmos, mesmo de relance, os discursos proferidos ao longo dos anos nas celebrações oficiais do Dia dos Açores, encontraremos, com algumas exceções, palavras construtivas, tendencialmente agregadoras, que repetem, com alguns matizes, conceitos fundacionais da Autonomia dos Açores como o desenvolvimento integral e harmonioso da Região, ou o desígnio da recuperação do atraso económico, ou a imperiosa aposta nas pessoas e na educação como motores do desenvolvimento.
Mas é por demais evidente que não são as palavras nem os discursos em cerimónias que constroem a identidade de um povo ou de uma Região. Principalmente quando as palavras dos discursos são quotidianamente desmentidas pelas políticas e pelas ações governativas que, por sua vez, determinam as consequências que todos notamos.
Não foi por acaso que, há cerca de quatro anos, um ex-presidente da Assembleia Legislativa Regional dos Açores afirmou, convictamente, que “Já vi os Açores mais unidos!” Ele expressava uma realidade que, entretanto, se tem vindo, infelizmente, a agravar e a aprofundar.
Quando, continuadamente, os poderes se deixam submeter nas suas decisões a uma visão puramente economicista, traduzida em “economias de escala”, “dimensão”, “massa crítica”, “retorno de investimento” e a uma infinidade de ideias similares, estão a arredar do desenvolvimento sete e, em certos casos, oito ilhas dos Açores.
Quando, continuadamente, se insiste na visão de que os Açores são um comboio e S. Miguel a locomotiva, real e necessária nalguns domínios, facilmente se deixou difundir a ideia, consequente, de que as outras oito são um peso e um empecilho ao desejado crescimento da locomotiva.
Quando, em várias forças partidárias, se afirmam pessoas que não vislumbram a diferença entre o interesse comum e os interesses particulares que alimentam o seu bairro.
Quando nas redes sociais pululam as maiores enormidades e acusações mútuas entre pessoas de várias ilhas (o recentíssimo caso da distribuição de vacinas foi apenas mais um exemplo…), mostrando um bairrismo e um divisionismo atrozes e confrangedores.
Por isso tudo, não podemos continuar a celebrar o Dia dos Açores ignorando esta realidade.
Um Dia dos Açores celebrativo, apesar da Pandemia? Claro que sim!
Mas decididamente um Dia dos Açores que contribua para limpar a lama e as impurezas das perversões que nos consumirão se não forem atempadamente expurgadas.

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