Eleições legislativas: os vencedores e os vencidos

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A noite eleitoral de domingo não trouxe novidades em relação às diversas sondagens estampadas nos órgãos de comunicação nacional nos últimos dias. Sabia-se que o Partido Socialista (PS) venceria, mas dificilmente alcançaria a maioria absoluta. A grande dúvida que permanecia era saber que dimensão teria a derrota da direita, particularmente do PSD, e que partidos conseguiriam entrar pela primeira vez no parlamento nacional.
Por volta da meia noite, os resultados finais foram ao encontro das projeções avançadas pelas televisões no fechar das urnas nos Açores.
O PS e António Costa, apesar de uma má campanha eleitoral, surgem como os grandes vencedores com nove pontos de avanço para o PSD, ficando, no entanto, a 10 deputados da maioria absoluta na Assembleia da República (AR), o que obriga Costa, para governar, a dialogar com PCP ou Bloco de Esquerda (BE), até mesmo recorrer ao PAN, que quadruplicou o número de deputados, e ao Livre.
No seu discurso de vitória, António Costa avançou com essa mesma vontade: repetir a geringonça e alargá-la a outras forças políticas, como o Livre e o PAN.
À direita, os 28% dos votos conseguidos pelo PSD mostraram um dos piores resultados de sempre do partido, mas, mesmo assim, Rui Rio entendeu que não houve nenhuma hecatombe e não se demitiu.
Ao contrário de Rio, a líder do CDS, Assunção Cristas, perante o regresso ao denominado “partido do táxi” (agora um táxi mais um passageiro), falou aos portugueses e não hesitou em demitir-se, abrindo caminho à luta pela sua sucessão. Tinha 18 deputados, e agora fica-se pelos cinco.
À esquerda, o BE de Catarina Martins manteve o mesmo número de deputados na AR, apesar de ter perdido 50 mil votos, enquanto o PCP perdeu cinco deputados e 100 mil votos, baixando de 17 para 12.
Quanto às restantes forças, o PAN de André Silva quadruplicou a sua presença, passando de 1 para 4 deputados e mais que duplicou o número de votos, o Livre, a Iniciativa Liberal e o Chega, de André Ventura conseguem chegar ao parlamento, ao contrário de Santana Lopes que, com a sua Aliança, não conseguiu ser eleito.
Com tudo isto, o próximo Parlamento será constituído por dez partidos políticos, um recorde na nossa democracia, tal como a abstenção, que voltou a aumentar nestas eleições para 45,5%.
Nos Açores a tendência foi exatamente igual à registada no continente português.
O PS venceu em oito das nove ilhas, obtendo 40,06% dos votos. Apesar de ter perdido mais de quatro mil votos (4242), o PS continua como principal força política na Região, conseguindo levar para a AR três deputados.
Vencedores foram também o CDS e o PAN. Com o faialense Rui Martins à cabeça, o CDS obtém um resultado na Região muito melhor que a nível nacional e consegue aumentar a sua votação em 393 votos, enquanto o PAN conseguiu arrecadar mais 1400 votos, e passou a ter 2,65% dos votos regionais.
Por sua vez, o BE surge como terceira força política regional, crescendo em termos percentuais (7,97%), mas perdendo 653 votos. A CDU manteve sensivelmente a mesma percentagem – 2,47% em 2015, 2,45% agora.
Apesar de ter assegurado os seus dois deputados à AR, o PSD de Alexandre Gaudêncio foi o grande derrotado da noite eleitoral na Região e venceu apenas na ilha do Pico. Perdeu mais de oito mil votos (8408) e obteve apenas 30,21% dos votos, contra os 36,06% conseguidos em 2015.
Perante mais este mau resultado, tal como Rui Rio, Gaudêncio também não se demitiu.
No entanto, imediatamente começaram a surgir vozes a exigir mudança na liderança do partido, o que obrigou Gaudêncio a marcar para dia 25 um Conselho Regional, no qual, certamente, será debatida a sua continuidade como líder do PSD.
Resta-nos aguardar pelos próximos tempos para saber se estas duas lideranças sociais democratas se manterão, uma vez que até agora não se deram como vencidos.

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