EDITORIAL

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No dia 3 de junho a marina da Horta fez 35 anos.
Ela é hoje uma infraestrutura consensual e querida dos faialenses. Mas na altura da sua construção não o foi, tendo mesmo merecido a crítica de algumas dezenas de faialenses que até organizaram uma manifestação de protesto porque no seu entender ela destruiria a avenida marginal. Inclusive, alguns políticos da altura consideravam-na “um luxo desnecessário”.
35 anos depois, já com uma ampliação pelo meio, a marina da Horta volta a debater-se com a urgência da sua ampliação, de forma a poder fazer face às necessidades dos seus utentes e, por essa via, à consolidação e afirmação do negócio que ela também representa (seguramente, deixa na economia da ilha muito mais dinheiro que um cais de cruzeiros!).
E se é consensual que a marina da Horta precisa de ser ampliada pelas razões que o seu responsável bem explicita na entrevista que concedeu nesta edição do Tribuna das Ilhas, não é menos verdade que a urgência não pode aniquilar as valências e potencialidades do porto da Horta.
Aliás, a forma de concretizar a ampliação da marina da Horta é, exatamente, uma das zonas de conflito no polémico projeto, porque é geradora ou potenciadora de estrangulamentos na operacionalidade do porto e, por isso, vem dividindo as opiniões.
E isso leva-nos diretamente à polémica que rodeou o projeto da 2ªfase de ampliação do porto da Horta, cuja reavaliação se deve encontrar em banho maria, não só em resultado da mudança de governo, mas também da inusitada e incompreensivelmente lenta tomada de posse da nova administração da Portos dos Açores que ainda não está completa!
Uma obra com a natureza daquela que se queria implementar no porto da Horta não pode ser um capricho de um regime nem uma fonte de financiamento para as empresas de construção. Por uma razão única: o que for feito, se for mal feito e mal projetado, pode arruinar definitivamente o mais abrigado porto natural dos Açores!
Mesmo que as intenções que presidiram à sua formulação tenham sido as mais bem intencionadas, se há dúvidas (e há!), se há opções que nunca foram cabalmente explicadas (e há!) e se há estudos que nunca foram devidamente apresentados (e também os há), então o principio da prudência impõe que se pare para pensar.
É verdade que um dos compromissos assumidos pela nova maioria governativa era o de rever todos os estudos e soluções apresentadas, ouvindo os intervenientes e explicando de forma fundamentada as opções e provando-as com estudos credíveis. Mas não podemos passar o resto do tempo da legislatura nessa fase.
A ampliação da marina da Horta é uma necessidade que se impõe. Urge, por isso, passarmos do consenso sobre o diagnóstico à procura da solução que salvaguarde o futuro do porto da Horta e de todas as suas valências!

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