Educação e participação das mulheres

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Ilídia Quadrado
Ilídia Quadrado

Por – Ilídia Quadrado

Tenho dedicado a minha vida à educação, à juventude, tendo também dado o meu contributo enquanto dirigente associativa. Por isso, fazer parte da Comissão da Educação, Ciência, Juventude e Desporto é um privilégio. Felizmente, a nossa região tem autonomia nestas áreas e, a meu ver, com melhores estratégias do que a nível nacional, todavia, devido a pertencer a esta comissão, acompanho, com muito interesse, todos os assuntos que são tratados. Mais uma vez, a pandemia tem tido repercussões muito graves na Educação, pois, como sabemos, o recurso ao ensino à distância trouxe inúmeros constrangimentos, acentuando ainda mais as desigualdades já verificadas. Por isso, é necessário que se tomem medidas adequadas para uma recuperação das aprendizagens efetivas. O Grupo Parlamentar do PSD promoveu um workshop exatamente para aprofundar estes temas e poder criar iniciativas legislativas fundamentadas – “As aprendizagens no pós-pandemia: Desafios e Oportunidades”. Para além disso, a requerimento do PSD, a Comissão realizou uma audição conjunta de especialistas sobre a recuperação das aprendizagens. De facto, a pandemia teve o condão de reforçar o papel da Escola, não só como espaço de aprendizagens como também de socialização, de partilha de vivências, tão importante para a formação dos jovens. O diálogo entre a Escola, a família e a comunidade é essencial para complementar a dimensão das aprendizagens com a dimensão do bem-estar emocional. As tecnologias provaram ser uma ferramenta cada vez mais necessária, mas que, por si só, não promove um ensino /aprendizagem de qualidade. É, por isso, crucial “pensar a longo prazo, atuar no imediato e programar o médio prazo”, como refere o documento “Reflexões” sobre A Escola no pós-pandemia: desafios e estratégias, apresentado pelo Conselho Nacional da Educação, de forma a dar resposta aos constrangimentos que a pandemia provocou no processo de ensino /aprendizagem da maioria dos nossos alunos.
Fui desafiada a participar no último fim de semana na 6ª Academia de Formação Política para Mulheres Social-Democratas, que se realizou na ilha Terceira. Sempre considerei que a formação e a reflexão são essenciais em qualquer atividade ou profissão. De facto, a participação das mulheres na vida política é um assunto que, felizmente, já é visto com normalidade, embora se reconheça que ainda há um longo caminho a percorrer. Embora gostasse muito de viver numa sociedade em que não fosse necessário haver leis para impor a presença das mulheres na política, reconheço que esta foi uma forma de tentar alterar mentalidades culturalmente instituídas. Penso, todavia, que quando há motivação e determinação, é possível a participação em igualdade de circunstâncias. Como referia uma das oradoras, a diversidade e as diferenças contribuem para uma sociedade mais forte e mais competitiva. Portanto, é possível haver uma complementaridade positiva. Para isso, o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal é essencial. Regozijo-me por viver numa sociedade em que os papéis familiares começam a ser, de facto, complementares e permitem, por isso, à mulher a liberdade de exercer a sua cidadania política sem os entraves de todos conhecidos. Deste modo, incentivo todas as mulheres, que tenham essa motivação, a não se inibirem de participar ativamente seja na política seja em qualquer outra atividade cívica. No Faial, temos imensos exemplos de mulheres que se têm destacado, exercendo posições de liderança que, indubitavelmente, nos orgulham! Bem hajam!
Deputada à Assembleia da República

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