O iodo é um oligoelemento que é raro na nossa alimentação e cuja falta pode levar a transtornos importantes… As repercussões de uma carência de iodo podem ser catastróficas numa mulher grávida e num jovem. Quais os sinais de carência? Quais as nossas necessidades? Em que alimentos encontrá-lo?
Para que serve o iodo?
Nós temos, situada na parte anterior e baixa do pescoço, uma glândula em forma de borboleta, de 25 a 30 gramas, que é a tiróide. Segrega duas hormonas: a triiodotironina (T3) e a tiroxina (T4), ambas reguladas sob a ação de uma outra hormona, a TSH, que vem da hipófise.
A T3 e a T4, correntemente chamadas, em bloco, hormonas tiroideias, que intervêm no metabolismo das proteínas, dos lípidos e dos glúcidos, são indispensáveis ao desenvolvimento de todas as células, mais particularmente às do sistema nervoso. E o que é preciso para que a tiróide fabrique corretamente estas essenciais hormonas tiroideia? O iodo!
Em cada idade variam as necessidades do iodo
As necessidades diárias de iodo, nas crianças entre 1 a 3 anos, são 80 microgramas, nas crianças de 4 a 6 anos de idade sobem para os 90 microgramas, depois, para os 120 microgramas, nas crianças até aos 9 anos, para se estabilizarem nos 150 microgramas a partir dos 12 anos e durante o resto da vida. Mas, quando se está à espera de um filho é preciso um mínimo de 200 microgramas de iodo: é importante que o embrião cresça bem e tenha células nervosas capazes. Esta necessidade de 200 microgramas prolonga-se durante a amamentação.
Quais os sinais de uma carência de iodo?
O que é que acontece quando falta o iodo? Tudo se descontrola. Fica-se naturalmente fatigado, a memória começa a perder-se, surge a depressão, obstipação, deixa-se de ter a sensação de fome, surgem as cãibras, mal-estar geral, aumenta o peso, as emoções fragilizam-se, a pele torna-se mais seca e escamosa, o colesterol sobe, ao mesmo tempo que o coração bate mais lentamente e a tensão arterial baixa.
Estes sintomas caracterizam o hipotiroidismo. E, como não chegam todos ao mesmo tempo, muitas vezes não lhes é dada a atenção devida. À medida que eles vão surgindo a tiróide começa a aumentar com o fim de captar o máximo possível de iodo e, então, surge o bócio. Se este não é tratado então tudo se complica: a cara torna-se arredondada com embrutecimento e alucinações.
Nas mulheres, o hipotiroidismo, tem uma repercussão sobre o período menstrual. Que se torna muito fantasista e pode ser causa de infertilidade.
Atenção às carências de iodo na infância
Quando falta iodo a uma criança, quer seja ainda dentro do útero da mãe ou durante os primeiros anos de vida, o seu sistema nervoso é o primeiro a falhar. O cérebro não se desenvolve correctamente, torna-se débil. Além disso, ele não cresce como deveria. Tem uma face arredondada, uma língua grossa, coordena mal os movimentos: é o que se chama de cretinismo.
Quais os alimentos para fazer o pleno de iodo?
O iodo só raramente se encontra nos produtos da terra. Quando existe é levado pelas águas da chuva para as ribeiras, os rios até chegar ao mar. Pouco numerosos são os alimentos da terra que o contenham.
É sobretudo nos produtos de origem marinha que se encontra este precioso elemento: primeiramente os peixes, depois os crustáceos. As algas são particularmente ricas em iodo, sobretudo quando são secas. Já há mais de 4000 anos que os chineses tratam o bócio com algas secas.
O sal de mesa quando é iodado (enriquecido em iodo) contém quantidades grandes de iodo (cerca de 1,8 microgramas de iodo por cada grama de sal). Este sal enriquecido é empregado em grande maioria pela indústria alimentar, pelo que grande parte dos produtos, incluindo o pão, contêm um pouco de iodo.
Quando é que se corre o risco de faltar o iodo?
A carência de iodo atinge, segundo a FAO (organismo internacional sobre a fome e a alimentação), cerca de um quarto da população mundial, essencialmente pessoas que vivem nas regiões montanhosas da América do Sul, da Ásia e de África. Ela está a ser corrigida, a pouco e pouco, felizmente, com a introdução de programas de luta, como o da introdução de sal iodado, realizado em conjunto pela OMS e a UNICEF.
Corre-se o risco de faltar o iodo quando se come pouca quantidade de produtos marinhos e não se usa o sal iodado.
Se a alimentação é muito rica em legumes (couves, brócolos…) o risco de excreção aumentada de iodo é grande. Estes legumes contêm moléculas, chamadas tiocianatos, que ativam a excreção de iodo pela urina, impedindo-o de chegar ao seu bom destino, que é a tiroide.
E se, além disso, se é fumador aumenta-se o risco de falta de iodo porque o tabaco impede a sua absorção.
Quando não se tem a consciência tranquila em relação ao iodo, ou se uma pessoa sente algum dos sintomas associados à falta de iodo, a melhor maneira é fazer uma determinação das hormonas tiroideias no sangue.
(artigo baseado num texto de Paule Neyrat)











