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O medo circula na sombra, tem nome
dissemina-se no ar, no rosto, nas mãos,
no côncavo da boca, finca as mandíbulas
na carne vulnerável e assombrada.
O planeta é agora em absoluto recolhimento
convertido às paisagens interiores, cercado
de sombras, ecos de sombras que atravessam
as paredes das casas.
E, no entanto, há a urgência primaveril
da floração das urzes, das giestas, das cerejeiras
a urgência dos frutos por colher, dos solos
à espera das sementes, das aves pelo amanhecer.
Há uma urgência em sair à rua e abraçar
sussurrar palavras novas, inventadas,
inusitadas, palavras amigas, palavras de amor
passá-las de mão a mão, de boca a boca.
Por essa razão, a humanidade canta à janela
e na varanda das casas acendem velas às estrelas
nos telhados, violinos e pianos enchem de música
o dia luzente e vão onde as palavras não chegam.
E arco-íris tem a imprevisível ressonância
de um abraço universal.
Maria do Céu Brito














