Editorial

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Depois de amanhã, 26 de setembro, seremos todos novamente chamados a exercer o nosso dever cívico de votar nas eleições autárquicas.
Por tradição, este é o ato eleitoral que mais mobiliza os cidadãos, nele escolhendo, pelo voto, os nossos governantes de proximidade, nas Juntas de Freguesia e nas Câmaras Municipais.
A campanha eleitoral, que hoje termina, deveria ter-se destinado a analisar e comparar as propostas e os projetos dos diversos concorrentes. Simultaneamente, foi (ou devia também ter sido) uma ocasião indispensável e incontornável para avaliar quem, até agora, ocupou o poder.
Em boa verdade pouco disso aconteceu. Salvo algumas honrosas exceções, em vez de propostas fundamentadas e acompanhadas pela explicação de como serão implementadas e financiadas, a competição entre as candidaturas foi sobretudo a de quem mais fotos de ações de campanha postava nas redes sociais…
Infelizmente, a cada eleição que passa, quando se privilegia o acessório em vez do essencial; quando se opta pela demagogia e pelo populismo e se abandona a verdade e a realidade; quando se procura centrar a razão do voto apenas na pessoa e/ou no partido e se deixa na penumbra o valor do projeto para o bem-comum da comunidade; quando isso acontece, estamos, a pouco e pouco, a minar a relação entre eleitor e eleito e a criar as condições para que aumente o número daqueles que, desiludidos e céticos, preferem refugiar-se na abstenção e afastar-se da participação cívica de escolher aqueles que entendem ser os melhores e os mais capazes para nos governar.
Desde a implantação da Democracia em Portugal e, neste caso, desde que são os cidadãos que escolhem, pelo voto, os seus autarcas, muito certamente foi feito nas nossas autarquias e muito, por razões diversas e mais ou menos ponderosas conforme a perspetiva, ficou por fazer. Mas o que queremos para o nosso futuro como cidade, com freguesia, como comunidade? Não apenas na perspetiva do imediato, mas na visão de médio e longo prazo?
É com alguma desilusão que constatamos que grande parte das questões sobre o nosso futuro que, neste espaço, deixámos à reflexão das candidaturas em julho passado, ficou sem resposta e passou-lhes quase ao lado.
Como o Tribuna das Ilhas recorda na sua edição de hoje, desde as primeiras eleições para as autarquias locais no Portugal pós-25 de abril até ao presente, o Município da Horta foi governado 13 anos pelo PSD e 32 anos pelo PS. No próximo domingo, depois do povo decidir pelo seu voto, ficaremos a saber se a hegemonia socialista se mantém no Faial ou se teremos alterações na governação da ilha.
Para um rumo ou para o outro é fundamental que cada eleitor expresse a sua vontade. É do voto livre, consciente e informado que se alimenta a democracia. E apesar das imperfeições que todos notamos e de que nos queixamos nesta campanha, continua a ser verdadeira a afirmação de Winston Churchill na Câmara dos Comuns, em 11 de novembro de 1947: “A democracia é a pior forma de governo, à exceção de todos os outros já experimentados ao longo da história.”
Domingo vote e participe na escolha de quem nos vai governar nos próximos quatro anos! Apesar de tudo!

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